Sábado, 18 de Julho de 2009

Tributo dos anônimos a Michael Jackson

Está rolando na internet uma inusitada e criativa homenagem a Michael Jackson. O site http://www.eternalmoonwalk.com/ exibe uma infinita série de vídeos, enviados por pessoas de todos os cantos do mundo, onde elas aparecem em diferentes performances do famoso "moonwalk" que eternizou o cantor. Quem quiser pode fazer seu vídeo e participar do tributo. Os vídeos são interessantes, alguns criativos, alguns engraçados. Adultos, crianças, animais, brinquedos, em casa, na rua, no escritório, na praia, todos querendo deixar a sua homenagem, alguns talentosos na dança, outros nem tanto... A galera brasileira, é claro, marcou presença com vídeos de fãs de todo o país. O site segue somando a distância percorrida pelos fãs em seus vídeos (que seguem o primeiro vídeo original de MJ), é é muito provável que em breve todo o planeta seja percorrido neste eternal moonwalk.

Cristina Pereira (Lausanne, Suíça)

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Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

"Blog Ruído Bom": para quem gosta de música com qualidade

Quando uma música é boa, não importa a época em que ela foi lançada, porque o que tem qualidade é atemporal. Por isso, o blog Ruído Bom fala da música de hoje, sim, mas também fala da música de ontem, afinal é preciso conhecer o passado para entender o agora e o que vem por aí. As últimas notícias do mundo musical, os clássicos que fizeram história e muito mais você encontra no Ruído Bom, um blog para quem gosta de música com qualidade.>
Acesse: http://blogruidobom.blogspot.com e fique por dentro!">
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Questão de gosto? - Pedro Alexandre Sanches

Johnny Alf completou 80 anos em 19 de maio de 2009, poucos meses após o encerramento do festivo ano de comemoração dos 50 anos da bossa nova. Diferentemente do movimento que ele ajudou a pavimentar e que atravessou 2008 mimado em museus, pavilhões e ocas, Johnny passou seu aniversário num hotel-residência para idosos, em Santo André, no ABC paulista.

Johnny Alf é um artista brasileiro, carioca, negro, de origem suburbana, largamente reconhecido como iniciador e inspirador de versos e notas musicais que se tornariam mundialmente consagrados como "bossa nova". Ainda assim, parabéns a ele nesta data querida a comunidade cultural brasileira ofereceu com resistente parcimônia. Mesmo mestre inconteste (e em parte por temperamento próprio), tem se colocado historicamente à margem da bossa e de outras bossas.

Unha e carne daquele movimento foram os cariocas Tom Jobim & Vinicius de Moraes, como todo mundo sabe. Galã além (ou aquém) de gênio, Tom deslizou pela música e pela moda montado em fina estampa de garotão de Ipanema. Vinicius era ex-estudante em Oxford, ex-crítico cinematográfico, poeta consagrado e ex-diplomata em Los Angeles e Paris quando, já maduro, vestiu melodias em versos como tristeza não tem fim / felicidade, sim.

João Gilberto, 78 anos recém-completos (como será a fatídica efeméride de seu 80o aniversário?), é baiano interiorano, de Juazeiro. Mas nasceu filho de pais prósperos e dono futuro de uma batida de violão que o diferenciaria de todos os demais mortais. A partir de 1958, gravitariam em torno de sua aura dezenas de jovens músicos oriundos da brisa zona sul do Rio de Janeiro (e do sexo masculino, em maioria absoluta, mais uma Nara Leão aqui, outra ali).


Roberto Carlos, 50 anos de carreira musical nesta noite, tentou fazer bossa nova antes de virar Roberto Carlos. Vindo do interior do Espírito Santo, Cachoeiro de Itapemirim, principiou perseguindo as modas da hora, notadamente aquela orquestrada pela voz pequena de João Gilberto. Surgiu, é fato, titubeante e desorientado, mas, como todo mundo sabe, não é verdade que talento não possuísse. É pública e notória a historinha de que, ao tentar se intrometer nas rodas finas da bossa, foi congelado pelo desprezo de 11 em cada 10 daqueles jovens que orbitavam a lâmpada de João. Quem RC teria sido se a bossa não o tivesse desdenhado, jamais saberemos.
Assim como seus chapas Wilson Simonal, Erasmo Carlos, Jorge Ben e Tim Maia, Roberto morava no outro lado da cidade, zona norte, subúrbio. Para encontrar afluentes desobstruídos do rio chamado sucesso, precisaram, cada um à sua maneira, contornar a pontuda ilhota da bossa nova e inventar suas próprias engenhocas musicais, de preferência bem distantes da língua materna.

Não se está tentando dizer aqui que a bossa nova era (e é) um castelo elitizado ao sopé do terreiro depois batizado de MPB, música POPULAR brasileira. Era e é, e também isso todo mundo sabe. O que aqui se quer afirmar é que esse castelo (o da MPB como um todo) foi construído sobre a lógica violenta da luta de classes. [O mesmo eu poderia falar de minha própria profissão, o jornalismo, mas isso é outra conversa.]

Ou não seriam de origem social e tom da pele as mais gritantes diferenças entre Tom & João, de um lado, e Johnny Alf, do outro? Consta que Jobim chamava Johnny de "Genialf", mas isso nunca foi divulgado pelo autor de "Eu e a brisa", nem foi legitimado pela comunidade que, insinuava o próprio maestro soberano, tinha (tem?) vergonha de ser brasileira. E essa é uma história corriqueira, exemplos se amontoam.

Antes de se tornar política e eticamente condenável, Simonal se tornou musicalmente grosseiro, pilantra, artífice da "pilantragem", inverso simétrico (e negro) das sutilezas e dos maneirismos de outras bossas. Talvez tenha perdido a chance do perdão antes mesmo de - digamos em termos puritanos - pecar.

Para se tornar semiunanimidade, a suburbana gaúcha algo abrutalhada Elis Regina teve de passar por um longo e dolorido processo de... "depuração", "sofisticação". O preço foi provavelmente alto demais para uma indomável que se tentava domesticar.

Jorge Ben (Jor) faz a turma toda dançar até o sol raiar, mas alguém escuta a oficialidade bradar que Jorge é João, que Jorge é gênio, que Jorge é Jobim? Por que será que não?

No seio da música mais popular brasileira, aquela à que foi negado o título de nobreza (fajuta?) "MPB", a sutileza jamais foi reconhecida. Não faz diferença se é Waldick Soriano ou Odair José, o sujeito que venha de fora do eixo político-geográfico e não seja escolado está desde o berço condenado a não ter bossa, a não ser tropical(ista), a não saber fazer MPB. Sobre isso Paulo César de Araújo discorreu brilhantemente no libertário livro Eu não sou cachorro, não - Música popular cafona e ditadura militar (Record, 2002).

Chego finalmente à afirmação que mais gostaria de fazer. Somos (fomos?) uma coletividade que finge se importar (e se incomodar) com música baseada em critérios estritamente estéticos. É mentira. Do alto de nossos pedestais, costumamos discursar aos sete ventos contra a suposta "pobreza" musical de baladas românticas, boleros, modas sertanejas, raps e funks "americanizados", pagodes "mauricinhos" (mas quem são mesmo os mauricinhos, cara-pálida?).

É mentira. Apreciação estética está lá atrás em nossas listas de prioridades - não raro enchemos a boca para miar que não ouvimos e não gostamos deste ou daquele "cafona". Não, os regentes de nossos "gostos" e "sensibilidades" musicais são mesmo os nossos preconceitos - sobre cor da pele, status social, sexo, orientação sexual, escolaridade ou o que for. A estética, coitada, é o bode expiatório que paga todo o pato. Não fosse assim, Johnny Alf talvez morasse dentro do castelo da MPB. Mas aí Johnny Alf não seria Johnny Alf.
Pedro Alexandre Sanches para Revista Cult, maio 2009

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Curitiba: Cores, música e dança sobre o palco

Amarelo, azul, índigo, laranja, verde, vermelho e violeta. As sete cores primárias, além do branco e do preto, são as estrelas do espetáculo Caixa de Cores, do Balé Teatro Guaíra, que fica em cartaz de hoje até domingo, no Teatro José Maria Santos, em Curitiba. Montada em 2005, pelo coreógrafo Luiz Fer­nando Bongiovanni, a peça aborda a influência das cores na vida das pessoas. A atração combina elementos da Teoria das Cores, do físico inglês Isaac Newton, pitadas de humor e de música barroca do italiano Vivaldi a composições especialmente feitas por Mano Bap e Ricardo Iazzetta.
Para a diretora da companhia, Carla Reinecke, Caixa de Cores usa a música, o figurino e a expressão dos bailarinos para brincar com os sentimentos do público. “O espetáculo mexe com isso, com emoções e sensações. O amarelo e o vermelho, por exemplo, podem lembrar um dia de sol, de calor. Já o azul está relacionado com a calma e a serenidade. E isso se traduz na própria dança”, explica. Uma grande tela de pintura no meio do palco faz a platéia relacionar a dança das cores com a pintura. “É como se os bailarinos estivessem pintando um quadro”, conta. Com 19 bailarinos em cena, a montagem apresenta solos, duetos, trios e quintetos, cada segmento representando uma cor específica.

Meia-idade

Um dos mais importantes do país, o Balé Teatro Guaíra está prestes a completar 40 anos. Criado em 1969, a companhia é o segundo corpo estável mais antigo do Cen­tro Cultural Teatro Guaíra. Com montagens e turnês consagradas, recebeu importantes nomes do balé mundial. Atualmente, conta com 29 bailarinos e seis estagiários no grupo.
Para comemorar o aniversário, a companhia lançará, em setembro, um novo espetáculo. A Lenda das Cataratas do Iguaçu, do compositor Jaime Zenamon e do coreógrafo Rui Moreira, conta a história de Naipi e Tarobá, espécie de Romeu e Julieta dos índios paranaenses. No fim do ano, outro presente: o lançamento de um livro sobre a história do Balé Teatro Guaíra.
Mas, de acordo com a diretora, o investimento ainda não é o ideal. “Acho que falta mais apoio da iniciativa privada do Paraná. Existem algumas empresas que sempre nos apoiam, mas são mi­­noria. Poderia ter mais gente ajudando a mostrar quanta coisa boa temos aqui”, afirma Carla. Ela tam­­bém pede mais atenção do governo do estado.
“Entendemos que existem muitas outras prioridades, como a educação e a saúde, mas uma melhoria salarial e es­­trutural seria importante para de­­senvolvermos um trabalho ainda melhor.” “Esperamos continuar crescendo e dançando. Nosso trabalho faz parte da memória da sociedade e não pode se perder”, completa.

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Qual a chave para o orgasmo feminino? Marcelo Tas busca a resposta


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Sábado, 27 de Junho de 2009

"o rei do pop"

E lá se foi uma das figuras mais polêmicas do século XX - Michael Jackson, dito "o rei do pop". Desde sempre diferente em tudo: a tenra idade no início da carreira, sua voz sempre infantil, seu estilo, seus inusitados passos e movimentos de dança, suas esquisitices, seus escândalos, conseguindo sempre chamar a atenção do mundo inteiro, provocando sentimentos de amor e ódio - e histeria - planeta afora. Insatisfeito com sua própria aparência e história, resolvido a mudar sua vida, (talvez mesmo sem saber direito pra onde), foi pessoa de grandes ações e gestos, éticos e antiéticos, pessoa discutível, incrível mas inegavelmente criativo, surpreendente sempre ... os julgamentos, deixo para os críticos de plantão.Inesquecíveis ficarão seus vídeoclips, que causaram verdadeira revolução na forma de veicular músicas e de registrar cinematograficamente performances de cantores e instrumentistas - black and white foi para mim o mais marcante. Podem falar tudo que quiserem, criticá-lo, adorá-lo, execrá-lo, mas não poderão negar que, hoje, o mundo perdeu um grande artista.
Miriam Vizentini (Baden, Suíça)



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Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Ora, vá!

Moro em uma rua central. Fazia dias que o gari não aparecia para varrer a calçada. Cansada de esperar e enojada com aquela sujeira toda, decidi eu mesma varrer. Um conhecido passou e me falou que eu estava certa, pois estava exercendo o meu direito de cidadania!

Pouco depois um garoto parou e, me encarando, pediu uma moeda e eu o mandei à merda! Puxa, ele levou um susto muito grande, pois uma senhora idosa não deveria usar estas palavras. E, então continuei: Se você tivesse se oferecido para varrer, me ajudar, eu daria um bom café e mais uma moeda. Mas como você só quer uma moeda, então digo novamente, vá à merda!

Tempos depois, ao atravessar a rua (é, aqui no centro mesmo), percebi um homem caído na calçada. Preocupada, me aproximei, outras duas mulheres também chegaram, fizemos uma rodinha, uma delas entrou na farmácia, logo ali, para pedir ajuda. Um balconista se aproximou, conseguiu acordar o homem desmaiado, que sussurrou alguma coisa. O rapaz se afastou sem dizer nada. Pedi ajuda a um passante que também escutou os sussurros, e me falou que era FOME! Voltei nos passos, entrei no pequeno restaurante e pedi um prato de comida. Outra pessoa ajudou-o a sentar e, entregando o prato com a comida quente, me afastei em seguida, enquanto ele comia afobado.

Margarita Wasserman - escritora e membro do Instituto Histórico e Geográfico do PR.
Foto de Fabio Zanin

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Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Um spa exclusivo, Revista Piauí

Habitué que se preza não vai a Punta del Este, vai a Punta. Não visita amigos numa ilha em Angra dos Reis, mas em Angra. Dá uma relaxada no spa do Costão, jamais no Costão do Santinho. A intimidade dos famosos com refúgios badalados parece exigir tratamento no diminutivo - nomes por extenso são coisas de turismo de massa. Assim, quando a beldade venezuelana Dayana Mendoza, atual Miss Universo, desembarcou na baía de Guantánamo, em Cuba, logo tratou de chamar aquele enclave ensolarado do Caribe pela sua abreviatura pronunciável, Gitmo. O termo é uma corruptela da sigla militar (gtmo) que designa a base naval dos Estados Unidos fincada nas barbas da ilha comunista de Fidel Castro.
Dayana e Gitmo: parece terem sido feitos um para o outro. Pelo menos é o que se deduz dos posts com que a coroada de 22 anos brindou os leitores de seu blog:
Guantánamo, Cuba!!! Uáaau, minha profissão é fantástica!!!! Foi uma experiência incrível. Crystle [Crystle Stewart, a Miss Estados Unidos 2008] e eu chegamos na sexta-feira e logo fomos dar uma volta. Todos ali pareciam saber da nossa chegada. Como primeira atividade participamos de um almoço de boas-vindas. Em seguida, visitamos um dos bares da base militar. Batemos ótimos papos sobre a experiência de viver em Gitmo. [...]
Também tivemos direito a uma demonstração das incríveis habilidades dos cães militares. Todo o pessoal foi simplesmente bárbaro conosco. Visitamos os campos dos prisioneiros, vimos as celas, os locais dos banhos, os espaços de recreação, com salas de cinema, aulas de arte, livros. Tudo muito interessante. Os fuzileiros navais nos deram uma aula sobre a história do lugar, e pudemos ir até a linha divisória entre Gitmo e Cuba.

E a água de Guantánamo! Tããão incrível. Fomos até a Playa Cristal, onde aprendi que o nome vem de minúsculos cristais acumulados na areia ao longo de séculos. É lindo ver todas aquelas cores brilhando ao sol.

Por mim, eu não partiria jamais de Gitmo. Tudo tão relaxante, tão calmo, tão lindo! Que viagem memorável, deliciosa!

É uma lástima, senão uma brutalidade, que os responsáveis pela Organização Miss Universo tenham retirado do ar o diário de viagem encerrado em 27 de março passado. No seu lugar foi inserido um comunicado um tanto seco da presidente da entidade que, em 2009, organizará a 53ª edição do concurso: "Os comentários feitos por Dayana Mendoza em seu blog referiam-se à hospitalidade com que foi recebida pelos membros das Forças Armadas dos Estados Unidos e suas famílias aquarteladas em Guantánamo", informou Paula Shugart.

Isto é, Dayana não se referia ao campo de detenção ali instalado desde 2002, e que se tornou o foco irradiador da política de tortura autorizada pelo governo George W. Bush em sua guerra contra o terror. Nada que evocasse o devastador relatório de 41 páginas da Cruz Vermelha Internacional, tornado público no início de abril, e que aponta os abusos pelos quais Guantánamo passou a se notabilizar. A Miss Universo tampouco cruzou com os 240 prisioneiros que permanecem encarcerados em Gitmo. Não teve a oportunidade, portanto, de ser apresentada a dois dos estrategistas do 11 de Setembro, o saudita Abu Zubaydah, submetido a 83 sessões de simulação de afogamento, nem ao kuwaitiano Khalid Sheikh Mohammed, torturado 183 vezes só em março de 2003, segundo o mesmo relatório.

O convite para passar cinco dias de março em Guantánamo chegou a Dayana através da United Service Organization, uso, entidade criada durante a Segunda Guerra Mundial para prover apoio recreativo e moral às Forças Armadas americanas espalhadas mundo afora. Hoje, a missão de entretenimento à soldadesca faz parte da agenda politicamente correta de toda Miss Universo. No passado, foi Hollywood que aderiu em peso ao chamado cívico para cruzar meio mundo e injetar calor humano às tropas em guerra. Uma lista completa das mais de 208 mil (sim, 208 mil) visitas organizadas entre 1941 e 1945 inclui os nomes mais estelares do showbiz americano. De Marlene Dietrich a Bob Hope, de Judy Garland e Lauren Bacall a Fred Astaire, de Humphrey Bogart, Glenn Miller e Frank Sinatra - ninguém ousaria faltar. Na Guerra da Coréia dos anos 50 foi a vez de Marilyn Monroe, Debbie Reynolds, Errol Flynn, Jane Russell e Bob Hope (sempre ele) vestirem o uniforme. Mesmo durante um conflito que rachou a nação americana nos anos 60 e 70, como a Guerra do Vietnã, a uso conseguiu organizar mais de 5 mil apresentações de artistas. Pelas terras do sudeste asiático deram o ar de sua graça Sammy Davis Jr., Ann-Margret, John Wayne e, como não, Bob Hope.

Para a atual embrulhada militar erguida sobre os escombros do atentado às Torres Gêmeas, o escrete tem sido mais esquálido. Lance Armstrong, o herói das pedaladas, foi despachado para o Catar, Afeganistão e Quirguistão. No Kuwait, coube a Scarlett Johansson iluminar, com sua tez de pêssego e boca carnuda, os rostos da soldadesca aquartelada no deserto.

Mas é a passagem-relâmpago da venezuelana Dayana Mendoza por Guantánamo que consolidou a despedida daquela base como centro de detenção e de tortura. Barack Obama, ao assumir a Presidência em janeiro deste ano, decretou que em doze meses não haveria mais detentos na base militar. Os cinco dias de Dayana bastaram para revelar a vocação do local para "ilha da fantasia".

Infelizmente, por ter tido o seu blog cruelmente abortado, a Miss Universo não pôde se estender sobre tudo o que a cativou em Gitmo. Mas poderá transformar suas observações em livro, futuramente. Talvez assim:

A interação com os animais é realmente um dos pontos fortes dos resorts da cadeia Bush, Cheney & Rumsfeld. Quando a gente menos espera, surge um cachorro não se sabe de onde. Ouvi dizer que num dos spas mais exóticos, o de Abu Ghraib, eles chegam a brincar de corre-corre com hóspedes vip. Para tornar tudo ainda mais divertido, vez por outra os animadores põem vendas em alguns deles - quer dizer, nos hóspedes, não nos cachorros... - e aí é um susto só!

Agora, se você é desses que gostam de tirar foto de celebridades, esse lugar não é para você. Fiquei impactada com o grau de privacidade que esse resort oferece aos famosos. Durante meus cinco dias de relaxamento em Gitmo, as celebridades mega-ultra-vips recarregavam suas baterias num espaço completamente isolado. No máximo, a gente ouvia um ou outro grito do personal deles. Um luxo.

Boa parte dos hóspedes de Gitmo foi trazida de muito longe, em jatos fretados, cortesia da casa. A frequência, aliás, é das mais cosmopolitas que já encontrei - conheci gente de pelo menos 26 países! Sério: em que outro lugar você vai conhecer um rapaz do Iêmen, do Afeganistão e - olha só! - até do Djibuti?!! Sim, tem um país chamado Djibuti!

Para driblar a tensão das nossas agendas, ainda na semana passada, tive de prestigiar a abertura do pregão da Nasdaq, compareci à corrida de Fórmula 1 na Malásia, aprendi o que é Twitter e participei de dois desfiles em Miami - o serviço em Gitmo é all-inclusive, ou seja, já está tudo pago. Das refeições light (o lugar é divino para emagrecer) aos roupões chiquésimos, laranja-vivace, da grife Frette, nada falta. Agora que conheci, pretendo voltar sempre. Ouvi dizer que eles têm um curso bárbaro de apnéia! Tábua-de-água, ou algo assim! Quero fazer, pra pode mergulhar no Djibuti!
Dorrit Harazim para Revista Piauí - maio 2009


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Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Ser Jovem na França - Mostra da Caixa em SP

Fotógrafos franceses retratam os jovens de seu país em exposição na Sé.

A CAIXA Cultural promove a exposição Ser Jovem na França, de 20 de junho a 26 de junho. A mostra reúne obras dos consagrados fotógrafos Martin Parr, Marie-Paule Nègre e Marc Riboud que retratam a maneira de viver da juventude francesa atual. A exposição, parte do calendário do Ano da França no Brasil, já foi exposta no Rio de Janeiro e, após a temporada em São Paulo, segue para Brasília.
Com curadoria do fotógrafo brasileiro Milton Guran, a exposição apresenta 109 obras de 28 fotógrafos que fazem parte do acervo do Fundo Nacional de Arte Contemporânea da França. Originalmente chamado de "Le Plus Bel Âge", este conjunto de obras tive origem em uma das maiores encomendas públicas do gênero, sob a coordenação de Agnès de Gouvion Saint-Cyr, do Ministério da Cultura francês.
Ser Jovem na França - De 20 de junho a 26 de julho
CAIXA Cultural - Praça da Sé, 111 Terça a domingo, das 9h às 21h
Informações pelo telefone 11/ 3321-4400 ou pelo site da CAIXA
Entrada franca

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Blogs fazem pessoas escreverem mais e pior, diz Saramago

O escritor português José Saramago, que está prestes a publicar um livro com os artigos que escreveu em seu blog, diz acreditar que com o crescimento desse tipo de espaço na internet "está se escrevendo mais, embora pior". "A prática do blog levou muitas pessoas que antes pouco ou nada escreviam a escrever. Pena que muitas delas pensem que não vale a pena se preocupar com a qualidade do que se escreve", disse Saramago em entrevista publicada hoje pelo jornal argentino "Clarín".
"Cuido de um post como de um romance", afirma o escritor português José Saramago
O escritor português reuniu os artigos publicados durante os seis primeiros meses de sua atividade como blogueiro em "Caderno de Saramago", um livro vetado na Itália por Silvio Berlusconi e que reflete o espírito crítico de seu autor.

"Pessoalmente cuido tanto do texto de um blog como de uma página de romance", disse o Nobel português, de 86 anos e que apresentará o livro em um encontro com blogueiros aberto a internautas de todo o mundo, no próximo dia 25, em Lisboa.
Quanto a seu blog (http://caderno.josesaramago.org/), o escritor disse que não destina ao espaço "nenhuma ideia em particular", para depois expressar que "os sismógrafos não escolhem os terremotos, reagem aos que vão ocorrendo, e o blog é isso, um sismógrafo".
"Aqueles que me leem sabem que podem encontrar-se a cada dia diante de algo totalmente inesperado", reforçou Saramago, que respondeu às perguntas do diário argentino por e-mail da Espanha, onde mora.
O autor de "O Evangelho segundo Jesus Cristo" também sustentou que não teve de lidar com a situação de criar textos que tivesse medo de publicar, e avaliou que "se o blog é um espaço para a reflexão, não deve surpreender que ilumine aquele que o escreve".
da Efe, em Buenos Aires para Folha de são Paulo


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O melhor Latte Machiatto de Zurique

Ai machiatto, eu vejo uma eterna promessa de felicidade em ti! Tua espuma com cara de chantilly me faz lembrar as gulosises da infância. O leite quentinho aconchega e quando se encontra com aquela faixa escurinha de café prova que a miscigenação é beleza pura.
Você pode achar que eu estou viajando, mas tenho certeza que muitas mulheres concordam comigo. Aliás, é comprovado que a maioria das mulheres toma Latte Machiatto quando vai a um café.

Em busca do perfeito pingado, o jornal Tagesanzeiger contratou dois baristas conceituados de Zurique: Kurt Bauer e Armin Luginbühl. Eles tiveram a árdua tarefa de degustar Latte Machiattos em seis cafés diferentes no centro da cidade e classificá-los.
A reportagem é do dia 27 de maio de 2009. A classificação foi a seguinte:


Schwarzenbach, Münstergasse 17, 5.40 francos, 87 pontos
Belcafé, Bellevue, 5.70 francos, 77 pontos
La Stanza, Bleicherweg10, 5 francos, 76 pontos
Sprüngli, Pareplatz, 7.00 francos, 69 pontos
Infinito, Sihlstrasse 20, 5.80 francos, 51 pontos
Schober, Napfgasse 4, 6.80 francos, 49 pontos

Além da temperatura, sabor e qualidade do café foram avaliados o serviço do local e a aparência da bebida.
Bom, eu conheço a maioria dos locais acima e concordo com o que li na reportagem. Nela é dito, por exemplo, que o machiatto do Infinito tem muito leite e que o da Sprüngli também, mas é coisa linda. No Schober eu nunca provei, pois quando vou lá é para exagerar nos doces e não no café: peço espresso com adoçante ao lado de uma imensa torta de chocolate. Ridículo, não? Mas qual mulher nunca fez isso? Os especialistas dissseram que o machiatto lá deixa um gosto de pelica na boca.

Adoro o ambiente do Schwarzenbach, com sua cara e cheiro de espresso, sofisticadíssimo.
E por essa razao acabo ficando no cafezinho quando passo por ali. Acredito que o machiatto deles deve ser muito bom, mas acho um pecado misturar qualquer coisa no café naquele lugar totalmente especializado em grãos de café. Evito até o açúcar.

A reportagem não citou o Starbucks, pioneiro e especialista em misturar café com todos tipos de leite, cremes e sabores. Apesar do copo ser imenso, o machiatto deles é uma delícia e você pode criar o seu "drink" do jeito que quiser. Fora isso, meu Chris, que também entende de café, continua defendendo "o pingado chique" da rede americana como o melhor do gênero: pela qualidade do café, temperatura do leite e a consistência da espuma.

Então, alguém aceita um cafezinho? Ou melhor, um cafezão...


Magda Hammer (Zurique, Suíça)


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Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

.apenas o fim. Em junho nos cinemas brasileiros



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Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

Okuribito, Departures

Assisti esta semana Okuribito (Departures), filme japonês ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro deste ano, e não poderia deixar de recomendá-lo na Íntegra. Na história, o violoncelista Daigo Kobayashi, que perde seu emprego numa orquesta sinfônica de Tóquio, resolve desistir da vida de músico e voltar com a mulher para sua terra natal no interior do Japão. Na cidade, encontra no jornal o anúncio de um emprego muito bem pago, entitulado "Departures". Pensando em se tratar de uma agência de viagens, Kobayashi se candidata à vaga. Para seu espanto, na entrevista ele descobre que a agência NK é na verdade uma agência funerária que necessita de um "Nokanshi" ou "encoffiner", profissional do cerimonial japonês que prepara os mortos para o funeral, partida ("departure") e entrada na próxima vida. O filme gira em torno da morte e do elaborado ritual japonês de preparação, limpeza e apresentação de cadáveres que envolve alta precisão, delicadez, graça e máximo respeito pelos mortos e suas famílias.

Colocando em palavras a idéia parece muito estranha, quase macabra, é preciso assistir para entender a poesia, emoção e beleza deste filme. Comovente, sem ser apelativo ou piegas. Profundo, sensível e humano, nos leva a uma viajem sem precedentes à cultura japonesa. Para mim o grande mérito de Okuribito é a simplicidade. Não há nada de grandioso ali, a fotografia não é monumental, nada da beleza colorida dos filmes asiáticos, a música não é originalissima, Beethoven e Bach nas suas mais tradicionais sinfonias. Mas no todo o filme funciona, exatamente como uma perfeita sinfonia. Prova de que não é preciso recursos milionários, grandes produções ou alta tecnologia para se construir uma grande obra cinematográfica.

Imperdível! Sua forma de pensar sobre a morte não será mais a mesma!

Cristina Pereira (Zurique, Suíça)

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A bela obra de Rodrigo Leão, Thaís Aguiar

É um enorme prazer apresentar Rodrigo Leão na revista íntegra. Conheci o trabalho deste músico há muito tempo, quando ele ainda fazia parte e era um dos principais compositores do belíssimo Madredeus, o grupo musical português de maior projeção mundial. Depois, em carreira solo, me deparei inúmeras vezes com seus álbuns na Rádio Educativa em Curitiba, na edição do programa "Cantos de Portugal" que apresentava pérolas deste país. Confesso que depois disso não tive mais muita intimidade com sua obra, apesar de referenciar sempre seu nome à música de qualidade.
Quando se fala em música portuguesa lembramos de poucos nomes como o de Mariza, Dulce Pontes, Amália Rodrigues, algumas referências folclóricas. E temos o especialíssimo Madredeus, que com a voz de Teresa Salgueiro, nos apresentou um país diferenciado dos clichês que todo país carrega. Portugal então nos pareceu no campo das artes rico, produtivo, refinado e com uma profundidade que fez com que, no fim da década de 80, passássemos a nos orgulhar dessas origens em nosso miscigenado país. Até o cultuado diretor Wim Wenders se rendeu as suas artes e produziu o filme "Lisbon Story", onde eterniza o grupo Madredeus num costumeiro encontro de músicos no bairro da Alfama.
Em 1985, Rodrigo, Pedro Ayres Magalhães e Gabriel Gomes criaram o Madredeus. Em 1994, Rodrigo deixou o grupo para dar sequência a carreira solo que já dava bons frutos. Desde esta data, segundo a mídia especializada, a obra de Rodrigo tem surpreendido a cada lançamento. Em 2004, por exemplo, lançou o álbum "Cinema", considerado pela conceituada revista Billboard um dos melhores discos do ano. Neste trabalho participaram Beth Gibbons (conhecida como vocalista da banda Portishead) e Ryuichi Sakamoto (figura de destaque na área, muito também por trilhas sonoras de importantes filmes).
Rodrigo Leão é um artista que vale conhecer e se render as suas sensíveis e ricas composições que estimulam o nosso imaginário!


rodrigo leão - voltar
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Sábado, 6 de Junho de 2009

"Para além de livros, planos e provas", Miriam Vizentini

Sinceramente, diz aí: o que você pensa de um professor ? Qual é o papel que ele deve desempenhar em sala de aula? Fora dela? E o que você espera da escola? Qual o real valor dessas “entidades”? Não, não estou pedindo as imagens idealizadas, as “expectativas de um mundo melhor nas mãos da escola” e sim as vivências, a experiência real.
Vamos lá, não é difícil, não ! Deixe aflorar suas certezas e dúvidas, mágoas, agradecimentos, frustrações, saudades, boas recordações, traumas...
Como professora, ultimamente, tenho feito essa pergunta a mim mesma também - e agora convido você a pensar ... vamos lá !
(... tempo para pensar na sua história ...)
Agora, acrescente à sua reflexão a seguinte situação: este professor tem em sua sala de aula, nos subúrbios de uma grande cidade, alunos provenientes de diferentes classes sociais.
Coloque mais um elemento, por favor: esses jovens têm origens diversas, culturalmente falando – idioma, costumes, valores, religião, crenças - além de suas diferentes expectativas em relação à escola, incluindo medos, dúvidas, indiferença, raiva, desinteresse, descrença ...
Ah sim, tudo isso na ebulição da adolescência, com seus questionamentos sobre tudo, sua indisciplina, seus problemas de aprendizagem ...
Depois dessa reflexão, assista ao filme: La classe – entre les murs (The class / Entre os muros da escola - Palma de Ouro no Festival de Cannes 2008). Digo depois de refletir porque, assim, o efeito será bem mais interessante.
Não se trata exatamente de um documentário, mas também não deixa de sê-lo parcialmente, uma vez que os atores representam a si mesmos, neste trabalho do diretor francês Laurent Cantet, baseado no livro “semiautobiográfico” do professor François Bégaudeau – que além de representar François Marin, o professor, colabora no roteiro ao lado de Cantent e de Robin Campillo.
O professor da tela aparece bem intencionado, mas completamente perdido. Seu bem-estruturado programa a ser cumprido, seus pressupostos educacionais arraigados, suas expectativas quanto a seu papel vão caindo por terra e assistimos a um desmoronar de mitos. O que para ele é diálogo aberto, para os alunos cheira a obrigação. Ele oscila, sem limites, entre o ser compreensivo e autoritário. As informações, o conhecimento por ele considerado como “essencial” é algo quase hermético ao entendimento dos jovens - ironicamente estão numa classe de língua e literatura francesa, onde o idioma está longe de ser o elemento facilitador da comunicação, mas passa a ser o ponto de discórdia e distanciamento, entre os dois lados de um verdadeiro front.
E seguimos as reuniões de professores perplexos diante de situações incômodas e problemas com seus alunos, as discussões sem encontrar saídas para os problemas apresentados, seus conflitos e frustrações, sua escancarada condição de humanidade (caem quaisquer possíveis posições de “endeusamento”). Seguem-se também alguns acontecimentos envolvendo pais quase inatingíveis, enfim, tudo o que se pode observar, em maior ou menor intensidade, nas escolas do nosso mundo “globalizado”, a mesma problemática, esteja a classe na periferia de Paris, Zurique, Nova York, Roma, ou no eixo Rio-São Paulo.
Saímos do cinema com a certeza de que a escola, nos moldes como está estruturada, de certa forma agoniza, despe-se de suas certezas.
E é aí que reside o melhor do filme – e o diferencia de filmes já realizados envolvendo este mesmo tema (“professor x classe difícil”): na tomada de consciência da dificuldade de lidar com todas essas diferenças dentro da escola. Fica clara a atual incapacidade de professores - e pais - de gerenciar tantas variáveis. Nitidamente vê-se que é preciso reformular o que se acredita ser o trabalho educacional, os regulamentos, a organização, os pressupostos teóricos, enfim repensar a escola para a nova realidade – e fazê-la ir além dos livros, programas e provas.
O desafio de trabalhar com crianças e jovens em classes ditas multiculturais e de periferia é imenso. Tenho acompanhado de perto a batalha diária de vários bem-intencionados professores suíços de Zurique, na busca de levar suas turmas a se harmonizar aos moldes vigentes e percebo como muitas vezes sentem-se desorientados. Tenta-se aliviar algumas tensões ao buscar os professores de língua e cultura materna como mediadores culturais, para explicar aos alunos as regras da escola e o que se espera deles, para esclarecer as possíveis diferenças de ensino e nomenclatura (por exemplo, na matemática), orientar os pais que não dominam o idioma a entender as expectativas da escola quanto ao papel dos pais e vice-versa, procurando dar um pouco mais de segurança nos primeiros meses de escola a aluno, professor e pais. Despende-se muita energia para algum resultado, muitas vezes, não se evita a frustração de todos – mas já é um começo.

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"Migração Feminina na Suíça", Cristina Pereira

Pesquisa do Instituto de Geografia da Universidade de Berna analisa e discute a temática da imigração feminina na Suíça. Nas últimas décadas a Suíça tem registrado um grande aumento no número de imigrantes mulheres, particularmente de países de fora da comunidade Européia. Este não é um fenômeno restrito à Suíça ou a países da Comunidade Européia, mas uma tendência observada mundialmente. Hoje em dia as mulheres constituem a maior parte dos imigrantes que entram na Suíça.
Infelizmente, a opinião pública e política sobre estas mulheres é ainda bastante negativa. Elas são vistas como não educadas, indivíduos para os quais a migração é o único meio de melhorar sua condição de vida e de sua famílias, como vítimas de exploração e pobremente integradas.
O projeto de pesquisa liderado por Dra. Yvonne Riaño e Prof. Doris Wastl-Walter e financiado pelo Swiss National Foundation através de um NFP 51 (Nationales Forschungsprogramm-Integration und Ausschluss) com orçamento de mais de 300.000 francos, busca chamar a atenção para a inadequação destas generalizações e das políticas de imigração que elas geram. O estudo quer trazer à tona a idéia que imigrantes mulheres são diversas em termos dos seus países de origem, nível educacional, seu padrão de vida no país de origem, religião, background rural ou urbano, razões para e experiências com a migração e os direitos que apresentam na Suíça de acordo com seu status de residência e nacionalidade.

Um dos focos principais do estudo são os processos de migração, integração e exclusão social de imigrantes qualificadas, raramente consideradas em estudos sociais anteriores, que geralmente dão mais atenção às imigrantes não qualificadas, oriundas de condições econômicas e sociais precárias. A pesquisa inclui mulheres Latino-Americanas e do Oriente Médio, de religião Cristã e Muçulmana, consideradas qualificadas (com educação secundária completa) e altamente qualificadas (com educação superior completa).
Os resultados mostram que, ainda que estas mulheres tenham nível educacional muito bom, freqüentemente com experiência profissional anterior à migração, e que dominem a nova língua, somente uma minoria é capaz de obter emprego de acordo com as suas qualificações na Suíça.

Um terço das imigrantes qualificadas não se encontram integradas no mercado de trabalho a outra metade tem status de trabalho precário, ou porque trabalham em posições abaixo do seu nível de qualificação ou porque tem empregos instáveis e sem perspectivas de longo prazo. Portanto, o estudo conclui que para muitas imigrantes qualificadas a migração não resulta em uma melhoria, mas ao contrário numa perda de status de classe. A situação se apresenta como um paradoxo: enquanto os países de origem perdem recursos humanos valiosos com a saída destas mulheres, a Suíça falha em fornecer um framework adequado para o desenvolvimento deste novo capital social, cultural e econômico.
Outro resultado interessante do estudo revela que as imigrantes não aceitam passivamente as condições desfavoráveis que encontram na Suíça. Elas mobilizam seus recursos pessoais para facilitar seu acesso ou para melhorar suas chances de participar do mercado de trabalho. As estratégias e respostas ao desafio na participação no mercado de trabalho incluem requalificação, tomada de empregos abaixo do seu nível de qualificação, criação de novos networks e realização de trabalho voluntário não remunerado em organizações sociais e políticas.

Participar de atividades voluntárias é de grande importância para a mulher imigrante. Por um lado é um meio de realizar uma atividade além do papel de dona de casa imposto pela sociedade. Por outro, as atividades voluntárias são um meio de usar suas qualificações profissionais assim como às vezes funcionam como um degrau para o trabalho profissional remunerado.
Mulheres qualificadas tem o desenvolvimento profissional como um de seus principais objetivos e de importância central para a sua identidade pessoal. Imigrar para a Suíça, entretanto, implica para muitas delas um confronto com novas regras, normas e valores quanto ao papel dos sexos e ao valor do trabalho da mulher.
Ter filhos e confrontar as novas normas considerando a maternidade causa conflitos pessoais e compele muitas mulheres a transformar-se, adaptar-se ou lutar para manter seu nível de atividade profissional pré-imigração.
O estudo aponta para conceitos discriminatórios embebidos tanto nas leis de imigração na Suíça, quanto na mentalidade dos empregadores. Em particular a subvalorização das qualificações pessoas e educacionais das imigrantes não-Européias, e atitudes patriarcais da sociedade quanto ao seu papel na criação dos filhos. Estes fatores combinam-se para produzir oportunidades desiguais de acesso ao mercado de trabalho. Imigrantes qualificadas não enfrentam apenas barreiras em aplicar seus recursos educacionais na sociedade Suíça, mas também são confrontadas com a desvalorização de seu trabalho e experiência, perda de confiança e de autonomia.
As pesquisadoras concluem que se a Suíça quiser se beneficiar do capital social e cultural que as imigrantes qualificadas trazem ao país, é necessário reconhecer que a qualificação não é uma garantia automática para a integração sócio-econômica, sendo necessário o desenvolvimento de programas que suportem a transferência e a re-acreditação deste capital. Estes programas têm que necessariamente levar em consideração fatores específicos como sexo e etnia que dificultam o acesso de imigrantes qualificadas ao mercado de trabalho.
Para saber mais sobre este trabalho interessantíssimo, e que muito nos diz respeito, visite o site das pesquisadoras na Universidade de Berna:
http://www.giub.unibe.ch/sg/immigrantwomen
ou leia o artigo : Understanding the Labour Market Participation of Skilled Immigrant Women in Switzerland: The Interplay of Class, Ethnicity and Gender. Journal of International Migration and Integration, vol 8, 2, pp 163-183 - que pode ser acessado em pdf através do site:
http://www.springerlink.com/content/y42r088803q1g0hu/
Cristina Pereira (Zurique, Suíça)

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Ciao Itália, Andréa Cocchiarale

Moro perto da Itália (3 horas de carro, 45 minutos de avião), mas, até a semana passada, eu só havia visitado uma cidade italiana: Milão.
Neste ano, aproveitei o feriadão da semana santa para conhecer um pouco mais deste país adorado pelos brasileiros. Meu destino foi Perúgia, capital da Úmbria, localizada na região central da Itália, fronteira com a Toscana (capital Florença) a oeste, Marche (capital Ancona) a leste e Lácio (capital Roma) ao Sul.
Antes de embarcar, pesquisei um pouco sobre a cidade e a região e descobri que estava prestes a entrar em uma máquina do tempo, uma vez que os primeiros dados sobre a cidade datam de 310 a.C.
Perúgia foi uma das cidades pertencentes à Etrúria, região formada por doze cidades civilizadas que tiveram grande influência sobre os romanos. Os Etruscos (nome dado aos habitantes que se instalaram nesta região entre os anos 1200 e 700 a.C.) podem ter sido originários da Ásia Menor assim como da própria Itália e sua língua utilizava um alfabeto similar ao grego.
A cidade até hoje conserva uma grande quantidade de antiguidades, dentre as quais suas muralhas medievais, portas de proteção, sepulturas, inscrições etruscas e latinas. O mais interessante foi andar em uma cidade subterrânea sem janelas e quase nenhuma iluminação natural. Fiquei imaginando como deve ter sido viver em um grande buraco debaixo da terra com somente algumas portas de acesso ao mundo exterior... Impressionante!
A cidade também se destaca por suas duas universidades: a Universidade de Perúgia (Università degli Studi di Perúgia), fundada no século XIV, e a Universidade para estrangeiros (Università per Stranieri di Perúgia), fundada em 1921, com o objetivo de promover a região da Úmbria — bem como sua história e cultura — para o mundo.
Agroturismo em Perúgia:
Muito popular na Itália, o agroturismo é uma modalidade de turismo rural oferecido por agricultores. Estes oferecem serviços de hospitalidade para habitantes de centros urbanos e ao mesmo tempo promovem e valorizam a cultura local. Grande parte dos pequenos hotéis, pousadas e apartamentos de temporada são construídos em propriedade privada e administrados pelas famílias dos agricultores. Esta é uma excelente opção de acomodação, uma vez que é possível visitar cidades como Assisi (25 km), Florença (151 km) e até mesmo Roma (183 km) e ao mesmo tempo desfrutar da vida no campo.

Onde fazer agroturismo?
Azienda Agricola Olivum: Poggio Pelliccione 5, I-06134 Perúgia
Apartamentos mobiliados de temporada com dois quartos, sala, cozinha e banheiro equipado para deficientes físicos.
Preço: Baixa temporada (1 Janeiro – 30 Junho e 1 Setembro – 31 Dezembro): 440 Euros por semana
Alta temporada (1 Junho – 31 Agosto): 490 Euros por semana
Atrações: Produção de vinho tinto Cabernet Sauvignon e azeite de oliva Extra Vergine.
Detalhes: Visite o site: http://www.prolivum.com/englishIndex.htm (inglês, italiano e alemão)

Assisi (Assis)
Quem está em Perúgia não pode ir embora sem visitar Assisi. Esta cidade é famosa por ter sido o local de nascimento de São Francisco de Assis (Francesco Bernadone), que fundou ali a Ordem dos Franciscanos e de Santa Clara de Assis (Chiara d'Offreducci). A cidade medieval é encantadora com suas casas de pedra, igrejas, chafariz, cafés, lojas de souvenir além de ser considerada Patrimônio Mundial pela UNESCO. A Basílica de São Francisco de Assis é a atração principal dos turistas de todas as partes do mundo. Ela é composta pelo mosteiro franciscano, assim como a basílica inferior e superior de São Francisco. O túmulo de São Francisco, também localizado na parte inferior da Basílica, é aberto para visitas.
Em setembro de 1997, um terremoto atingiu Assisi e danificou a basílica (uma parte to teto caiu). Ela permaneceu fechada por dois anos para restauração. Além da Basílica de São Francisco, a cidade possui outras atrações turísticas como a Basílica de Santa Chiara, Chiesa Nuova, Basílica de Santa Maria degli Angeli, Eremo delle carceri e Castelo Rocca Maggiore.
Montefalco
Estava à procura de uma experiência de enogastronomia (a combinação de vinhos e alimentos), muito popular na região da Úmbria, quando descobri a cidadezinha de Montefalco. Com um pouco mais de cinco mil e seiscentos habitantes, esta cidade medieval é um charme. Suas estreitas ruas de pedra dispõem de uma grande variedades de bares e restaurantes que oferecem degustações de vinhos acompanhadas de queijo, frios e brusqueta. Eu nunca havia feito este tipo de degustaçâo de vinhos e fiquei muito satisfeita com todo o processo, desde a escolha do local, tipos de vinho, até a hora do pagamento pelo serviços oferecidos.
Perúgia
Região: Úmbria Altitide: 490 metros acima do nível do mar População: aproximadamente 150 mil habitantes
Clima: A temperatura média no verão é de 20 graus e no inverno 5 graus.
Como chegar de avião: o aeroporto de Perúgia oferece vôos domésticos de/para Milão, Roma, Palermo, Olbia, Lamezia e Terme, assim como vôos internacionais de/para Stansted (Essex, Inglaterra), Girona (Espanha), Tirana (Albânia) e Bucareste (Romênia).
Eventos locais:
- Festival Internacional de Jazz: De 10 a 19/07/2009 - http://www.umbriajazz.com/
- Eurochocolate: uma feira internacional de chocolate que acontece anualmente em Perúgia. Em 2009, a feira acontecerá entre 15 e 25 de outubro - http://www.eurochocolate.com/it/Per%C3%BAgia2009/home.html
- Festival Internacional de Jornalismo, geralmente acontece anualmente no mês de abril - http://www.festivaldelgiornalismo.com/
- Festa de Ciência (Perugia Science Fest): a sétima edição da festa da ciência em Perúgia acontecerá de 7 a 17 de maio de 2009 - http://www.Perúgiasciencefest.eu/
Andréa Cocchiarale (Zurique, Suíça)
Matéria publicada na revista Panorama do Turismo.
Leia mais matérias sobre viagens no blog "viagens na íntegra"

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Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

Albert von Keller na Kunsthaus - Um retrato feminino do início do século XX.


O suíço Albert von Keller pintou senhoras, mães, Femmes Fatales, bruxas, deusas da mitologia e idolatrava tanto a figura feminina que a pintou até crucificada, no lugar de Jesus Cristo.
O ambiente é o da Belle Époque: suas musas aparecem envolvidas em tecidos caros, nuas, ou em vestidos luxuosos - sentadas num divã ou dançando em imensos salões.
Mas a principal característica de Von Keller é tentar mostrar a alma dessas mulheres em suas pinturas. Elas parecem estar em transe, sonhando, hipnotizadas e hipnotizantes. Assim, seus quadros eram mais impressões psicológicas do que retratos fiéis.

A exposição “Albert von Keller: Salons, Séancen, Secession“ está na Kunsthaus até o dia 04/10/2009, às quartas-feira a entrada é franca, nos outros dias a entrada custa Fr 14.-.


Kunsthaus Zürich, Heimplatz 1
De sábado a terça 10–18 Uhr
De quarta a domingo 10–20 Uhr


http://www.kunsthaus.ch/
Magda Hammer (Zurique, Suíça)

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Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

“As pessoas não precisam estar mais bem-vestidas. Precisam ser melhores”

Estranho ouvir isso de um estilista? Pois a moda, para Jum Nakao, nada mais é do que uma “ferramenta de descoberta”. Ele não aposta em tendências e padrões, mas em um novo formato de mercado: “A gente precisa reconectar as pessoas à essência humana”. Desde que deixou a passarela mais importante do País, em 2004, decidiu dedicar a carreira ao resgate de valores. Ministra cursos no sertão, desenvolve objetos sustentáveis com comunidades na Amazônia. O que mais dói, conta, é perceber todo o potencial de recursos e saberes do País que fica “confinado ao silêncio”.

Leia a seguir trechos da entrevista de Jum Nakao, realizada e publicada pela revista Almanaque Brasil de Cultura Popular - edição de maio/09.

Você deixou de acreditar na concepção dos grandes desfiles?
Eu continuo acreditando na importância da moda, mas tenho que pensar em novos processos. Estou sempre com alunos, em oficinas e palestras, porque preciso formar pessoas. Não para o mercado. Preciso formar pessoas capazes de criar novos formatos de mercado. Se os processos não mudam, os hábitos continuam os mesmos.

Diante da crise mundial, a moda deve se transformar?
Acho até curioso que uma crise como a que a gente vive esteja acontecendo, fazendo as pessoas pensarem nos seus conceitos, na sua cultura de consumo. Do que a gente precisa? Acho que esse primeiro quarto de século vai ser todo dominado por uma discussão sobre sustentabilidade, sobre novas éticas. Chegou um ponto em que é necessário reformular valores. Não há como imaginar que do jeito que está podemos continuar.
<É preciso repensar os parâmetros de consumo?>
O que mostra como uma comunidade vive é o consumo. Eu acho um absurdo que para a sociedade continuar existindo as pessoas tenham que consumir carros, por exemplo. Para suprir a necessidade atual do planeta inteiro, dentro dos hábitos atuais de consumo, precisamos de dois planetas. Se isso não mudar, é impossível falar em futuro. Uma outra questão é a própria hierarquia de valores. O valor do material é muito maior do que o valor do conhecimento. O de uma celebridade, muito maior que o de um pensador. A sociedade perdeu seus parâmetros. E não adianta as pessoas só falarem em “ecologicamente correto”, em “consciência de sustentabilidade”. Elas precisam comprar a ideia. Consumir não é ruim, é um ato político. Se você vai comprar um produto, tem que avaliar se ele está sendo produzido num sistema com o qual você concorda ou não. Desde que entrei no projeto Floresta Móbile, o que mais acho importante é que os produtos vendam. Senão a comunidade que acreditou no projeto como alternativa de sobrevivência vai voltar a queimar.

Como funciona o Floresta Móbile?

É um projeto grande, desenvolvido no mundo todo. Eu trabalho com uma comunidade carvoeira na Amazônia. Produzimos móveis com resíduos de madeiras que seriam queimados. Na contramão da antiga Revolução Industrial, partimos para a “revolução humana”. Resgatamos o valor de como é feito, não do que é feito. Se um saber está sendo aplicado, a natureza ganha fôlego para o reflorestamento. Queimando, se acaba com algo como um Estado de São Paulo por dia. Colaborar, dar vida, animar – no sentido de dar alma a coisas inertes – exigem um tempo diferente do da destruição. Jogar uma bomba é rápido, reconstruir demora. A proposta é que essas comunidades se dediquem a construir, não a destruir. Se esses projetos não derem certo, elas vão voltar a destruir. Por isso é muito importante que a sociedade compre a ideia, e não somente no plano filosófico.

Você tem andado muito pelo Brasil. O que tem visto?
O País é muito rico de recursos e saberes. Se você for para qualquer lugar do País, vai encontrar um Brasil diferente. Mas você sabe que é a sua casa. E as pessoas te reconhecerão como brasileiro também. Isso você não vai sentir em nenhum outro lugar do mundo. Essa questão da hospitalidade – ainda que não seja restrita aos brasileiros – mostra como entre nós existe, sim, uma comunhão. Entretanto, há uma cultura muito viva, mas que está sendo sufocada. Não precisa ir longe. No interior de seu Estado você pode descobrir coisas de que nunca ouviu falar. A verdade é que a gente só olha para o que está sendo vendido. Há um potencial muito grande de saberes que fica confinado ao silêncio. Se não há demanda por estes saberes, as pessoas que os detêm simplesmente partem para outras atividades que possam garantir o sustento. Se a sociedade só quer carvão, estas pessoas vão fazer queimadas. Ou vão morrer de fome.

Leia na Integra a entrevista no Almanaque Brasil de Cultura Popular


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Sábado, 30 de Maio de 2009

"Sobre Frankenstein ou o Moderno Prometeu", Magda Hammer

A figura grotesca do monstro da obra literária Frankenstein, que ficou mais conhecida pelo cinema, existe no nosso subconsciente e representa tudo o que não é aceito pela sociedade ou se opõe aos padrões estéticos dela.

A maioria das pessoas pensa que Frankenstein é “a criatura”. Na verdade, Frankenstein é o cientista que produz “o monstro”. A criatura, como o próprio Frankenstein nomeava sua invenção, não recebeu nome, pois foi rejeitada já em seu nascimento.

Esqueçam os filmes ou as peças teatrais. Leiam o livro, pois ele é genial e impossível de ser traduzido por qualquer outra forma de expressão. O monstro é muito maior, mais feio e mais malvado nele.

Confesso que eu nunca o teria lido se minha cunhada não tivesse aparecido em casa com o livro. Eu não gosto de literatura de terror (quem anda numa fase meio “dark” é minha filha Zoé, de 7 anos, mas daqui a pouco passa, ah passa!), porém Sabine falou tão bem do livro, e ele estava ali na minha frente, com aquela cara sinistra de, literalmente, Frankenstein, que não pude recusar.

E adoro quando atrás de uma estória vou descobrindo outras. Não é curioso que esse romance gótico-psicológico tenha sido escrito por uma mulher de 20 anos?
Foram mistérios que fui desvendando.

O tema pai e mãe são marcantes no livro. A autora Mary Shelley era filha de intelectuais que queriam mudar o mundo. Sua mãe morre no parto. O monstro do livro “nasce” sem mãe. Coincidência? Sua relação com o pai foi muito intensa e assim a figura do pai em Frankenstein aparece várias vezes e de maneiras diferentes: O pai do monstro no romance, o cientista Frankenstein, rejeita o filho. Um outro pai da estória é muito duro, outro totalmente compreensivo e um terceiro o mais passivo dos passivos, tudo em excesso.

Mary Shelley era amiga do Lord Byron, o que nos leva a crer que era, no mínimo, um pouco punk. Ou romântica com um certo gosto pela morte, como se dizia na época.

O que fazer quando em meio ao verão suíço só chove? Queridinhos, aprendam com Mary, lápis e papel na mão. Talvez resulte em obra genial como Frankenstein. Ou vocês não sabiam que ele foi inspirado na Suíça?
No verão de 1816, Mary e seu marido passaram um bom tempo no castelo do Lord Byron em Genebra. Choveu muito naquele verão (que novidade!!!). Então, presos em casa pela chuva e ainda com a vista sombria e fria do pântano que ficava às margens do castelo, eles aproveitavam para se reunir à noite em volta da fogueira e contarem estórias de fantasmas, vampiros, bruxas e maldições. Numa dessas noites, Byron propôs que cada um deles criassem a sua própria estória de fantasmas, e a única que conseguiu foi Mary. Mas ela foi muito além do proposto, criou um mito da literatura inglesa e modificou os romances góticos, criando o romance gótico-psicológico. O romance gótico abordava estórias de horror e mistério e o cenário era sombrio, geralmente em castelos, os personagens eram amaldiçoados. O romance psicológico preferia indagar e analisar os motivos íntimos das decisões e indecisões humanas.

Por que Prometeu no título? Ai, adoro os gregos: Prometeu (em grego, premeditação) é na mitologia grega um titã. A Prometeu e seu irmão Epimeteu, foi dada a tarefa de criar os homens e os animais. Epimeteu atribuiu a cada animal seus dons variados, coragem, força, rapidez, sagacidade. Asas a um, garras a outro, uma carapaça protegendo um terceiro, etc. Porém, quando chegou a vez do homem, que deveria ser superior a todos os animais, Epimeteu gastara todos os recursos (hehehe). Assim, recorre a seu irmão Prometeu que roubou o fogo dos Deuses para assegurar a superioridade dos homens sobre os outros animais. Como castigo a Prometeu, Zeus ordenou a Hefesto acorrentá-lo ao cume do monte Cáucaso, onde todos os dias um abutre ia dilacerar o seu fígado que, por ser Prometeu imortal, regenerava-se.

Então, Prometeu representa a vontade humana por conhecimento, sua captura do fogo é a audácia humana pela busca de conhecimento e de compartilhá-lo. Goethe descreveu Prometeu em um poema como um homem extraordinário, que se nega a venerar deuses ou estar sob submissão de alguém. Com esse poema de Goethe, Prometeu ficou conhecido como uma importante figura no Romantismo.

E assim, Mary Shelley cercada por seus amigos românticos e tragédias familiares, criou Victor Frankenstein, o Prometeu moderno, um homem à frente de seu tempo, que se interessa pelos processos que trazem à vida ao homem e num certo momento consegue construir a criatura. Mas quando aquela coisa imensa e horrível começa a se mexer, Frankenstein já se arrepende. É uma estória de abandono, repulsa e falta de responsabilidade. O monstro é rejeitado por seu pai e por todos que cruzam seu caminho, e cobra de Frankenstein essa falta de carinho. Vinga-se, exige uma fêmea de sua espécie e começa a controlar e guiar a vida de Victor. Victor nega-se a criar outro ser igual àquela criatura e vai morrendo de tristeza e angústia - essa é a ironia do livro, o cientista só foi pensar nas conseqüências muito depois de finalizar sua experiência. E paga muito caro por isso.

Pra quem já leu Rousseau é impossível não perceber a presença da teoria do bom selvagem em Frankenstein. Essa teoria afirmava ser o homem bom por natureza, a sociedade era quem o corrompia. O monstro afirma em uma parte do livro que nasceu bom, mas por não ter recebido carinho e atenção virou mau. Li também que o monstro representava o povo na revolução francesa. O povo maltratado, que derruba o poder através da violência.

Interessante que a criatura é descrita como grande, feia, e desproporcional. Por que seria tão grande se foi feita com restos de gente normal? Essa grandeza é, na verdade, o terror psicológico que a criatura representa: Frankenstein criou essa “coisa” e depois perdeu o controle sobre sua criação. Isso é o assustador, estar preso às vontades de uma força superior que você mesmo criou.

Escrevi um texto monstro, mas como era sobre Frankenstein não teve jeito! Livro monstro = análise monstra! E muitos outros fantasmas e mistérios do livro eu poderia citar. Mas acho que vale a pena você descobri-los por si mesmo.

Então, quem vai ler?


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Cinema - Madeinusa

Minha indicação de uma boa companhia para vocês é o filme Madeinusa, produção peruana, realizado pela diretora Claudia Llosa. Com fotografia linda, cheia de cores e com forte impacto de produção artística, o filme conta também com excelente direção e roteiro. Rodado em 2005, a história acontece em um “pueblo” perdido de “la cordillera blanca“ do Peru.

A partir de um ritual e das crenças, é contada a historia da adolescente Madeinusa, interpretada pela atriz Magaly Solier, uma menina de quatorze anos composta com as cores vermelho e verde. Através dos seus desejos e da sua vida cotidiana, entramos no mundo da comunidade que se prepara para a Sexta-feira Santa. Nesta festa, acredita-se que a partir da tarde de sexta-feira, até a tarde de domingo da ressurreição, todos podem fazer o que bem entenderam porque Cristo está morto. Isto é, nada é pecado porque ele não vê, não escuta e não julga. O filme foi premiado no festival de Rotherdam, e considerado o melhor filme do festival de Málaga, na Espanha, além de ter recebido muitas outras premiações.

Um filme que vale a pena ver, escutar e sentir! Recomendadíssimo!
Boa sessão!

Jaciara Polese (Londres, Inglaterra)



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Projetos para conhecer!

Conheça o projeto "Playing for change"


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"O violinista no metrô", Martha Medeiros

Aconteceu em janeiro.
O jornal Washington Post convidou um dos maiores violinistas do mundo, Joshua Bell, para tocar numa estação de metrô da capital americana a fim de testar a reação dos transeuntes. Desafio aceito, lá foi Bell de jeans e camiseta às oito da manhã, o horário mais movimentado da estação, para tocar no seu Stradivarius de 1713 (avaliado em mais de US$ 3 milhões) melodias de Bach e Schubert.
Passaram por ele 1.097 pessoas. Sete pararam alguns minutos para ouvi-lo. 27 largaram algumas moedas. E uma única mulher o reconheceu, porque havia estado em um de seus concertos, cujo valor médio do ingresso é US$ 100. Todos os outros usuários do metrô estavam com pressa demais para perceber que ali, a dois metros de distância, tocava um instrumentista clássico respeitado internacionalmente. Não me surpreende. Vasos da dinastia Ching, de valor incalculável, seriam considerados quinquilharias se misturados a quaisquer outros numa feira de artesanato ao ar livre. Uma jóia correria risco de ser ignorada se fosse exposta numa lojinha de bijuterias, e ninguém pagaria mais de R$ 40 por uma escultura do mestre Aleijadinho que estivesse misturada a anjos de gesso vendidos em beira de estrada. Desinformados, raramente conseguimos destacar o raro do medíocre.
Esta história do violinista demonstra que não estamos preparados para a beleza pura: é preciso um mínimo de conhecimento para valorizá-la. E demonstra também que temos sido treinados para gostar do que todo mundo conhece. Se uma atriz é muito comentada, se uma peça é muito badalada, se uma música é muito tocada no rádio, estabelece-se que elas são um sucesso e ninguém questiona. São consumidas mais pela insistência do que pela competência, enquanto que competentes sem holofotes passam despercebidos.
Gostaria muito de ter circulado pela estação de metrô em que tocava Joshua Bell.Não por admirá-lo: pra ser franca, nunca ouvi falar deste cara. O que eu queria era testar minha capacidade de encantamento sem estímulo prévio. Se ainda consigo destacar o raro sem que ninguém o anuncie. Tenho a impressão de que eu pararia para escutá-lo, mas talvez eu esteja sendo otimista. Vai ver eu também passaria apressada, sem me dar conta do tamanho do meu atraso.
Martha Medeiros, do livro "Doidas e Santas", L&PM 2009.

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Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

Jovanotti e a música italiana

Passeando pela música italiana, vira e mexe me vejo buscando Jovanotti (Lorenzo), pela atualidade das letras de suas canções, sua ironia sutil e sua performance tranqüila, sem excessos (tão comuns entre os latinos...). Destaque para a canção "Fango" do CD "Safari", de 2008. Este disco marcou o retorno discográfico de Jovanotti, após 3 anos do álbum "Buon sangue", que ganhou 5 discos de platina. O Clip abaixo foi rodado nas Cataratas do Iguaçu. Vale conferir !

Miriam Vizentini (Baden, Suíça)





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Carioca bom de brilho

Bem no coração do centro financeiro do planeta. Wall Street, Nova York. É onde fica o escritório de Murilo dos Santos, 28 anos. Ele não tem secretária, não anda de terno e gravata e seus principais instrumentos de trabalho não são laptops ou telefones celulares, mas latas de graxa, escovinhas e flanelas.
Nascido no subúrbio carioca, Murilo se sustenta com a mesma profissão de centenas de imigrantes brasileiros: engraxate. Mas o que faz dele especial, além da habilidade em lustrar os sapatos de Ilustres negociadores do dinheiro do mundo, é sua capacidade de ouvir os clientes e transformar o que escuta em boas histórias.
Foi com esses atributos que despertou o interesse do editor da revista Vanity Fair. Inspirado pela lábia de Murilo, o norte-americano Doug Stumpf escreveu o best-seller Confessions of a Wall Street Shoeshine Boy (Confissões de um Engraxate de Wall Street, em tradução livre). Ainda inédito no Brasil, o livro já vendeu mais de 30 mil exemplares e foi traduzido para russo, chinês e coreano.
Diante da repercussão, a Warner Bros comprou os direitos da obra e encarregou o roteirista Charles Leavitt, de Diamantes de Sangue, de fazer a adaptação para as grandes telas. “É um livro bem real”, diz Murilo. “Muitos clientes se reconhecem nos personagens e me perguntam se são eles.” Com o que recebeu pelos direitos do livro, diz que não pode ainda abandonar a profissão. Mas pretende aproveitar o dinheiro do fi lme para cursar a faculdade de Hotelaria.

Laura Huzak Andreato para Almanaque Brasil de Cultura Popular

SAIBA MAIS: Confessions of a Wall Street Shoeshine Boy, de Doug Stumpf (HarperCollins, 2007).

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Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

Grutas no Paraná serão (podem ser) as primeiras a sumir

A gruta do Rocha é uma candidata improvável a polo turístico. Para chegar até sua entrada estreita, o visitante precisa fazer uma caminhada dura de uma hora e meia na mata atlântica, numa porção isolada do vale do Ribeira, na divisa entre São Paulo e Paraná. Em boa parte dela é preciso ficar agachado e tomar cuidado para não bater a cabeça. Enquanto os visitantes se preocupam em não se molhar demais na água que cobre o solo, morcegos dão rasantes nos intrusos.
Essa caverna "meio sem graça" em Cerro Azul (PR) se tornou um cavalo de batalha de um dos mais recentes conflitos ambientais do Brasil. Juntamente com sua vizinha, a gruta da Mina da Rocha, ela era o maior obstáculo para a CBA (Companhia Brasileira de Alumínio), do grupo Votorantim, construir a hidrelétrica Tijuco Alto.
Ambas ficam na área que deve ser alagada para criar o reservatório da usina, e motivaram boa parte do lobby que levou o governo federal a mudar a legislação que protegia as cavernas brasileiras.
Até o ano passado, todas elas eram consideradas patrimônio cultural brasileiro. Porém, o decreto 6.640, de novembro de 2008, acabou com esse status. Agora, só cavernas consideradas de máxima relevância precisam ser preservadas.
As demais (de alta, média e baixa relevância) podem ser destruídas, após estudos e obtenção de licença, para a realização de empreendimentos.
O relatório de impacto ambiental da CBA diz que as duas cavernas na área de Tijuco Alto são pequenas e pouco expressivas. Entretanto, na gruta do Rocha foram encontradas 40 espécies de animais que só vivem em cavernas.
Segundo a SBE, como a empresa comprou as terras na região, há cerca de 20 anos espeleólogos isentos não têm acesso às grutas para avaliar se elas são ou não insignificantes.
Última tentativa
Só quem pode frear a construção da usina agora é o Supremo Tribunal Federal, caso considere o decreto das cavernas inconstitucional - a Procuradoria Geral da República argumenta que os critérios de uso de cavernas só podem ser fixados por lei, e não por decreto.
Para Raul do Valle, do ISA (Instituto Socioambiental), é um absurdo mudar a lei "por causa de dois ou três empreendimentos".
O Ibram, no entanto, acredita que a decisão demorará mais de dois anos para ser tomada. Até lá, a obra de Tijuco Alto pode estar em andamento e os morcegos não mais assustarão os raros visitantes na gruta do Rocha.
Repórter Afra Balazina para Folha de São Paulo - maio/2009

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Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

World Press Photo 09

A World Press Photo é uma organização independente e sem fim lucrativos fundada em 1955 em Amsterdã. Seu principal objetivo é apoiar e promover o fotojornalismo. Além disso, World Press Photo criou o mais importante concurso da modallidade nos últimos 50 anos.

A premiação é dividida em diversas categorias (natureza, cotidiano, notícias gerais, etc), sendo que a mais importante é a “Foto do Ano”. Neste ano de 2009, concorreram ao prêmio 96.268 trabalhos de 124 países diferentes.
O prêmio máximo dessa Edição ficou com o americano Anthony Suau com seu trabalho „A economia americana em crise“ publicada pela revista Time. Na imagem, um policial revista uma casa, onde uma família acabava de ser despejada, para se certificar que o imóvel estava realmente vazio.

Alguns fotógrafos brasileiros foram premiados este ano. Luiz Vasconcelos venceu a categoria Notícias Gerais. A foto premiada foi publicada originalmente no jornal A Crítica, de Manaus, e mostra uma mulher indígena enfrentando um batalhão de policiais em uma disputa por terras. Os outros brasileiros premiados foram André Vieira (da Focus Photo und Presse Agentur) que conquistou o terceiro lugar na categoria Arte e Entretenimento, e Eraldo Peres (Agência Associated Press) que recebeu Menção Honrosa na categoria Cotidiano.

Pela terceira vez as fotos vencedoras do concurso serão expostas na Suíça, de 8 a 31 de maio de 2009. Mergulhe no mundo das imagens visitando a World Press Photo 2009.

Papiersaal, Sihlcity, Kalanderplatz 6, 8045 Zürich

De segunda a sexta: 12:00 até 20:00 horas

Sabados e domingos: 12:00 até 20:00 horas

Entrada: Sfr. 9.-

Magda Hammer (Zurique, Suíça)


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Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

Moradores protestam para salvar cinema comprado por Igreja Universal em Londres

Cerca de 600 pessoas realizaram no sábado uma vigília à luz de velas para protestar contra planos da Igreja Universal do Reino de Deus de transformar um cinema histórico do leste de Londres em um templo.
O prédio do EMD Cinema, inaugurado em 1887 como um salão de baile no bairro de Walthamstow, foi fechado em 2003, quando foi comprado pela igreja do bispo Edir Macedo.
Na época os planos para a conversão foram rejeitados pela administração regional de Waltham Forest. Mas agora, segundo a McGuffin Film Society, que lidera o movimento pela preservação do cinema, a Igreja Universal estaria novamente negociando a abertura do templo.
"A Igreja Universal contratou a empresa de marketing Remarkable Group para conseguir emplacar seus planos", diz a McGuffin em seu site. "Esta empresa é conhecida por ter clientes de peso, como a British Airways, a BMW e a GlaxoSmithKline."
Hitchcock e Beatles
Terry Wheeler, membro do gabinete de empreendimento e investimento de Waltham Forest, disse à BBC que o pedido da Igreja Universal junto à administração regional será analisado como "de costume", inclusive com uma consulta pública.
A ONG quer que a administração regional ofereça à Igreja Universal outro prédio desocupado, ao lado do cinema, e que este seja adquirido por empresários que queiram reabrir suas salas de projeção.
O EMD Cinema é conhecido em Londres por ter sido frequentado pelo cineasta Alfred Hitchcock quando criança, além de ter sido palco de shows dos Beatles, dos Rolling Stones e do The Who.
Durante a vigília, da qual participaram moradores de Walthamstow e atores britânicos, os manifestantes usaram máscaras com o rosto de Hitchcock e projetaram sua imagem na fachada do cinema.
A BBC não conseguiu entrar em contato com representantes da Igreja Universal para comentar sobre o assunto.
Publicado pela BBC Brasil em abril -2009

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Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

Travelling through the Eye of History, Exposição de Daniel Schwartz

Daniel Schwartz é um dos mais importantes representantes do foto-jornalismo na Suíça. Nascido em Soloturno, estudou fotografia em Zurique e trabalhou vários anos para a revista cultural Du.
Sua avó era do Vietnã, o que despertou seu interesse pela Ásia. Há quinze anos viaja pelo continente e faz trabalhos sobre ele.
Foi o primeiro europeu a atravessar a Muralha da China por completo e ficou famoso por sua reportagem "The Great Wall of China".
As fotos da exposição "Travelling through the Eye of History" na Helmhaus é a continuação dessa obra e mostra um mosaico ornamental de imagens e textos sobre cidades arcaicas, desertos, regiões abatidas pela guerra e a luta de seus habitantes pela sobrevivência.
Helmhaus Zürich, Limmatquai 31. Tram 4/15 até "Helmhaus"

Magda Hammer (Zurique, Suíça)

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Quarta-feira, 6 de Maio de 2009

Uma sem-teto brasileira na Suíça

Como contraste ao luxo do último post, publiquei hoje uma pequena reportagem que fiz com uma simpática jovem brasileira, ex-moradora de rua e atualmente coordenadora do Movimento dos Sem Teto do Centro (MSTC). Acho que vale a pena falar sobre o tema.
Ivaneti de Araújo havia sido convidada pela ONG Anistia Internacional para falar a um público europeu sobre um problema crescente e muito grave no Brasil: o déficit habitacional e o número crescente de desabrigados vivendo nas ruas das grandes capitais do país. Suas palavras emocionaram muitas pessoas, assim como as imagens tiradas por fotógrafos de alguns prédios ocupados em São Paulo.
Por coincidência, assisti há algumas semanas um fantástico documentário no canal de TV franco-alemão ARTE sobre uma biblioteca que havia sido criada na ocupação da Prestes Maia por um catador de papel. Os livros eram encontrados por ele no lixo. Os usuários eram os ocupantes, pessoas de todas as idades que viviam em condições subumanas em mais um desses “balança-mas-não-cai” da maior metrópole do país.
Pessoalmente também acho crítico qualquer espécie de confisco da propriedade privada, porém a Ivaneti de Araújo abriu meus olhos para uma verdade: os prédios e casa abandonados (o que aconteceu com o Castelinho no Rio de Janeiro?) ganham vida com a ocupação. Ao invés de ratos, pombos e desocupados, esses espaços passam a ter famílias inteiras, com muitas crianças. Corredores escuros viram playground. Cozinhas abandonadas passam a ser salão comunitário. E um quarto vazio, passa a ter histórias.
Aqui na Europa já visitei várias casas ocupadas. A mais impressionante surgiu em Berlim nos anos 90, a de um antigo shopping center tomado por anarquistas e artistas. O resultado: um dos centros culturais mais produtivos já surgidos na capital alemã. Na época fiz uma reportagem para o Jornal do Brasil. Em Berna, um antigo estábulo abandonado foi “confiscado” nos anos 80 por jovens esquerdistas. Hoje a Reitschule tem teatro, cinema, restaurante ecológico e até espaço para concertos. Cheguei a ver o grupo alemão Kraftwerk por lá. Será que poderíamos ter o mesmo no Brasil?
Foto: Prédio ocupado no bairro da Luz, São Paulo. Flickr/Oco Sapiens
Alexander Thoele para Swissinfo
Conheça mais sobre o trabalho do jornalista Alexander Thoele

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