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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Martha Graham

Estou com o forte pressentimento que 2011 é o ano das artes na minha vida e mais especificamente, da dança. Tenho lido e me interessado por ballets, danças modernas, expressões corporais de distintas culturas. Toda semana me dá uma vontade de fazer algo com o meu corpo, utilizá-lo, sacudí-lo, balançá-lo, retorcê-lo, ir ao seu limite.
Noto que nessa nossa era informática, onde passamos o dia todo na frente do computador trabalhando, nos comunicando com o mundo digitalmente e adquirindo informação, pouco mexemos o nosso corpo. Parece até que já atrofiamos uns músculos. Comecei a querer fazer dança afro, a me diverter com essa tal zumba, a frequentar novamente o tango, a ir ao teatro ver performances, a ler sobre o tema…
Eis que abro ontem, 11 de maio, o google e me deparo com uma animação tão bonita e singela, lembrando-me da data do nascimento de Martha Graham, a bailarina e coreógrafa norte-americana de dança moderna, cuja influência no mundo da dança é inquestionável. Nem lembrava mais dela…
Comecei a procurar mais informação sobre a sua vida na internet, ver os seus videos e entrevistas no You Tube… Que delicadeza, quanta expressão, fazer do corpo a sua maior obra-prima…Infelizmente não dava para sair dançando no trabalho às sete da manhã, a tentar expressar a minha alma através do meu corpo, coisa que Martha fez tão bem na sua carreira. Arrisquei uns pulinhos no meu caminho à máquina de café, mas fiquei por aí, com o corpo o dia todo quieto, acomodado na cadeira, em frente ao computador. Foi a minha cabeça que dançava o dia todo, inspirada por Martha Graham.

Cecília Zugaib - Zurique, Suíça






terça-feira, 13 de outubro de 2009

E você... O que fez para salvar o mundo hoje?

Você acordou, escovou os dentes com a sua super pasta branqueadora, bebeu e comeu de uma forma light, e vai trabalhar com a sensação de dever cumprido.
Paga impostos, e estes devem estar indo para o lugar certo: sensação de tranquilidade sem gordura trans.

Quando começamos a pensar em “Solução para todos os problemas do mundo”, estávamos cientes de que se tratava de uma incógnita para não ser resolvida, que seria como um grande vômito do que havíamos consumido sem precisar. Consumimos muito mais do que precisamos, e estamos longe de solucionarmos os nossos problemas básicos, pois estamos envolvidos demais com problemas periféricos a nossa real necessidade; refletimos sobre a violência no país sob a visão de algum jornalista, compramos opiniões fáceis para, enfim, sermos vulneráveis à oferta da sandália modelo verão.

Se este texto tivesse trilha sonora, ela seria cantada por Gal Costa: "Você diz a verdade e a verdade é seu dom de iludir". Se nós o transportamos a uma realidade paralela, nós temos o dom de iludir. Refletimos o quanto é fácil vender verdades e o quão difícil é encontrar uma (será que ela existe?). Para salvar o mundo, você primeiro tem que salvar o seu. Criar sua ilusão. Descobrir a sua verdade.
FICHA TÉCNICA
Concepção: Stéphany Mattanó.
Pesquisadores: Cândida Monte, Neto Machado, Stéphany Mattanó.
Iluminação: Fábia Regina.
Produção: SELO - gestão e produção cultural.
FAIXA ETÁRIA: Livre
Duração do espetáculo: 40 minutos

Depois de passar por Portugal, França e pelos principais festivais do Brasil, o espetáculo Solução para todos os problemas do mundo volta a Curitiba para uma curta temporada:
EVENTO: Circuito Cultural SESI - Teatro Guaíra
DATA: 28/10/2009 a 01/11/2009
HORÁRIO: Quarta à Sábado às 20h00 / Domingo às 19h00
LOCAL: Teatro José Maria Santos (Rua 13 de Maio, 655) Curitiba
INGRESSO: Valor: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia*)

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Curitiba: Cores, música e dança sobre o palco

Amarelo, azul, índigo, laranja, verde, vermelho e violeta. As sete cores primárias, além do branco e do preto, são as estrelas do espetáculo Caixa de Cores, do Balé Teatro Guaíra, que fica em cartaz de hoje até domingo, no Teatro José Maria Santos, em Curitiba. Montada em 2005, pelo coreógrafo Luiz Fer­nando Bongiovanni, a peça aborda a influência das cores na vida das pessoas. A atração combina elementos da Teoria das Cores, do físico inglês Isaac Newton, pitadas de humor e de música barroca do italiano Vivaldi a composições especialmente feitas por Mano Bap e Ricardo Iazzetta.
Para a diretora da companhia, Carla Reinecke, Caixa de Cores usa a música, o figurino e a expressão dos bailarinos para brincar com os sentimentos do público. “O espetáculo mexe com isso, com emoções e sensações. O amarelo e o vermelho, por exemplo, podem lembrar um dia de sol, de calor. Já o azul está relacionado com a calma e a serenidade. E isso se traduz na própria dança”, explica. Uma grande tela de pintura no meio do palco faz a platéia relacionar a dança das cores com a pintura. “É como se os bailarinos estivessem pintando um quadro”, conta. Com 19 bailarinos em cena, a montagem apresenta solos, duetos, trios e quintetos, cada segmento representando uma cor específica.

Meia-idade

Um dos mais importantes do país, o Balé Teatro Guaíra está prestes a completar 40 anos. Criado em 1969, a companhia é o segundo corpo estável mais antigo do Cen­tro Cultural Teatro Guaíra. Com montagens e turnês consagradas, recebeu importantes nomes do balé mundial. Atualmente, conta com 29 bailarinos e seis estagiários no grupo.
Para comemorar o aniversário, a companhia lançará, em setembro, um novo espetáculo. A Lenda das Cataratas do Iguaçu, do compositor Jaime Zenamon e do coreógrafo Rui Moreira, conta a história de Naipi e Tarobá, espécie de Romeu e Julieta dos índios paranaenses. No fim do ano, outro presente: o lançamento de um livro sobre a história do Balé Teatro Guaíra.
Mas, de acordo com a diretora, o investimento ainda não é o ideal. “Acho que falta mais apoio da iniciativa privada do Paraná. Existem algumas empresas que sempre nos apoiam, mas são mi­­noria. Poderia ter mais gente ajudando a mostrar quanta coisa boa temos aqui”, afirma Carla. Ela tam­­bém pede mais atenção do governo do estado.
“Entendemos que existem muitas outras prioridades, como a educação e a saúde, mas uma melhoria salarial e es­­trutural seria importante para de­­senvolvermos um trabalho ainda melhor.” “Esperamos continuar crescendo e dançando. Nosso trabalho faz parte da memória da sociedade e não pode se perder”, completa.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Flamenco


Meu lado cigano é bem sapeca, ele precisa ser vivido. Maridão sabe disso, e como não é bobo, me deu de presente de aniversário um curso de Flamenco. Ai que fofo! Inscreveu-me num curso com uma professora maravilhosa: Alicia Vargas.

Alicia Vargas foi criada na Índia. Aos 15 anos já era cantora do grupo Morenos e mais tarde se especializaria em canto e dança flamenca. Estudou dança em Sevilha e em Madri e aperfeiçoou seus conhecimentos em Flamenco passando várias temporadas na Andaluzia.

Participou de 1974 a 1985 de diferentes turnês com o grupo ARTE FLAMENCO e mais tarde, com o seu CUADRO FLAMENCO, junto com a dançarina Ursula Jimenez no VENTANA FLAMENCA.
Em 1978 ela abre a escola em Zurique, tornando-se pioneira da arte Flamenca na Suíça. A primeira sala era um porão de 17 m2. As pessoas passavam pelas ruas, ouviam a música e davam uma espiada pela janela para ver o que estava acontecendo lá embaixo. Quantos viraram alunos só por terem passado por ali? Provavelmente muitos, pois a escola permaneceu naquele lugar por 12 anos, só mudando para um espaço maior, perto da Langstrasse, quando Alicia juntou-se com a ex-aluna Ursula Jimenez e ampliou sua escola.
Hoje a escola é no Kreis 3, também num porão. Quando a gente atravessa aquela porta de entrada parece que está num outro mundo. A atmosfera é aconchegante e o estúdio é decorado com carinho.
Alicia, além de dona de um talento surpreendente, tem uma modéstia admirável. Quando lhe perguntei se poderia escrever sobre ela na Integra, ela me disse que preferiria que eu falasse sobre o Flamenco e minha experiência em aula. Não é à toa que a escola fez 30 anos de aniversário: muita dedicação nas aulas, uma personalidade cativante, sua voz imponente cantando, sempre algum violão acompanhando.
E estou eu já dançando uma Farruca depois de alguns meses de aula! Flamenco é auto-afirmação, é expressão pessoal e também em grupo, além de muita improvisação. E ajuda muito nos dias cinza, contra o “November Blues” ou qualquer “inverno” astral.

Acho que encontrei o que buscava: o Flamenco é tão cigano quanto mouro, com influência de árabes e judeus, ícones associados à Andaluzia e à música e cultura espanhola em geral.
Durante a Inquisição, mouros, ciganos e judeus foram perseguidos e expulsos. Granada, a cidade espanhola, era o último reduto dos mouros e um lugar onde os árabes eram tolerantes e não impunham sua religião à população da região. Mas em 1492, os exércitos dos reis católicos reconquistaram esta cidade, após cerca de 800 anos de domínio muçulmano. A tolerância religiosa acabou ali: quem não se convertesse ao cristianismo era eliminado. Assim mouros, ciganos e judeus fugiram para as montanhas e áreas rurais.
Foi nesta situação social e economicamente difícil que as culturas musicais de judeus, ciganos e mouros começaram a se fundir, o que se tornaria a forma básica do Flamenco: o estilo de cantar dos mouros - que expressava a sua vida difícil na Andaluzia, as diferentes “compas” (estilos rítmicos), palmas ritmadas e movimentos de dança básicos. Muitas das músicas Flamencas ainda refletem o espírito desesperado, a luta, a esperança, o orgulho e as festas noturnas desta época.
E lá vou eu “desperada“ treinar para a próxima aula!

www.flamenco-alicia.ch
Leonhard Ragaz-Weg 24 / Goldbrunnenstrasse - 8003 Zürich
Magda Hammer (Zurique, Suíça)