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quinta-feira, 8 de março de 2012

Xenofobia


De acordo com o dicionário, xenofobia consiste na aversão ao estrangeiro: xeno – estranho; fobia - aversão, medo.

O século XX foi palco de inúmeros e profundos acontecimentos como: duas Guerras Mundiais, Guerra Fria, várias guerras civis, além do advento da globalização, revolução técnico-científica e a formação de blocos econômicos como União Europeia e o Mercosul.
Todos esses acontecimentos contribuíram e ainda contribuem para o aumento de fluxos migratórios dentro dos países e além de suas fronteiras. Em consequência desses fluxos, manifestações xenofóbicas têm se difundido cada vez mais entre pessoas e alguns países têm criado leis para inibir ou limitar a presença de estranhos em seu território.
Como sempre fui ligada aos Direitos Humanos e acredito que todos devemos respeitar e ser respeitados, sou contra toda e qualquer forma de preconceito, e nesse artigo gostaria de compartilhar um pouco da minha experiência evidenciando ainda mais o porque sou contra a esse tipo de atitude.

Nascida e crescida no interior de Minas, sempre ouvi dizer que mineiros são demasiadamente sossegados e interioranos. Não creio que isso seja mentira, pois a maioria dos mineiros são sim muito calmos, mas até hoje não consigo enxergar o motivo de tanta perseguição, já que Minas é um dos estados mais desenvolvidos do Brasil.
Tendo morado na Suíça cerca de três anos, pude perceber sinais explícitos de xenofobia, uma vez que o país abriga estrangeiros de várias as partes do mundo. Na Suíça, as brasileiras são vistas como mulheres fáceis, e pessoas oriundas dos países do Leste Europeu (croatas, sérvios entre outros) são vistos como criminosos.
Estive na Croácia em 2009 e confesso que fiquei surpresa , mas não porque tenha me deparado com um monte de criminosos, muito pelo contrário, achei um país seguro e pessoas super agradáveis, amigáveis, hospitaleiras e no meu ponto de vista Lindos!!! Que gente bonita!!!

Em 2011 me mudei para Inglaterra para fazer um curso de inglês. Tenho conhecido pessoas de todas as partes do mundo, mas principalmente da América do Sul, Coreia e Turquia. Minha experiência começou com os próprios ingleses. Sempre ouvi dizer que eram pessoas extremamente frias. Devo admitir que nunca me deparei com pessoas tão educadas e com um senso de humor fantástico.

Então conheci vários colombianos, vistos por muitos como drogados, vítimas da mídia que enalteceu a história de Pablo Escobar e a máfia colombiana, mas nunca mostrou o verdadeiro país que nada tem haver com a máfia. O que tenho a dizer dos meus amigos colombianos? São tão amigáveis, tão queridos, parecidos com brasileiros e ninguém nunca me ofereceu drogas!

Minhas melhores amigas são uma iraniana e uma sul-coreana. A iraniana não é uma mulher bomba! É uma garota linda e doce que nos seus 23 anos vive cheia de anseios, medos e perspectivas iguais aos que eu vivia quando tinha sua idade. A sul-coreana, não é nem um pouco tímida, é uma das pessoas mais divertidas que já conheci.

Aprendi a jogar tênis com meu amigo do Paquistão e quase morro de rir cada vez que vou jogar totó com meu amigo da Líbia, enquanto eu perco um gol e solto um palavrão de arrepiar, ele todo meigo e feliz porque está me vencendo diz: ALA!

O que eu gostaria de dizer é que é claro que a nossa cultura influencia e muito o nosso comportamento e a maneira como vemos as coisas, no entanto como seres humanos, cada um de nós tem sua própria personalidade e caráter. Assim sendo, gostaria de sugerir que antes de julgarmos, vejamos as pessoas além das burcas, do Corão, do samba, da frieza e assim poderemos enxergar o ser humano que há em cada um e descobrirmos que somos mais parecidos do que possamos imaginar e muitas vezes são exatamente as nossas diferenças que nos aproximam.

Não creio que os fluxos migratórios irão se acabar, podem no máximo mudar seu curso, de forma que se todos decidirem “purificar suas raças”, assim como Hitler pretendia, não precisaremos de desastres naturais ou bombas atômicas para extinguir o planeta, nós mesmos o faremos!

Adriana Pacheco - Bournemouth, Inglaterra
Foto de Nei Shimada do Fotos que eu gosto de bater

Um comentário:

Fausto Somáli disse...

Boa tarde!! Como vai você?
Então, eu acho muito legal essas experiências de conviver com pessoas de vários países. O único estrangeiro de longe que tive contato (e conversei em inglês) foi um italiano, aqui mesmo no Brasil.

Você tem uma amiga coreana, certo? Você sabe me dizer se no país deles, em geral, as pessoas são muito xenofóbicas?

Eu venho pensando sobre isso por causa do estouro recente de uma música eletrônica coreana na internet. Eles parecem ser muito animados mesmo.

Se não forem xenofóbicas, provavelmente a Coreia do Sul é um ótimo lugar para se morar! Hehehe!

Obrigado e um abraço,
Fausto.