sábado, 19 de dezembro de 2009

Mary and Max - Cristina Pereira

Foram raros os filmes que me tocaram tão profundamente quanto "Mary and Max". De uma sensibilidade reveladora, este filme de animação que utiliza a técnica chamada clayography (desenho com argila) é uma sublime obra de arte. Pela beleza do trabalho artesanal: mais de cinco anos foram investidos na produção, que teve cada personagem, cada objeto e detalhe das cenas desenhado e montado à mão por uma equipe de cinquenta profissionais, entre designers, artistas e animadores. E este trabalho artístico soberbo, vem acompanhado de uma história emocionante e inesquecível, inspirada pela vida do criador do filme, o australiano Adam Elliot.
Mary, uma menina australiana de oito anos, que vive nos subúrbios de Melbourne nos anos 70, muito solitária, mas com uma mente perspicaz e criativa, resolve escrever para alguém nos EUA para tentar entender um dos grandes mistérios da vida: de onde vêm os bebês? “Na Austrália eles surgem de latas de cerveja, certamente na América eles devem surgir de latas de coca-cola”. E assim começa a inacreditável jornada da inusitada e tocante amizade entre Mary e Max.

Do outro lado do mundo, em Nova Iorque, vive Max, na meia idade, também muito solitário, judeu, obeso, e com enorme dificuldade em se ajustar ao mundo externo devido a uma desordem mental conhecida com Síndrome de Aspergers. Ao longo de suas vidas Mary e Max dividem acontecimentos marcantes, idéias, paixões e sofrimentos através de cartas e presentes, criando um vínculo profundo, carregado de emoções e compreensão.
O notável deste filme é que ele trata de temas tão pesados e difíceis, sofrimento, isolamento, solidão, preconceito, desajustes, mas com uma leveza e nobreza tão grandes que nos enche de esperança, amor, e compreensão. É impossível não se apaixonar por Mary e por Max. Um filme perfeito para esta época do ano! Encha seu coração com os sentimentos mais nobres assistindo Mary and Max!
Cristina Pereira - Zurique, Suíça


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Rituais - Cecília Zugaib

Desde um tempo venho sentindo vontade de ter rituais na minha vida. Não frequento a igreja aos domingos, não faço nenhuma refeição em família, não vou a salão de beleza. Vivo nesse mundo moderno, onde virou ritual correr para todos os lados, dormir mal, tomar café na frente do computador, atualizar diariamente o “status” no facebook, twitter, orkut. Será que quero tudo isso para o meu cotidiano?
Rituais acompanham o ser humano desde o seu surgimento. Tente imaginar uma sociedade sem cerimônias…Não existe. De alguma forma, seja de manifestação religiosa ou não, esssas regras vêm nos acompanhando, nos moldando à sociedade a qual pertencemos, pre-determinando até valores que nos seguem para toda vida. Batismo, casamento, festinha de aniversário, churrasco em família, o cinema às segundas, o banho, a posse do novo presidente, a troca da guarda da rainha, os beijos no rosto como forma de saudação. É de pirar a quantidade de rituais que cumprimos cada dia.
No entanto, os rituais que estou sentindo falta no meu cotidiano são os que trazem bons fluidos, que simbolizem energia positiva e o bem-estar da mente, do momento presente. Juro de pé junto que não sou mística, exotérica, religiosa. Mas ultimamente tenho notado um enorme negativismo nos ambientes que me cercam. No trabalho, cada um fala mal do outro, tenta trapacear o próximo. Entre amigos, poucos são os que parecem satisfeitos com a vida do jeito que ela é. Há sempre mil coisas ruins para uma boa. No ambiente público, parece que as pessoas são incapazes de ter um gesto de solidariedade, de gentileza, de boa educação.
Eu certamente não quero essa eterna insatisfação, esse incansável reclamar, nem pra mim nem para ninguém. Decidi escapar da bolha do mau humor. Comecei a convocar amigos e família para fazer uma corrente positiva num dia da semana. Incensei a casa. Acendi vela pra São Cosme e Damião. Coloquei sal grosso atrás da porta, e o mais importante de tudo: decidi prestar atenção aos meus atos e trabalhar a mente, ser positiva. Vocês estão ai pensando: a) a idade das pessoas é diretamente proporcional ao grau de misticismo; b) yo no creo en brujas pero que las hay, las hay; c) minha filha, você é baiana e todo baiano tem um pé no candomblé, nega; d) coitada, ficou maluca.
Também podem estar se perguntando: e o que o Natal tem a ver com tudo isso? Se pudesse ouvir a sua resposta, colocaria no ar a pergunta: que tipo de ritual é o Natal para você? O que ele representa? Para mim, o Natal é puro simbolismo. É a época de estar em família, de refletir sobre o ano – sucessos e fracassos. Época de fazer planos para o ano que vem e de avaliar formas de me tornar uma pessoa melhor. Claro, tudo isso deve ser feito o ano inteiro, mas é nessa época que consigo achar esse tempo para mim e pensar nos pequenos detalhes que fazem a grande diferença.
Decidi espantar os maus costumes, acolher novos e melhores comportamentos mentais. 2010 vai ser o nosso ano! Espero que você também tome o Natal e faça uma reflexão sobre a sua vida, a sua maneira de pensar e agir. Já que tudo é energia, porque não pensar positivo, agir com determinação? Cito uma amiga, que ao ser questionada com desdém pela professora de inglês que a havia reprovado, se ela achava que ela teria condição de passar para o próximo nível do curso, respondeu com atitude: “I think and I can”. Feliz Natal!

Cecília Zugaib - Zurique, Suíça

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Um pouco de brilho para o Natal: Les Sapeurs du Congo - Magda Hammer

Sape em françês significa luxuoso e é a abreviação de «Société des Ambianceurs et des Personnes Élégantes», o movimento de moda nascido no bairro pobre congolês Brazzaville. Nos finais de semana, as ruas empoeiradas da capital congolesa transformam-se numa passarela onde os Sapeurs passeiam exibindo suas roupas elegantes e propositalmente exageradas, satirizando as grandes marcas européias.
Tudo começou em 1922, quando o congolês A.G. Matsoua, apesar de ser um legendário lutador contra a ocupação francesa, voltou de Paris vestido como um verdadeiro "Monsier".
Mais tarde, nos anos 80, um grupo de apaixonados por moda fundou o Sape, autodefinindo-se como um clube de pessoas elegantes.
Ironicamente o movimento ganhou força quando no país vizinho, Zaire, o presidente Mobutu quis prescrever para seu povo o uso de roupas típicas africanas. Desta vez os Sapeurs não encorporaram um comentário irônico ao capitalismo mas sim um protesto contra o anti-colonialismo do ditador. Afinal, a pior repressão é aquela que acontece dentro de casa.
Um dos sapeurs mais famosos é o cantor Papa Wemba que em uma de suas canções diz: "Não abandone as roupas. Elas são a nossa religião".
Um Sapeur comenta num blog que prefere passar fome do que andar mal vestido.
O fotógrafo italiano Francesco Giusti ficou impressionado quando viu pela primeira vez os Sapeurs no último ano: "Eles vivem na miséria, mas sentem-se cavalheiros e mostram que apesar da pobreza é possível ganhar respeito através da elegância. As roupas dos Sapeurs estão sempre limpas, impecáveis. Outra característica é que pregam contra a guerra e a violência. "Eu não posso usar uma gravata se não há paz", disse um Sapeur ao fotógrafo.
Fonte: Revista Annabelle, Wikipedia


Magda Hammer - Zurique, Suíça


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Briga de vizinhos - Margarita Wasserman


Se não gostas do limpo. Não sujes.
A ti é conferido o direito de gostar do limpo ou do sujo.
Mas, se preferes o sujo, por favor, respeita quem gosta do limpo.
Não permitas que a raiva ilumine como um corisco a escuridão, tal como o fogofátuo, que apenas assusta crianças e ignorantes. Mas também é conferido aos outros, que gostam do limpo, o direito não apenas de trabalhar, mas também de exigir.
Se a ti agrada a sujeira, viva nela (porquinho)...
É bem verdade que do lodo também nascem lírios.
Mas e o "perfume"?...
Tu rescendes a rosas que têm o mel que as abelhas tanto gostam.
Mas, também, não esqueças que as roseiras necessitam de estrume para vicejar.
Sou uma Fada.. Da sujeira crio a forma perfeita e o perfume suave.
Mas também atrais as abelhas que tanto perturbam...
As abelhas perturbam e produzem. E tu perturbas e nada produzes...
Eu sou a rosa que enfeita e perfuma e tu és a cigarra que canta e encanta.
Juntos poderemos encantar e trabalhar. De acordo?

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Que dia é hoje? - Gabriela Sandes

... e perguntou à atendente:
- Por favor, que dia é hoje?
- 1º de dezembro.
Deu-se, então, o curto-circuito: a caneta ficou imóvel, entre os dedos paralisados, na mão frouxa e travada, do braço rijo dependurado no corpo encurvado sobre o balcão.
A atendente aguardava impaciente pelo bendito cheque. Que demora era aquela, com a fila dando volta no caixa?
- A senhora quer que eu preencha na máquina registradora?
Ela entregou o pedaço de papel sem dizer palavra.
- Mas já começou à caneta, agora tem que terminar; pode ficar aqui ao lado, por favor; próximo! – tentando sorrir para a outra cliente - bom dia, dinheiro ou cartão? – que ninguém mais inventasse pagar em cheque! - crédito ou débito?
Beatriz achou que desmaiaria ali mesmo, no meio da loja. Estaria tendo um derrame?
Sem poder protestar, colocou a data no cheque, obediente à informação da moça. Quase não se lembrava mais quem era, mas conseguiu também assinar. Saiu da longe em câmera lenta, zanzando pelos corredores até notar o Papai Noel sentado em um trenó reluzente, puxado por renas enérgicas que alçavam um voo rasante e estático desde o centro do shopping. Onde esteve durante o ano inteiro?
Havia pouco tempo, muito pouco, os parentes do marido chegaram para passar o Natal. Ela providenciou presente para todos os sobrinhos e comprou tanta comida, que deu metade aos porteiros e à empregada. Foi buscá-los no aeroporto e devolvê-los quando já retornavam a Porto Alegre, depois do reveillon naquele clube cafona que o cunhado escolheu pelo terceiro ano seguido... No carnaval, o que mesmo haviam feito? Queria ir à praia, mas a filha ia fazer vestibular, o marido achou melhor não viajarem, fazendo-a permanecer imersa no sofá, zapeando sonolenta pelos desfiles das escolas de samba, trios elétricos e blocos de frevo da televisão.

As aulas recomeçaram em março, cada nova turma que chegava era pior que a anterior, e lhe deram oito naquele semestre; o problema na voz voltou, a filha começou a faculdade, graças a Deus, mas o que ia ser dela estudando Publicidade?!? O marido não quis dar palpite, como sempre, no que ele opinava? Quando foi mesmo que torceu o pé? Não, isso já foi em outubro, no dia do aniversário da sogra... Mas quando o semestre acabou, gente? Final de junho, como esquecer?, passou duas noites em claro corrigindo as provas, teve uma crise inédita de labirintite; em julho o filho voltou do intercâmbio se achando experiente e muito maduro, não aceitava mais ordens, onde foi parar o seu pequeno? Aquele congresso foi em... Maio? Há tanto tempo assim? A irmã do meio teve um aborto aos 42 anos, também pudera, era o que faltava, engravidar àquela altura, lá foi ela passar uma semana em Belo Horizonte para ajudar na recuperação, isso ainda era setembro? Foi antes do apagão? Depois da formatura do sobrinho? Na mesma época da obra na cozinha? Começou o tratamento de varizes em agosto, disso tinha certeza absoluta... Mas não era primavera? O consultório ficava de frente para o Aterro cheio de árvores floridas; então não foi em agosto... Mas o tempo está tão maluco... Foi em agosto, será?
Outro dia Verinha fez 47 e nem se lembrou que a amiga era escorpiana, senão teria percebido a chegada de novembro e não estaria tão sobressaltada... E o seu aniversário, onde havia passado? Em Ilhéus? Não, isso foi na comemoração dos 45; esse ano caiu justamente em um sábado e foi com o marido ao show de... Mas isso foi praticamente ontem, meu Deus...
Enfiou a chave no carro ainda em transe retrospectivo, quando tentou lembrar... Estava ali para o quê mesmo? E para aonde ia? Passara para comprar uma... E a sacola com as compras?!? De certo, descansava, inútil e esquecida, em algum canto da tal loja, do tal cheque, da tal atendente que a jogara no abismo do fim de mais um ano...
Que inveja do tempo inanimado das coisas, suspirou trancando de novo o carro e caminhando resignada de volta ao shopping.

Gabriela Sandes
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Roberta Sá: Que belo estranho dia para se ter alegria - Cecília Zugaib

Aquela coisa de brasileiro no exterior – perde-se um pouco das raízes, de saber os artistas da hora. Através da irmã especializada em MPB, tive a grande alegria, num belo estranho dia em Menorca, de conhecer Roberta Sá. Foi paixão à primeira “escuta”. Um mês depois ganhei de uma amiga este CD de aniversário - adoro essas amigas legais que captam no ar as suas necessidades culturais!
Mistura de samba com MPB, com uma pitada de bossa, é impossível ficar parada ou calada ao ouvir este CD. Como se a música não fosse motivo suficiente, Roberta Sá tem uma presença de palco e uma simpatia impressionantes. Vale a pena trazer um pouco dessa boa energia para casa.

Cecília Zugaib - Zurique, Suíça
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Dalai Lama: Meine spirituelle Autobiographie – Cecília Zugaib

Expressa minha atual vontade de conhecer mais sobre o universo budista e o continente asiático, ganhei da amiga Magda este livro de aniversário, publicado aqui na Suíça em julho de 2009.
Este livro vai além dos ensinamentos budistas, foco dos seus livros anteriores. Retrata a infância de Tendzin Gyatsho, explica o processo da sua identificação como o 14° Dalai Lama aos 5 anos de idade, revela os mínimos detalhes da triste história da invasão do Tibet pelos chineses, da sua fuga para a Índia e registra o seu desabafo com a situação de exilado, da sua luta eterna pela liberdade do seu país.
Como época de reflexão, esse livro é um belo presente de Natal para pessoas queridas.

Cecília Zugaib - Zurique, Suíça

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Vergonha alheia - Lis Aguiar

Impressionante! Educação e gentileza nos dias de hoje são vistas como prêmios e são comemoradas como atitudes inéditas. Após algum tempo morando fora, me deparei com várias coisas que antes faziam parte da minha rotina. Como ligar a TV e ouvir o noticiário: “em 24 horas foram registrados 23 assassinatos na Bahia”, em seguida: “após a selvageria e as atrocidades cometidas pela torcida ensandecida do time Coritiba – coxa, atacando e agredindo as pessoas após perder o campeonato, uma mulher que passava num ônibus foi atingida por uma bomba lançada pela torcida e perdeu três dedos”, e ainda: “políticos flagrados recebendo propina e colocando o dinheiro nas meias, calças, onde for...” Tentei desligar a TV, pensando se poderia com mais, porém para finalizar a edição do jornal, ouvi “flagrante de gentileza – dois pedreiros ajudam uma cadeirante a sair de uma calçada sem rampa!”. Flagrante de gentileza?

Meu Deus, em meio a tantas atrocidades e notícias indigestas, quer dizer que uma pessoa ajudar a empurrar uma cadeira de rodas por alguns minutos é um ato que merece uma notícia na TV? Onde estão os valores, a consciência e o dever das pessoas? Isto deveria ser uma obrigação para com o próximo, um dever, e não um favor transformado em uma manchete.

Absurdos a parte, não é novidade nenhuma que nosso país está sendo engolido cada vez mais por uma violência que só cresce, por atitudes cada vez mais mesquinhas, onde as pessoas estão mais e mais fechadas em seus mundinhos particulares. Ainda que tenhamos os voluntários, as ONGs preocupadas em fazer algo melhor, mas principalmente as pessoas que pensam em fazer um pouquinho, ainda que isto seja agir com educação e solidariedade.

Então, quando repentinamente surgir uma vontade de fazer algo bom, por menor que seja, fará a diferença. Não deixe esse momento passar, simplesmente faça. Indispensável dizer o que isso também fará por você.
Lis Aguiar - Curitiba, Brasil


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Metade Jesus Cristo, metade Al Capone! - Revista Piauí

Eram dez da manhã de uma segunda-feira quando o produtor Luiz Carlos Barreto chegou ao escritório da Downtown, responsável pela distribuição do seu próximo filme, Lula, o Filho do Brasil. Acompanhado da filha Paula, cumprimentou o dono da empresa, Bruno Wainer - "Ô, meu príncipe!" -, e comentou que havia ido ao cinema no dia anterior: "Era aquele filme do Tarantino. Fui ver se estava passando o trailer do Lula." Sentaram-se.

Barreto espalhou um monte de papéis amarfanhados sobre a mesa e foi repreendido pela filha: "Pai, junta suas coisas porque assim ninguém consegue trabalhar." Teve que atender em seguida a um telefonema do secretário de Cultura do Recife. Terminada a conversa, Bruno Wainer anunciou que Lula, o Filho do Brasil, com estreia marcada para 1º de janeiro, deveria entrar em cartaz em 383 salas de cinema.
Barreto não gostou. "O Avatar está saindo com 700 cópias. Tem um outro americano aí com 500. A gente tem que acreditar que está lançando o filme mais esperado do ano. Não precisa de quatro salas na Barra, mas no subúrbio sim. Quero quatro salas no NorteShopping." Wainer argumentou que 383 cinemas seriam mais que suficientes. Barreto insistiu:
- Trezentos e oitenta salas foi o Carandiru. Não tem nada de mais.
- Ah, se a gente está aqui para bater recorde, tudo bem - disse Wainer.
- Não é para bater recorde, é para ganhar dinheiro - retrucou o produtor. - Esse filme não pode ter menos de 500 cópias. Não quero gastar dinheiro com parangolé no meio da rua. Abro mão de tudo que for anúncio extra para gastar em mais cópias. A gente concentra a publicidade na Globo.

- Mas a Globo falou que só dá para colocar anúncio a partir de 25 de dezembro - disse Wainer.

- Ótimo - festejou Barreto. - Antes do Natal o cara vai estar com a cabeça nas compras, ouvindo aquela música estridente. Fica tudo para a semana seguinte. Bruno Wainer ponderou que a tática seria arriscada. Em função do acordo firmado com a Globo, os anúncios só passariam se a emissora tivesse horários de publicidade vagos. Barreto se exaltou:

- Meu amigo, você me diz quais são suas preocupações que eu vou na alta direção da Globo e determino que com esse filme é diferente! Tem que acabar com essa história de que a Globo está fazendo favor. É uma parceria. Eles têm 10% da renda.

- Então, pronto. Assim você resolve o problema - disse Wainer, com ironia.
- Bruno, estou vendo que você entrou na defensiva.
- Com 383 cópias eu estou na defensiva?
Você está louco, Barreto.
- Se o filme fizer 2 milhões de espectadores você recupera o seu investimento. - E você acha que 2 milhões de espectadores dá assim, na esquina?
- Quer saber, Bruno? Fiquei muito chateado de você ter dito numa entrevista que o filme vai ser lançado com menos de 400 cópias.
- E eu com você ter dito que o filme vai ter 20 milhões de espectadores - respondeu Wainer.
- É que a gente precisa agir com pressão - justificou o produtor.
- Mas se não fizer 20 milhões de pessoas, você não tira do seu bolso - atacou Wainer.
- Eu estou colocando 3 milhões de reais. Se o filme não der certo, o prejuízo é meu. Já você vai só ter que pedir desculpas. Barreto bateu a mão na mesa e gritou:

- Tem 4 milhões de reais meus, do meu bolso, nesse filme! Quatro milhões que eu tive que pedir emprestado! Não vem me dizer que não tem nada meu aqui! Luiz Carlos Barreto Borges, o Barretão, é o chefe do clã mais poderoso do cinema nacional. Na sua produtora, a LC Barreto, todos os filmes passam pelo crivo da sua mulher, a produtora Lucy Barreto, e dos filhos, os diretores Bruno e Fábio Barreto. A última a se agregar à firma foi a caçula Paula, responsável pela produção de Lula, o Filho do Brasil.

Salvo por Bruno, que mora em São Paulo, a família trabalha num escritório caindo aos pedaços, no centro do Rio, ao qual Barreto se refere como "essa porra desse botequim". A decoração é a mesma desde os anos 80: carpete verde vira-lata, janela escuro-encardida, persianas mal-ajambradas, espelhos descorados em abundância e esquadrias douradas em volta das portas.

No banheiro masculino, ao lado da privada, há um exemplar do livro Em Defesa de José Dirceu. Em outubro de 2005, quatro meses depois de Dirceu ter deixado a Casa Civil, Barreto organizou, no seu apartamento no Parque Guinle, uma reunião de apoio ao ex-ministro. "Ele tinha me dado muita atenção quando estava no governo, e hoje somos muito amigos", explicou.

Barreto divide uma sala com a filha Paula. Na parede, há dois retratos a óleo - um dele e outro de Lucy -, pintados pelo artista plástico Ademir da Costa. "É um conhecido aí da Lucy", apontou. A decoração é completada com os pôsteres dos filmes Dona Flor e Seus Dois Maridos, Bye Bye Brasil, Índia, a Filha do Sol, O Quatrilho, O Caminho das Nuvens e O Filho do Brasil, todos produzidos pela sua empresa.

Sua sala é mobiliada com um sofá manchado de café, uma enorme televisão de tela plana e duas velhas mesas de madeira, uma para ele e outra para a filha. Sobre a mesa de Paula fica o único computador da sala, do qual o produtor mantém distância. Sobre a de Barreto jaz uma barafunda de papéis, três telefones fixos e dois celulares. "Computador é uma máquina de escrever com arquivo", justificou. "Me diz se as pessoas passavam oito horas por dia abrindo e fechando gaveta de arquivo? Outro dia, na África do Sul, provaram que um pombo-correio pode ser mais rápido que um e-mail...

Leia a Matéria na Íntegra na edição de dezembro da Revista Piauí!

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Bastardos Inglórios x Tarantino - Lis Aguiar

Tarantino, darling, seu novo filme é bom, gostei. Bom parece pouco, mas não é. Apesar da minha sempre admiração por seus filmes, vamos lá, o seu penúltimo, A Prova de Morte, foi bem fraquinho.
Tendo no currículo masterpieces como Cães de Aluguel e Pulp Fiction, que dispensam comentários, Kill Bill e Jackie Brown que não ficam atrás, eu diria que Bastardos Inglórios é um filme bem feito sobre a visão dos americanos sobre a segunda guerra. Tarantino tenta imprimir sua marca em algumas cenas, e você é capaz ainda de ligeiramente se surpreender. Brad Pitt faz caras e bocas, está nos cartazes e outdoors, mas não é o ator principal de fato. Os créditos vão para Christoph Waltz, ator austríaco que ganhou o prêmio de melhor ator esse ano em Cannes. Merecidíssimo, pra não dizer que uma das melhores coisas do filme é a atuação do cara.
Ainda em se tratando de Tarantino, não posso deixar de citar Sin City, uma verdadeira obra prima, ainda que tenha atuado apenas como diretor convidado. E ainda que digam que Um Drink no Inferno, tendo ele como roteirista, tenha sido muito ruim, eu discordo totalmente. Achei muito bom, justamente porque sai do clichê de um roteiro previsível, onde o expectador é levado a crer no acontecimento das cenas seguintes, e subitamente todos os personagens transformam-se em vampiros, mudando drasticamente o roteiro e por esse motivo fazendo as pessoas terem reações indignadas, achando tudo uma palhaçada. Eu particularmente me matei de rir e adorei a audácia, foi exatamente nesse momento que me tornei uma fã.
É preciso mais, a meu ver, do que fazer algo simplesmente muito bom. É preciso coragem para sair do comum e dar na cara dos expectadores, saindo da previsível mesmice. E é por isso também que ele tem uma legião de pessoas que o odeiam, não é pra menos, no seu lugar eu também teria, e agradeceria.
Para os então apreciadores, assistam ao último dele e tirem suas próprias conclusões.
Lis Aguiar - Curitiba, Brasil

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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Livro é o luxo - ou lixo - o que dá na mesma. Nei Shimada


Neste feriado de fim de ano, íamos para Hiroshima. Mas fazendo as contas grana/tempo/carro ou grana/tempo/trem-comum ou grana/tempo/trem bala e ainda considerando a estadia num youth albergue e rango, o melhor mesmo é ficar ao redor dos 250 km de casa e ficar indo e voltando. As opções são boas, ir até a província de Fukui ken, que fica na costa japonesa voltada para o continente asiático e depois ir ate Gotenba, perto do Monte Fuji. Turistada de bate-e-pronto, almoçar por lá, curtir e voltar pro sweet sofá.
Com a grana que sobrou da aventura Hiroshima, pensei em comprar alguns livros. Liguei o pc atrás daquela livraria virtual japonesa, ligada a uma grande editora nipo-brasileira que publica um jornal semanal e uma revista quinzenal. Nada consta, diz o link para o site onde desativaram os serviços por tempo indeterminado. Eles tinham bons títulos e não só a lista da Veja ou coisas de auto-ajuda ou kardecismo de balcão. Tinham, por exemplo, todos os livros do Chico Buarque ou dois ou tres do Loyola, alguma coisa do Nabokov, Mario Prata, Machados, Clarisses e muito mais.
Mas aconteceu a crise financeira e com ela desativaram a livraria. Não fiquei surpreso, só chateado. E não com os donos da livraria, mas com a maioria da clientela brasileira que não lê nada e conseqüentemente, não compra nada. A livraria andava as moscas, mesmo nos tempos das vacas gordas. Era inevitável que demitissem a pessoa que recebia os pedidos e fazia os tramites de compra e transporte do Brasil para cá e para a casa do leitor. Ontem estive com um amigo que é dono de um mercado brasileiro que vende carne australiana. Toda a carne vendida nos mercados brasileira é de origem australiana. Quando cheguei lá, ele estava no balcão conversando com o distribuidor japonês que estava dizendo que a importadora não tem carne. Nem carne, nem panis, nem livros, nem circenses. Nem nada.
Assim que o japonês se despediu, ele me confidenciou que iria faltar carne. Já estão me faltando os parágrafos, pensei. O que ainda me salva são os 40 quilos de livros que eu trouxe da recente passagem pelo Brasil. A companhia aérea me deu o direito de carregar duas malas de 32 quilos. Eu não ia trazer mortadela ou salaminho, a não ser que fosse o gibi de Ibanez, o Mortadelo & Salaminho. Ainda devo ter uns 15 quilos para consumir. A densidade é relativa. Tem um Santo Agostinho que é fininho assim, mas pesa tanto quanto o Boeing que me trouxe. E paradoxalmente, me faz voar.
Quanto à carne, faz tempo que não como um bife. Não por causa do importador da Austrália, mas por opção.O que a maioria das pessoas não sabem é que um livro é mais saboroso que um bife. E não engorda.O problema é que diante de algumas situações, cortam-se as letras, os salários dos professores, as pernas das carteiras escolares. Na cidade de São Paulo, quase cortaram a merenda escolar do orçamento. Para ilustrar a situação e dar um desfecho dramático, senão trágico, na semana passada, lá onde trabalho, chegaram oito pianos de cauda usados, da Yamaha, para serem lustrados, afinados e embalados para as oito escolas públicas japonesas que os receberão na próxima semana. Escolas públicas, eu disse.
Punksauro Nei Shimada - Hamamatsu shi - Shizuoka ken, Japão

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Manoel de Barros


É em um pequeno quarto, no alto da casa, "escritório de ser inútil, isto é, de ser poeta", que Manoel de Barros prepara a "humanização das coisas" e a "coisificação do homem". Também inventa palavras, recorda-se de memórias que nunca existiram, dedica-se a uma poesia que tem o auge na construção do nada – tudo feito a lápis, em caderninhos por ele mesmo colados e pintados. Há um buquê de tocos de lápis velhos sobre a mesa – ele nunca os joga fora. Essa é a vida de vagabundagem que conseguiu adquirir: "Para escrever, é preciso ser vagabundo", acredita.

Uma rotina que só foi possível depois de muito trabalho. Autocondenado ao silêncio e à vida de fazendeiro por dez anos, Manoel rebelou-se e resolveu deixar a responsabilidade pelas terras nas mãos do filho, João. Foi quando se estabeleceu definitivamente na cidade de Campo Grande, aos 55 anos, para exclusiva dedicação à poesia, com idas semestrais ao Pantanal e visitas esporádicas ao Rio de Janeiro. Hoje, prefere o Pantanal da infância que viveu e da que ainda pode inventar, magoado com a degradação ambiental, o assoreamento dos rios e o avanço da fronteira agrícola. Venceu o prêmio Jabuti com O guardador das águas, em 1989, e com O fazedor do amanhecer, em 2002, e alerta que as águas e as alvoradas do Pantanal sofrem agora por abandono.


Aos 92 anos, Manoel de Barros continua em busca das miudezas. "Hoje, o meu olhar é ajoelhado no chão a ver os caracóis da terra, as rãs das águas, os lagartos das pedras", diz. A idade teima em o aproximar da infância. A surdez que o impede de ouvir as obrigações cotidianas e todas as coisas importantes, misteriosamente permite que ouça o tropel dos pássaros e a música de Brahms. A visão limitada, que dificulta a leitura de letras miúdas, serve para olhar bem de perto as formigas, as avencas e as violetas. Desbocado, diz aquilo que não gostaríamos de ouvir – e que até pode ser verdade. Para ele, seu último livro já foi escrito: Memórias inventadas: A terceira infância, que completa a trilogia de sua autobiografia ficcional. Se é possível que o autor personifique sua obra, Manoel atingiu a infância que narrou em seus versos.


OUTRA INFÂNCIA

Enquanto Nequinho brincava com as miudezas do chão, o pai, João Wenceslau Barros, fazia cercas, levantava acampamentos, cumpria a rotina da vida adulta no campo como capataz de fazenda. Do Beco da Marinha, beira do Rio Cuiabá, a família mudou-se para o Pantanal de Corumbá, extremo oeste do Mato Grosso do Sul. A criança foi criada naquele chão, brincando com sapos, lagartixas e tropas de formigas. Aos 13 anos, já atendia por Manoel de Barros, interno no colégio dos Maristas, cidade do Rio de Janeiro: leu, pela primeira vez, Os sermões, do padre Antônio Vieira, e descobriu o que era poesia. Apaixonou-se pela palavra, embora ainda não soubesse o que era paixão. Chamava isso de “dom”.


Uma capacidade primitiva e inocente, dedicada apenas a coisas sem importância: "As coisas sem importância são bens da poesia", explica. Procurou pelas palavras em toda a literatura quatrocentista portuguesa. Sofreu a revolução dos versos de Rimbaud. Aprofundou os estudos de linguística, tendo em mãos as palavras sagradas dos profetas bíblicos. Também estudou Direito, revezando as aulas com fugas para a Biblioteca Nacional, onde tinha encontro marcado com a poesia. Exerceu a advocacia, ainda que na primeira audiência tenha vomitado sobre o processo, na mesa do juiz.

Para se tornar poeta, desafiou o destino. Seguiu para uma viagem sem rumo, passando por Bolívia, Peru, Equador até chegar a Nova York, onde viveu por um ano, dedicado apenas à leitura da poesia norte-americana, às exposições de arte e à música barroca. "Aí, a minha vida virou", conta. A visão da miséria latino-americana lhe rendeu alguns poemas e o choque com o mundo civilizado exigiu a lembrança das coisas primitivas do Pantanal de sua infância. Resolveu construir imagens com palavras para fazer delas insetos, pássaros, águas e assobios.


Voltou ao Brasil, publicou o primeiro livro, Poemas concebidos sem pecado, e enfim soube o que era a paixão: conheceu Stela, com quem teve três filhos. Só aos 60 anos foi lançado para o grande público, confundindo a crítica e a imprensa com a falsa impressão de um poeta inato, bucólico, guardado no regionalismo pantaneiro. Foi fazendeiro, mas antes de calçar as botas já era plenamente poeta. Decidiu formar sua fazenda Santa Cruz apenas aos 44 anos, pai de família, autor de dois livros. Durante o período em que viveu no campo, não escreveu um só poema.


Se o mérito de Luis Vaz de Camões, o mestre, está na consumação de seus versos como idioma corrente, a feitura da própria língua, Manoel de Barros promove o contrário com a mesma grandeza: faz do idioma um revés, aplica-se a construções linguísticas que despertam o lado mais estranho da própria língua, ao mesmo tempo tão íntimo e compreensível. Se faltam os mares que influenciaram Camões, merecem destaque as lendas guaicurus do Mar de Xaraés – o mar do sertão pantaneiro, a fonte das águas que Manoel versou. E, como Camões, superou os limites da poesia.


REINVENÇÃO DA LÍNGUA

A carreira de Manoel de Barros é marcada pela paciência – mais que pelas atribulações da vida, com publicações, em média, a cada cinco anos. A feitura do poema lhe toma tempo. É preciso que cada palavra seja desacostumada, talvez até destruída, reformulada. "Sempre achei a linguagem destroncada mais bela do que a comum. A linguagem é a minha matéria plástica", explica. É uma linguagem comparável ao ciclo das águas do Pantanal. As tribos de índios Guaicurus percorriam os desvãos do Pantanal, entre as cheias e as épocas secas, até que encontrassem os descampados ideais para viver. Manoel promove essa fuga constante a cada verso, subvertendo o curso da língua.

Com traduções para seis idiomas, incluindo catalão e alemão, neste último assinadas por Curt-Meyer Clason – tradutor que também se dedicou às obras de João Guimarães Rosa –, Manoel de Barros estreará na língua inglesa, no próximo semestre, com a antologia Birds for a Demolition. Foram traduzidos cerca de 70 poemas escolhidos livremente. “O que me atrai na poesia de Manoel é a invenção de palavras e o uso de estruturas gramaticais surpreendentes. Isso faz o leitor perceber a linguagem de uma maneira diferente e, por meio dela, perceber o mundo com um novo olhar”, explica Flávia Rocha, poeta e jornalista paulistana que auxiliou a premiada tradutora nova-iorquina Idra Novey na pesquisa para a primeira tradução do poeta para o inglês.

O jornalista Bosco Martins, que acompanhou durante os últimos 30 anos a vida cotidiana do poeta e seus encontros com personalidades, políticos, escritores e artistas, promete um livro-reportagem cujo lançamento acontecerá em breve, ainda sem título definido. Assim como a série fotográfica a que Lucas Barros, fotógrafo e neto do poeta, tem se dedicado. Um raro registro da intimidade da casa, da fazenda e da família, com chance de resultar em uma fotobiografia.


Nas telas de cinema, Manoel já se viu no longa-metragem documental dirigido por Pedro Cezar, a desbiografia oficial do poeta Só dez por cento é mentira, lançada em 2008 no Festival de Cinema do Rio de Janeiro. Essas aparições, ainda que apenas para contestar a versão romântica de um poeta tímido e recluso, são regalos de valor inestimável para os leitores. Embora ele ainda prefira as cartas, inclusive para fazer promessas, como no trecho que segue, desvendando um título e o enredo do que pode ser o seu novo livro: "A infância da palavra. Gosto da semente da palavra, que é a voz de Deus que habita nas crianças, nos tontos, nos profetas e nos poetas. Gosto da infância da palavra". ©



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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Spaghetti Western Orchestra

Diretamente dos filmes de Clint Eastwood, a banda australiana aterrisou em Londres após uma turnê pela Europa e EUA!
Armados com mais 100 instrumentos, estes brilhantes músicos performáticos foram os responsáveis pelas musicas de Enio Morricone nos filmes The Good, The Bad and The Ugly, For a Few Dollars More and Once Upon a Time in The West. Esta genial gangue de cômicos maestros apresentaram as clássicas composições com hilários efeitos de som: assoprando garrafas, esmagando e chacoalhando cornflakes, tocando com cabides, bombas de bicicleta, mini brinquedos e muito mais!
O show pra lá de divertido e curioso aconteceu em outubro/09 no Southbank Centre, e merecia aplausos de pé, e é claro que os expectadores londrinos precisam de algo muito mais esplendoroso para estenderem seus joelhos! Eu e pouco mais de 20 pessoas de pé, fizemos jus ao magnífico espetáculo!

Independente do estilo musical que agrada aos seus ouvidos, se a banda aparecer na sua cidade, please, não perca! Com toda a modéstia, você irá me agradecer depois, I swear!
http://www.spaghettiwesternorchestra.com/

Lis Aguiar - Curitiba, Brasil


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sábado, 5 de dezembro de 2009

Homo Economicus






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terça-feira, 10 de novembro de 2009

The Lost Symbol: O novo livro de Dan Brown - Cristina Pereira

Dan Brown volta à cena literária com seu novo livro: The Lost Symbol. Mesma receita (misticismo, ciência maluca, religião, rituais, simbologia), mesmo herói (o elegante e inteligente simbologista da Universidade de Harvard, Robert Langdon), mesmo tipo de vilão (mentalmente desequilibrado e muito assustador), mas nova geografia. Desta vez a trama se passa não no velho, mas no novo mundo, que se mostra também terreno fértil para a reinterpretarão histórica e conexões místicas do estilo Dan Brown.

O pano de fundo de The Lost Symbol são os mistérios e símbolos ocultos entranhados em monumentos, obras de arte e prédios famosos da capital americana, Washington D.C. A trama central envolve a famosa e secularmente polêmica Maçonaria e a raízes da fundação dos Estados Unidos. Somam-se também a CIA, perseguições alucinantes, tecnologias futuristas, e é claro um toque de ciência absolutamente irreal.

A receita continua a mesma, e a forma de capturar o leitor também. Capítulos curtos, que sempre se fecham com uma frase de impacto no decorrer de um evento revelador. 500 páginas devoradas num piscar de olhos. Ainda que o conteúdo seja sempre altamente "nonsense", eu me divirto com os livros de Dan Brown. Gosto dos mistérios estapafúrdios, do suspense, da dinâmica e de livros que me fazem esquecer todo o resto por algumas horas. Certamente, será de novo um grande thriller levado às telas dos cinemas.
O livro foi lançado em língua inglesa, em setembro (vendendo mais de um milhão de cópias no primeiro dia! nos EUA, Inglaterra e Canadá). No Brasil, a versão em Português estará à venda a partir do fim de Novembro. "O Símbolo Perdido" será publicado pela Editora Sextante, que lançou um site exclusivo para o livro, onde o leitor pode encontrar além de estórias curiosas - como a de um islandês que irritado com a demora e impaciente para ler o livro em sua língua, invadiu a gráfica que preparava o livro para lançamento em Islandês e roubou um dos originais - um cronômetro com contagem regressiva para o dia do lançamento no Brasil. Efeitos do fenômeno Dan Brown. Ainda que críticos e intelectuais tentem destruir a reputação do escritor, sua popularidade jamais foi arranhada. Lido em todos os cantos do universo, o escritor é um indiscutível sucesso, e cada novo livro uma explosão de vendas, fonte de milhares e milhares de dólares, euros, reais, pesos, libras, yens,...

Divertimento garantido, mas não espere demais! Boas horas de entretenimento, mas sem a profundidade e o conteúdo de verdadeiros bons livros, aqueles que nos marcam para sempre.
Cristina Pereira (Zurique, Switzerland)

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O mal-entendido que mudou a história - 20 anos da queda do muro de Berlim!

O Muro de Berlim começou a ser derrubado na noite de 9 de Novembro de 1989 depois de 28 anos de existência. O evento é conhecido como a queda do muro. Antes da sua queda, houve grandes manifestações em que, entre outras coisas, se pedia a liberdade de viajar. Além disto, houve um enorme fluxo de refugiados ao Ocidente, pelas embaixadas da RFA, principalmente em Praga e Varsóvia, e pela fronteira recém-aberta entre a Hungria e a Áustria, perto do lago de Neusiedl.

O impulso decisivo para a queda do muro foi um mal-entendido entre o governo da RDA. Na tarde do dia 9 de Novembro houve uma conferência de imprensa, transmitida ao vivo na televisão alemã-oriental. Günter Schabowski, membro do Politbüro do SED, anunciou uma decisão do conselho dos ministros de abolir imediatamente e completamente as restrições de viagens ao Oeste. Esta decisão deveria ser publicada só no dia seguinte, para anteriormente informar todas as agências governamentais. Ainda assim as fronteiras não seriam abertas totalmente, somente seriam menos restritos mas o controle seguiria igual. Após uma hora de informações desinteressantes na coletiva de imprensa, Günter Schabowski é questionado por um jornalista italiano sobre as fronteiras e o controle, se seguiria tudo igual. Schabowski lembrou-se que tinha um papel em mãos -embora tenha demorado alguns segundos até encontrá-lo- que falava sobre isso. Ele, em posse do rascunho que acabara de ser redigido pelo conselho, começou a ler em voz alta sem nem mesmo saber exatamente do que se tratava. Jornalistas que estavam cochilando, acordaram com a surpresa, sem acreditar no que estavam ouvindo. Um outro repórter perguntou a partir de quando isto entraria em vigor. Schabowski procurou alguma data ou prazo no rascunho mas nada encontrou, e sua resposta foi - "Sofort" (imediatamente)!
A população que assistia ao vivo em suas casas foi para as fronteiras, mas nenhum soldado sabia do que se tratava. E foi assim que tudo aconteceu!

O muro de Berlim e o Portão de brandeburgo ao fundo em 9 de novembro de 1989. Pouco depois deste anúncio houve notícias sobre a abertura do Muro na rádio e televisão ocidental. Milhares de pessoas marcharam aos postos fronteiriços e pediram a abertura da fronteira. Nesta altura, nem as unidades militares, nem as unidades de controle de passaportes haviam sido instruídas. Por causa da força da multidão, e porque os guardas da fronteira não sabiam o que fazer, a fronteira abriu-se no posto de Bornholmer Strabe, às 23 h, mais tarde em outras partes do centro de Berlim, e na fronteira ocidental.

Muitas pessoas viram a abertura da fronteira na televisão e pouco depois marcharam à fronteira. Como muitas pessoas já dormiam quando a fronteira se abriu, na manhã do dia 10 de Novembro havia grandes multidões de pessoas querendo passar pela fronteira.

Os cidadãos da RDA foram recebidos com grande euforia em Berlim Ocidental. Muitas boates perto do Muro espontaneamente serviram cerveja gratuita, houve uma grande celebração na Rua Kurfürstendamm, e pessoas que nunca se tinham visto antes cumprimentavam-se. Cidadãos de Berlim Ocidental subiram o muro e passaram para as Portas de Brandenburgo, que até então não eram acessíveis aos ocidentais. O Bundestag interrompeu as discussões sobre o orçamento, e os deputados espontaneamente cantaram o hino nacional da Alemanha.
Fonte: Wikipedia e Revista Íntegra

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King Kong de apostila e o mico acadêmico - Nei Schimada

Não sou ecológico como deveria ser, mas fico indignado diante de barbáries que acontecem em zoológicos com jaulas imundas e pequenas demais para a vida (sobrevida?) de alguns animais lá instalados. Elefantes que vivem em florestas indianas pra lá e pra cá, nômades, gordos e felizes, ganham um espaço menor que um campo de futebol. Claro que é para facilitar a quem pagou o ingresso para ir visitá-los.
Mas sou ecológico o suficiente para não jogar nada, nem cuspir chiclete pela janela do carro e para selecionar o lixo daqui de casa.
Lembro do filme “Medicine Man” (1992), com Sean Connery. Ele faz o papel de um cientista que se embrenha no meio da floresta amazônica e fez a descoberta do câncer. Qualquer câncer. O problema é que ele não consegue reproduzir em laboratório a química da tal flor que só cresce a trinta metros do solo no topo de uma específica árvore. Depois ele descobre que o importante mesmo não é a flor, mas o inseto que mora no interior dela. Então, chega um pecuarista e bota fogo em tudo. Correm ele, sua assistente e a tribo toda para o meio do imensamente tudo atrás de outra específica árvore, com a mesma flor e o tal insetinho cujo cocô freia as células mutantes do nosso corpo.

Fico pensando nos gorilas e orangotangos que morrem para perder apenas as mãos por serem iguarias caras no prato de gente muito, mas muito esquisita e com gosto duvidoso com uma travessa contendo uma mão de gorila e algumas batatas assadas ao redor. Molho madeira. Ou os tigres que morrem na China para que moam o pênis do felino para virar um pó mágico para outros pênis tristes e cabisbaixos que acreditam na milenar medicina chinesa de cobras, ervas, pedras, pênis e insetos em contrapartida à famosa pílula azul.
Pior mesmo é a situação dos bichos nas mãos dos cientistas. Até mesmo dos criadores da famosa pílula azul. Durante os experimentos, alguns macacos devem ter ficado eretos e excitados por horas e um cientista – pervertido – olhando para a jaula com um cronômetro na mão.

Há alguns dias, alguns desses símios com o cérebro na ponta do membro em estudo, escaparam e espalharam-se pelos corredores e salas de uma faculdade de um grande centro urbano e a mídia toda registrou.
Todos os discentes bugios em bandos resfolegaram, ganiram, correram, bateram as mãos no peito e gritaram diante da fêmea alfa que estava apenas mais fêmea que nos outros dias. Há o registro de um deles subindo pelas paredes.
Todo mundo sabe disso, assistiu, discutiu, opinou, riu.
Como é mais fácil lidar com a perda de uma e não de setecentas mensalidades, a tal faculdade do grande centro urbano resolveu expulsar a moça. Na contabilidade dos cifrões (evidentemente necessários) o pragmatismo impera sem titubeio. Mas na civilidade não.O exemplo dado pela tal instituição de ensino, cultura e educação ecoa e ecoara pelos corredores locais como os gritos bestiais de alguns exemplares dos podres primatas de uma elite machista masturbatória, individualista e infeliz.
Meu medo é que esse fato estudantil e essa atitude institucional tornem-se corriqueiros e recorrentes, por isso volto dias depois e falo tudo de novo, não por moralismo beato e cristão, mas por defesa da condição humana, pura e simples. Como se, em contrapartida, não bastassem as burcas afegãs ou as metralhadoras vendidas como picolés nas fronteiras do cone sul.
Não foi por receio de retaliações que não citei o nome da faculdade. Mas por nojo.

Também acho que deve ter um monte de gente bacana e bem intencionada por lá. Aproveitem, fim de ano, bom período para transferências.
Olha o currículo...

Nei Schimada, 43, punk, poeta e dekassegui, escreve de Hamamatsu shi - Japão. É blogueiro da Estrovenga dos Corsários Efêmeros

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sábado, 7 de novembro de 2009

Se apaixonando - Carolina Bisacchi

E eram azuis seus olhos e Ela ainda não estava apaixonada. Mas já sonhava. E enquanto imaginava, sorria. Sem perceber que o sentimento chegava, e devagar invadia, inundava.
Era na verdade, a idéia de estar aberta novamente aos vendavais da vida, que a deixava feliz. Ser amada. E não era fácil, lidar com aquela situação. Porque não era algo novo, mas é sempre novidade se apaixonar. Cada flor com sua cor, sua forma e seu cheiro particular. De pensar nele, seus olhos mareavam, cintilavam e chegavam a faiscar. O sorriso, era maroto. Gotas de docilidade se insinuavam entre os lábios. A respiração era lenta, o coração não batia, palpitava. E as mãos dela, eram frias, gélidas.
Movimentos ansiosos e certeiros como um animal que se prepara para a caça. Ela sabia quando e como conquistar. Mas ela precisava querer. Precisava desejar! E se o desejo não existia nada nem ninguém conseguiam se aproximar.

E como revelar suas intenções, demonstrar seus sentimentos se ela ainda tinha medo. Mas tinha algo novo no ar. A cada suspiro, a coragem de se revelar. E quando ele sorria de volta, ah... era o pecado, o pulmão se enchia de novo, com ar fresco e úmido, que penetrava pelas vias respiratórias, oxigenava o sangue e a fazia colocar o corpo todo no lugar. A cada vez que seus olhares se cruzavam, ela flutuava. Porque, com seus defeitos e qualidades, todos eram estrelas brilhantes, complementares e de igual importância. E levitando, entre sonhos e nuvens, ela esperava... Porque ela ainda, apesar de saber que era capaz, não conseguia se declarar, tomar posse da sua vida e “farsi vedere”.
Foto Original de Dani Morrison
Carolina Bisacchi - Londres, Inglaterra

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Um pedacinho de Zurique - Magda Hammer

É uma região polêmica, cheia de paradoxos, luxos e lixos. Típico lugar que a gente odeia e/ou ama. O pedacinho que eu gosto é o seguinte: Josefstrasse, Gasometerstrasse, Neugasse e um trecho da Langstrasse. É o Bäckeranlage mais adiante. Ali raças, cores, delícias e vícios se misturam.
Cometo vários de meus pecados por ali, comendo no meu restaurante preferido, jogando conversa fora enquanto tomo um cafezinho ou um dos melhores sorvetes italianos em Zurique, admirando sapatos lindos e me sentindo a Carrie Bradshaw (mesmo não comprando nada!), matando o tempo no Bäckeranlage, pegando um livro em português no CEBRAC, naquela biblioteca maravilhosa com 6 mil exemplares, enquanto o marido reclama que eu deveria voltar a ler em alemão, ai gente que preguiça...

Cinque - na esquina da “Lang” com a “Josef” é um dos meus restaurantes italianos preferidos na cidade
Langstrasse 215
8005 Zürich
Tel +41 (0)44 272 46 30

Confeitaria e Sorveteria Bar Paolo Caredda – doces, sorvete italiano e um expresso bem gostoso
Josefstrasse 119
8005 Zürich
Tel +41 (0)44 440 23 41

Josef - pra tomar um drink cercado de gente bonita
Gasometerstrasse 24
8005 Zürich, Switzerland
Tel +41 (0)44 271 65 95

Maison Blunt Tea Room – o oriente em Zurique, azulejos ornamentais, mosaicos, almofadas coloridas, chá de hortelã natural e pratos árabes
Gasometerstrasse 5
8005 Zürich, Switzerland
Tel +41 (0)43 211 00 33

Movida Shoes - minha recente descoberta, na “Lang”, a dona é uma simpatia
Langstrasse 192
8005 Zürich

Riff Raff – um cinema com filmes alternativos e um bar bem legal.
Neugasse 57, Zürich
Tel +41 (0)44 444 22 00
www.riffraff.ch

Bäckeranlage – pra sentar na grama, jogar bola, tomar uma cervejinha com os amigos e de quebra assistir um showzinho.
Quartierzentrum Aussersihl
Restaurant B
Hohlstrasse 67
8004 Zürich Kreis 4

CEBRAC – um cantinho do Brasil na Suíça, o centro cultural brasileiro, resultado de tudo de bom que o trabalho voluntário pode gerar, informando e valorizando nossa cultura.
Quellenstrasse 25, 8005 Zürich
Tel +41 (0)44 271 43 05


Fotos - Herbi Ditl

Magda Hammer - Zurique, Suíça

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terça-feira, 13 de outubro de 2009

Vem aí a 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo







A 33ª edição da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, entre os dias 23 de outubro e 5 de novembro, marca 25 anos de independência do festival. Criada em 1977 como parte das comemorações dos 30 anos de fundação do Museu de Arte de São Paulo (Masp) – ao qual estava ligada –, passou a ser realizada de forma independente a partir de 1984. De lá pra cá, acumulou prestígio e sagrouse como o principal evento internacional de cinema do Brasil, graças à insistência do sírio naturalizado brasileiro, Leon Cakoff, e de sua mulher, Renata de Almeida, responsáveis pela organização e curadoria do evento.

Segundo Cakoff, a edição deste ano terá o mesmo formato das outras, já que o conceito que fez o sucesso da Mostra não muda: “Estamos sempre na busca de montar a melhor seleção para o público”. O curador compara: “É como entrar numa livraria. As pessoas vão a um festival para descobrir coisas, servir-se do banquete que está sendo oferecido. Depois, elas chegam a conclusões que eu nem havia pensado pela pressa que tive em selecionar o material. O que é legal nesse trabalho é que ele deixa de ser seu. Você é apenas o condutor de um processo”.

Nos meses que antecedem o festival, Cakoff costuma dormir pouco. Consome horas de seu tempo para ver os filmes que chegam ao seu escritório. Até o início de setembro, ele já havia recebido mais de 700 longas-metragens. Cakoff e Renata selecionam cerca de 300 filmes para a Mostra e garantem que assistem a todos os enviados, sem exceção, além dos que descobrem em suas pesquisas e nos festivais de cinema realizados mundo afora. “Não podemos correr o risco de perder uma grande obra. Mesmo quando não acho o começo do filme muito bom, vou até o fim. Nunca paro na metade, porque tenho que ter certeza absoluta do que estou selecionando”, revela Cakoff.

Durante a escolha, algumas cinematografias acabam se destacando. Uma das que têm chamado a atenção de Cakoff é a indiana. No ano passado, o longa Jodhaa Akbar (2008) ganhou o prêmio de público da Mostra. “Nunca tinha selecionado um filme de Bollywood e esse, particularmente, me encantou por falar, de forma deslumbrante, da questão da intolerância étnica”, diz o curador, revelando ter visto e adorado na noite anterior a esta entrevista para a Revista da Cultura o filme Delhi 6 (2009), de Rakesh Omprakash Mehra. “Esse com certeza estará na seleção deste ano.”

A seleção final do evento é fechada somente dez dias antes do início, mas algumas das obras já estão confirmadas, como as retrospectivas do cineasta grego Theo Angelopoulos – autor de filmes como O passo suspenso da cegonha (1991) e Um olhar a cada dia (1995) –, e do produtor e diretor italiano Gian Vittorio Baldi, pouco conhecido no Brasil, mas responsável pela produção de alguns dos principais filmes de Pier Paolo Pasolini, como Notas para uma Oréstia africana (1969). Além disso, a Mostra trará Cinzas e sangue, filme que marca a estreia da diva do cinema francês Fanny Ardant como realizadora.

A cada edição, Cakoff convida um artista para elaborar o cartaz da Mostra. Na 33ª, os convidados foram Otávio e Gustavo Pandolfo – os renomados grafiteiros mais conhecidos como Os Gêmeos. Neste ano será conferido também, pela primeira vez, o Prêmio Itamaraty de Cinema Brasileiro, que existe desde 2006, mas, até agora, era concedido durante o Festival de Brasília. ©
Artigo publicado na Revista da Cultura

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Pérolas do SacundinBenBlog - Marcel Cruz

Sim, conheci esse figurinha através dos Kavernistas e fiquei fã de cara, sendo assim, me senti na obrigação de colocar seu único álbum solo lançado em 1974.
Infelizmente não tenho a ficha técnica do disco, o máximo que consegui foram as autorias das faixas que, segundo o que li, a maioria delas foram feitas especialmente para Edy.
O álbum conta com 13 faixas (14 com o bônus) onde desfilam compositores como Roberto e Erasmo Carlos (Claustrofobia), Gilberto Gil (Edyth Cooper), Caetano Veloso (O Conteúdo), Jorge Mautner (Olhos De Raposa), Getúlio Cortes (Coração Embalsamado), Moraes Moreira e Galvão (Para O Que Der Na Telha), Renato Piau e Sergio Natureza (Sweet Edy e Bem Entendido) e, entre outros, Lupicínio Rodrigues (Esses Moços).
Os arranjos são excelentes com várias citações de outras músicas, muuuito bom! O volume segue uma linha bastante eclética, que vai do samba-canção ao roquenrol, passando pelo mambo e pelo tango. Falando nisso, vou abrir um parênteses aqui, Edy talvez tenha sido um dos primeiros a misturar elementos de Maracatú com roquenrol, ver faixa bônus: "A Bem Da Verdade", mistura essa que só aconteceria pra valer 20 anos depois com o movimento do manguebeat.
Eu poderia falar um monte de coisas a respeito da carreira de Edy, mas isso seria repetir o que já foi dito e encher linguiça, para quem interessar deixei logo abaixo o link de uma entrevista com Edy. Nada melhor do que o próprio artista pra falar de si e de sua carreira. É isso aí Edy!

"...Eu sou divino, eu sou maravilhoso, e sou danado de gostoso e quem quiser venha provar... eu sou... Eeeedy Star!"

Marcel Cruz do blog SacundinBenBlog

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E você... O que fez para salvar o mundo hoje?

Você acordou, escovou os dentes com a sua super pasta branqueadora, bebeu e comeu de uma forma light, e vai trabalhar com a sensação de dever cumprido.
Paga impostos, e estes devem estar indo para o lugar certo: sensação de tranquilidade sem gordura trans.

Quando começamos a pensar em “Solução para todos os problemas do mundo”, estávamos cientes de que se tratava de uma incógnita para não ser resolvida, que seria como um grande vômito do que havíamos consumido sem precisar. Consumimos muito mais do que precisamos, e estamos longe de solucionarmos os nossos problemas básicos, pois estamos envolvidos demais com problemas periféricos a nossa real necessidade; refletimos sobre a violência no país sob a visão de algum jornalista, compramos opiniões fáceis para, enfim, sermos vulneráveis à oferta da sandália modelo verão.

Se este texto tivesse trilha sonora, ela seria cantada por Gal Costa: "Você diz a verdade e a verdade é seu dom de iludir". Se nós o transportamos a uma realidade paralela, nós temos o dom de iludir. Refletimos o quanto é fácil vender verdades e o quão difícil é encontrar uma (será que ela existe?). Para salvar o mundo, você primeiro tem que salvar o seu. Criar sua ilusão. Descobrir a sua verdade.
FICHA TÉCNICA
Concepção: Stéphany Mattanó.
Pesquisadores: Cândida Monte, Neto Machado, Stéphany Mattanó.
Iluminação: Fábia Regina.
Produção: SELO - gestão e produção cultural.
FAIXA ETÁRIA: Livre
Duração do espetáculo: 40 minutos

Depois de passar por Portugal, França e pelos principais festivais do Brasil, o espetáculo Solução para todos os problemas do mundo volta a Curitiba para uma curta temporada:
EVENTO: Circuito Cultural SESI - Teatro Guaíra
DATA: 28/10/2009 a 01/11/2009
HORÁRIO: Quarta à Sábado às 20h00 / Domingo às 19h00
LOCAL: Teatro José Maria Santos (Rua 13 de Maio, 655) Curitiba
INGRESSO: Valor: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia*)

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Sotto le Stelle - Carolina Bisacchi

Havia um tempo, em que ela trabalhava de noite. De madrugada. Fazia um daqueles trabalhos baratos e mal pagos. Do tipo em que se passa toda a jornada em pé, se deve sempre sorrir, servir e ser agradável. Afinal, o cliente tem que voltar! E além da longa jornada, que nunca terminava antes das três da madrugada (eu adoro essa palavra, porque só existe em português, em qualquer outro idioma eles falam "da noite"), ainda tinha o longo caminho de volta pra casa.
Quase 30 minutos, pedalando de bicicleta, numa via, quase rodovia. Escura, repleta de paisagens que mudavam e se misturavam: centro e cidade. De árvores que tocavam o céu, jardins, plantações, flores e latidos, que margeavam o caminho. Naquele tempo, quando reclamava, um amigo sempre dizia: - Você ainda vai sentir falta desta vereda, do sereno e deste horizonte sem fim. Mas ela na verdade não via a hora de aquele período acabar.
Hoje, sentada sozinha, no ônibus que pega na volta do trabalho pra casa, lembra com doçura daqueles momentos. Daquele céu, que não existe em lugar nenhum do mundo! Aquelas estrelas, que não só a acompanhavam, mas guiavam e iluminavam a sua volta pra casa e eram melhor companhia que qualquer MP3. Sem falar na Lua. Não importa a fase, era sempre enorme e plena de vida, de energia.
Tinha também o cheiro... das árvores, do ribeirinho que acompanhava o caminho, de diferentes tipos de folhas, flores. Do ar, que inexplicavelmente, era tocável. Era escuro, mas tinha uma claridade mágica, cândida. O silêncio, falava com ela, e no eco das batidas do seu coração, ela ouvia Deus. Sentia a grandiosidade daquela natureza perfeita, que já tinha sido tocada pelo homem, mas que na madrugada se tornava livre e selvagem.

O céu, o ar, a terra, pareciam tocar-se e transformar-se em uma única obra. E se ela pudesse voltar no tempo, ao invés de usar bicicleta, caminharia. E ainda, daria mais tempo, ao Criador e a si mesma, de desvendar a cada passo, o mundo “Sotto Le Stelle”.

Carolina Bisacchi

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Evoé, Negra! Axé e qué Díos te bendiga! Gabriela Sandes

Conheci a voz de Mercedes, pela primeira vez, na canção: "Soy pan, soy paz, soy más", de Piero José.
Era 1990 e eu fazia intercâmbio cultural na Alemanha(!). Imaginem a quantos quilômetros de distância da América Latina, finalmente, me encontrei com La Negra. Mas, após o encontro, entendi que não havia distância alguma: ela estava dentro de mim, sempre esteve.
Com a amiga venezuelana Elymir, também de passagem por aquele inverno abissal e ininteligível para duas meninas sulamericanas cheias de sonhos tropicais, cantei essa música inúmeras vezes, com a mesma paixão que a letra e a voz de Mercedes evocavam:
"Soy agua, playa, cielo, casa blanca / Soy mar Atlántico, viento de América
Soy un montón de cosas santas / Mezcladas con cosas humanas
Cómo te explico? Cosas mundanas..."
19 anos se passaram, muitas coisas mudaram, mas sigo tão santa, humana e, sobretudo, mundana, como da primeira vez que ouvi essa canção. Ely, mesmo em Caracas, está sempre ao meu lado (salve a tecnologia digital - uma das boas mudanças dessas quase 2 décadas!).

"Vamos, decime, contame
Todo lo que a vos te está pasando ahora
Por que si no, cuando esta tu alma sola, llora
Hay que sacarlo todo afuera
Como la primavera
Nadie quiere que adentro algo se muera
Habla mirándose a los ojos Saca lo que se puede afuera
Para que adentro nazcan cosas nuevas"

Mercedes reina absoluta, não somente na nossa memória, como também nas idéias e na forma de sentir o amor ao próximo, defender a justiça, a solidariedade e a dignidade no continente latino-americano. E, principamente, na nossa maneira intensa de adorar a vida. Ou, como diria La Negra, "honrar la vida". Mas essa é outra canção e outra história... Por enquanto, uma pequena lembrança dessa intérprete "extra-ordinária":



Evoé, Negra! Axé e qué Díos te bendiga!

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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Importante! Brasil 2020


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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Festival Internacional de Jornalismo de Ferrara

A terceira edição do Festival Internacional de Jornalismo de Ferrara, que aconteceu nos dias 2, 3 e 4 de outubro, teve abertura com o prêmio Anna Politkovskaja. O prêmio, que leva o nome da jornalista russa, assassinada em 2006 por razões políticas, foi criado para premiar jornalistas investigativos.
Politkovskaja foi assassinada em outubro de 2006, com vários tiros, no elevador do seu prédio em Moscou . No dia seguinte a sua morte, a polícia russa apreendeu um dossier (que ainda não tinha sido publicado) contendo toda a pesquisa realizada pela jornalista sobre as torturas que as forças de seguranças chechenas estavam praticando. Material altamente comprometedor para o Primeiro Ministro Ramzan Kadyrov e o sistema político checheno.

A primeira a receber o prêmio Ana Politkovskaja foi a jornalista mexicana Adela Navarro Bello, diretora do jornal semanal Zeta. Para a jornalista, a conquista deste prêmio foi de grande importância, segundo ela "este é um grande reconhecimento ao trabalho de uma jornalista que morreu por não esconder a verdade. Este momento significa um apoio internacional aos jornalistas investigativos, mostrando que eles não estão sozinhos". Adela Navarro Bello vive sob proteção, por ter recebido diversas ameaças do narcotráfico mexicano. Mais informações: http://festival.internazionale.it/

Jaciara Polese Rocha, Ferrara - Itália


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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Gracias a la vida, gracias Mercedes!!!

Calou-se a voz de Mercedes Sosa - ficam as lembranças de sua força e decisão num dos momentos mais difíceis de nossa "ditadurizada" América Latina e suas belíssimas interpretações que popularizaram poetas ilustres como Neruda. Tristeza, lamento e também força e resistência, era o que nos transmitia "naqueles tempos".

Quem de nós não cantarolava "volver a los 17, despuès de vivir un siglo / es como decifrar signos sin ser sabio competente / volver a ser de repente tan fragil como un segundo/ volver a sentir profundo como un niño frente a Dios /eso es lo que siento yo en este instante fecundo..." Gracias a la vida, gracias Mercedes!!!

Miriam Vizentini, Baden - Suíça


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sábado, 3 de outubro de 2009

Rio de Janeiro será a sede das Olimpíadas 2016

Lançado em julho, o filme para a candidatura do Rio de Janeiro como cidade-sede das Olimpíadas 2016 foi criado pela O2, com supervisão de Fernando Meirelles. Só o que consigo pensar é que, com essa fotografia e tratamento de imagem cinematográfico, quase qualquer cidade fica bonita.

(Carlos Merigo do site brainstorm9 )

Isso é talento publicitário! E o Lula ficará ainda mais na história, Copa do Mundo em 2014 e Olimpíadas em 2016. Parabéns pelo trabalho de governo que conquistou isso. E o próximo presidente entra com a batata quente na mão... Preparar o País para os dois maiores eventos mundiais. O Brasil será o foco no mundo! Agora a corrida contra o tempo começa travando uma batalha contra a criminalidade e espero que o povo seja o beneficiado!

(Thaís Aguiar da Revista Íntegra)


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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Um projeto interessante: Em Nápoles, turistas são orientados por ex-presidiários

A cidade de Nápoles, na Itália, lançou um projeto experimental chamado "Dentro-Fora", com a idéia de dar mais segurança e orientação aos turistas, que querem conhecer uma vizinhança não muito amigável.
O que o projeto traz de novo é que os guias turísticos são ex-presidiários. Eles prestam o serviço gratuito, onde gorjetas são desencorajadas pelo governo. Os novos guias adoraram a idéia e enxergam nesse tipo de trabalho uma alternativa para se reintegrar à sociedade e se afastar da tentação de voltar para o crime organizado. Numa reportagem, transmidida ontem pela SF1 (TV Suíça), um dos turistas é abordado e revela o desconhecimento do passado dos guias. Para o entrevistado a idéia é genial, e ele se sente, após saber disso, muito mais confiantes nos guias e nos trajetos que incluem os bairros mais perigosos da cidade.
Para os guias a felicidade está impressa em seus rostos e esperam que o projeto dê certo. Para eles reintegração precisa acontecer interiormente também e com isto a auto-confiança gera novos cidadãos!
Fonte: Revista Íntegra e Gerador de Conteúdo

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Prisão de Polanski divide opinião pública - Geraldo Hoffmann - SwissInfo

A prisão do diretor de cinema franco-polonês Roman Polanski continua em destaque no noticiário internacional e divide a opinião pública, inclusive o meio artístico.
O ministro suíço do Interior, Pascal Couchepin, também responsável pela área da cultura, diz que Polanski é um "excelente artista". A ministra da Justiça foi informada com antecedência sobre a planejada prisão do cineasta.
Desde a detenção de Polanski, no último sábado (26/9), em Zurique, a pedido dos EUA, mais de cem representantes do mundo artístico assinaram uma petição internacional em favor de sua libertação imediata e condenando sua prisão.
"Mídia, personalidades e até políticos de alto escalão pedem veementemente sua libertação. Um cenário impensável – se o homem não se chamasse Roman Polanski", comenta o jornal alemão Welt.de, em sua versão eletrônica.
Quem tem nome e peso na indústria cinematográfica defende Polanski, mas há também vozes dissonantes dessa tendência geral em Zurique, Paris, Nova York, Los Angeles ou Varsóvia, conforme constata o jornal Tagesanzeiger.ch.
"Tenho uma filha de 13 anos. E se ela sofresse violência, nada seria como antes, também não 30 anos depois", disse o diretor francês Luc Besson. "Existe apenas uma justiça e esta deveria ser a mesma para todos", completou Besson, conforme noticia o diário de Zurique.

Polônia, França e EUA

Segundo a emissora de televisão norte-americana ABC News, até mesmo na Polônia, onde Polanski é um herói, apenas 25% dos entrevistados em uma pesquisa de opinião pública disseram que...
ele não deveria ser processado.
Na França, onde também houve fortes críticas à prisão do cineasta, 70% dos entrevistados em uma sondagem do jornal Le Figaro defenderam um processo contra o diretor franco-polonês.
Segundo a correspondente da swissinfo.ch em Nova Iorque, ao contrário de várias estrelas de Hollywood, como Martin Scorsese, David Lynch ou Woody Allen, que assinaram uma petição internacional pela libertação de Polanski, de uma forma geral, o pedido de prisão causa menos indignação nos EUA do que na Europa.


"Excelente artista"


Segundo o diário suíço Le Matin, o cineasta franco-polonês encontra-se em uma "cela rudimentar, com uma mesa, uma cama, um armário, um lavabo, um banheiro e uma televisão, e recebe cinco francos por dia". O nome da prisão não foi revelado.
"Nós nos encontramos com ele em sua cela", disse o cônsul da Polônia em Berna, Marek Wieruszewski, ao diário de Lausanne. "Ele nos disse não faltava nada e que o tratavam bem, o que não significa que esteja feliz com a situação", acrescentou.
O ministro suíço do Interior, Pascal Couchepin, que também é responsável pela Secretaria Federal de Cultura, disse que defende plenamente o Estado de Direito. "Trata-se de uma questão de Direito e não de cortesia", disse em entrevista coletiva à imprensa, ao comentar o caso Polanski.
"Considero Polanski um excelente artista. Mas, como ministro da Cultura, defendo em primeira linha as tarefas do Estado", disse Couchepin, segundo informou a agência de notícias SDA.
Também o ministro dos Transportes e das Comunicações, Moritz Leuenberger, manifestou-se sobre o caso. "O fato de se tratar de um artista não justifica as atuais irritações. Pois em um Estado de Direito a lei é igual para todos - não importando tratar-se de banqueiros, trabalhadores ou artistas", disse durante uma conferência sobre Turismo em Lugano (sul do país).

Ministra estava informada

A ministra da Justiça, Eveline Widmer-Schlumpf, declarou que foi informada "excepcionalmente com antecedência", na última sexta-feira, pela Secretaria Federal de Justiça, sobre a planejada prisão, consumada no sábado.
"A Secretaria Federal fez uma exceção porque reconheceu que se tratava de um caso especial que desencadearia reações no nível político", disse Widmer-Schlumpf ao jornal Neue Zürcher Zeitung, na edição desta quarta-feira.
Segundo ela, independentemente disso, o processo policial-jurídico teve sequência. "Não há espaço para influência política em processos desse tipo uma vez que estejam em andamento", disse a ministra.
Ela defendeu repetidamente a ação das autoridades suíças. Segundo a ministra, a Suíça esperaria a mesma coisa das autoridades de qualquer país, se houvesse um mandado de prisão válido, como existe contra Roman Polanski, desde o final dos anos de 1970 na Califórnia, por abuso de uma menor de 13 anos.
Segundo o jornal New York Times, o influente advogado norte-americano Reid Weingarten, teria sido contratado para a equipe de defesa de Polanski nos EUA. Ele iria tentar barrar o pedido de extradição norte-americano antes que este chegue às autoridades suíças.

O crime

O crime pelo qual Polanski é acusado ocorreu em 1977. Aos 44 anos, o cineasta havia convidado uma jovem de 13 anos, Samantha Geimer, para uma sessão de fotos para a revista Vogue, na residência do ator Jack Nicholson, em Los Angeles. Segundo os autos, o diretor deu à menina champanhe e tranquilizantes, antes de pedir que tirasse suas roupas. Em uma piscina, os dois completaram o ato sexual. Posteriormente Geimer declarou que teve medo do cineasta e por isso se sujeitou ao seu assédio.O cineasta contestou, na época, a versão da menina, mas confessou ter tido relações sexuais com a menor de idade. Ele foi preso e liberado mediante pagamento de 2.500 dólares de fiança. Durante as investigações, Polanski foi detido novamente, dessa vez por 42 dias. Pouco depois, embarcou em um avião para Londres e depois para Paris, onde vive até hoje com sua esposa, a atriz Emannuelle Seigner. Ele nunca mais retornou aos EUA, nem para receber o Oscar em 2003 pelo filme "O Pianista". Polanski foi preso no último sábado (26/9), quando desembarcou no aeroporto de Zurique para ser homenageado por sua obra no Festival de Cinema local.



Geraldo Hoffmann, swissinfo.ch (com colaboração de Rita Emch) e agências

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