A Revista Íntegra, após cinco anos de publicações, chega ao fim.
Convidamos você a conferir esta última edição. Saiba mais...
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segunda-feira, 11 de julho de 2011

A criatividade de Adele Enersen

Num dia desses, participando de um almoço, uma amiga me perguntou como eu brincava com minha filha ou do que eu brincava. Depois de alguns segundos pensando no que responder, ou melhor, pensando sobre o que eu brincava, a resposta foi insosa e reflexiva. Do que eu brinco com minha filha? De muitas coisas, entre elas dar vozes diferentes a cada um dos muitos brinquedos. Todos falam e todos possuem sua própria história, algo difícil de manter pois nem sempre acordamos criativos. Nesta mesma semana recebi um e-mail com as criativas ideias de Adele Enersen, uma publicitária finlandesa que decidiu fazer da filha Mila, uma modelo e personagem fotográfica para seus ensaios.


Talvez a filha não tenha se divertido tanto, pois as fotos foram tiradas e montadas enquanto ela dormia, mas certamente a publicitária além de se divertir exercitou sua criatividade utilizando peças usuais para criar formas e quadros para depois inserir o belo bebê. As franjas do tapete verde se transformaram num gramado, o casaco aberto num elefante, a saia vermelha de bolinha branca num cogumelo.


Uma ótima inspiração para quem procura atividades divertidas com um resultado no mínimo inesperado.



Thaís Aguiar - Zurique, Suíça

domingo, 19 de junho de 2011

JR – O artista com a maior galeria de arte do mundo


Um belo dia, ainda adolescente, JR (na foto ao lado), artista francês que nunca revelou seu verdadeiro nome, achou uma camera fotográfica no metro de Paris, resolveu viajar pela Europa e registrar o trabalho de artistas de rua, pintores e grafiteiros que usavam como tela as façadas e paredes dos prédios das cidades onde viviam. Após esta jornada ele volta a Paris e decidi exibir nas ruas e topo de prédios os retratos dos artistas que conheceu.

Entre 2004 e 2006, JR cria “Portraits of a Generation” (fotos abaixo), retratos em formato gigante de jovens marginais dos subúrbios de Paris exibidos em distritos pobres da cidade, o projeto inicalmente de caráter ilegal impressiona tanto que a prefeitura da cidade de Paris resolve torná-lo oficial colocando as fotos em seu prédio. Por trás de seus primeiros projetos, o ideal que tornou a marca registrada do artista: “a melhor galeria de arte do mundo são as ruas onde é possivel atingir pessoas que nunca vão a museus.”

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A vida alheia nas lentes de Jim Marshall

Comecei a escrever o texto abaixo em abril deste ano mas depois veio minha mudança e ele ficou perdido em alguma caixa ainda não aberta no porão. Agora que tudo voltou ao normal (se é que isso é possível) consegui tirar a poeira dele.
De acordo com a Tia Wiki (Wikipédia), a palavra italiana paparazzo é utilizada para designar os repórteres que fotografam pessoas famosas sem autorização, expondo em público as atividades que eles fazem em seu cotidiano. Após conseguir as fotografias os paparazzi podem vendê-las a imprensa por valores significativos.
O termo deriva de uma metáfora e uma sinédoque do escritor Ennio Flaiano descrevendo fotógrafos, comparando a lente da câmera à abertura e fechamento das válvulas de moluscos, que são chamadas no dialeto abruzzese de “Paparazze“, e por extensão a pessoa por trás da câmera. Haveria, ainda, um grande mosquito siciliano denominado "paparaceo".
Calhou que vou me mudar da pacata Suíça - onde pessoas famosas podem por escolha própria chegar a vivenciar o ostracismo - e morar num lugar cheio de celebridades e repórteres fotográficos.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Haiti, die endlose Befreiung - Exposição de fotos sobre o Haiti

Trabalhando para a revista Du, Thomas Kern teve a oportunidade de fotografar o Haiti nos últimos doze anos.
Kern, fundador da agência Lookat Photos, tem nome reconhecido no fotojornalismo já tendo ganho duas vezes o World Press Awards, atualmente o maior prêmio do fotojornalismo. Bósnia, Curdistão e o norte da Irlanda são algumas das regiões turbulentas já clicadas por ele. Sua exposição „ A libertação sem fim“ conta como o Haiti, o primeiro país da América Latina a declarar a independência (1804), sofre até hoje com as consequências da guerra de sua libertação, quando a estrutura do país foi rompida e o poder caiu nas mãos de pessoas inescrupulosas.
Um boia-fria trabalhando na produção de aguardente, um fazendeiro cortando sua última mangueira para vender a lenha. O viver e o sobreviver, histórias, a catástrofe ecológica, a onipresença da religião e da morte. O estudo silencioso de faces se alternam com fotos em movimento: pessoas num mercado de rua, rindo, conversando, dançando.
Em entrevista ao Züritipp em 21 de janeiro de 2010 , o fotógrafo revela que não tem a ilusão de mudar o mundo com suas fotos. Mas tornar as pessoas conscientes, mostrar algo que elas não viram ou interpretam de outra forma. Eu prefiro ver as fotos ao vivo mas se for longe, tiver nevando muito e você atolado, então dá uma olhadinha aqui nas 36 fotos da exposição: http://www.coalmine-online.ch/
A exposição vai até dia 31 de março de 2010 e o endereço da Galeria Coalmine é: Coalmine, Turnerstr. 2, Winterthur

Magda Hammer - Zurique, Suíça

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Homenagem a Cartier-Bresson

Está em Paris? Estão acontecendo duas exposições em homenagem ao grande fotógrafo Cartier-Bresson, comemorando seu centenário. Uma na Maison Européenne até 30 de agosto e a outra no Palais de Tokyo até dia 13 de setembro.

Henri Cartier-Bresson (22 de agosto de 1908, Chanteloup-en-Brie, Seine-et-Marne, França — 2 de agosto de 2004, Cereste, Vaucluse, França) foi um dos mais importantes fotógrafos do século XX, considerado por muitos como o pai do fotojornalismo.
Cartier-Bresson era filho de pais de uma classe média (família de industriais têxteis), relativamente abastada. Quando criança, ganhou uma câmera fotográfica Box Brownie, com a qual produziu inúmeros instantâneos. Sua obsessão pelas imagens levou-o a testar uma câmera de filme 35mm. Além disto, Bresson também pintava e foi para Paris estudar artes em um estúdio.

Em 1931, aos 22 anos, Cartier-Bresson viajou à África, onde passou um ano como caçador. Porém, uma doença tropical obrigou-o a retornar à França. Foi neste período, durante uma viagem a Marselha, que ele descobriu verdadeiramente a fotografia, inspirado por uma fotografia do húngaro Martin Munkacsi, publicada na revista Photographies (1931), mostrando três rapazes negros a correr em direção ao mar, no Congo.
Quando eclodiu a Segunda Guerra Mundial, Bresson serviu o exército francês. Durante a invasão alemã, Bresson foi capturado e levado para um campo de prisioneiros de guerra. Tentou por duas vezes escapar e somente na terceira obteve sucesso. Juntou-se à Resistência Francesa em sua guerrilha pela liberdade.

Quando a paz se restabeleceu, Cartier-Bresson, em 1947, fundou a agência fotográfica Magnum junto com Bill Vandivert, Robert Capa, George Rodger e David Seymour "Chim". Começou também o período de desenvolvimento sofisticado de seu trabalho.
Revistas como a Life, Vogue e Harper's Bazaar contrataram-no para viajar o mundo e registrar imagens únicas. Da Europa aos Estados Unidos da América, da Índia à China, Bresson dava o seu ponto de vista especialíssimo.
Tornou-se também o primeiro fotógrafo da Europa Ocidental a registrar a vida na União Soviética de maneira livre. Fotografou os últimos dias de Gandhi e os eunucos imperiais chineses, logo após a Revolução Cultural.
Na década de 1950, vários livros com seus trabalhos foram lançados, sendo o mais importante deles "Images à la Sauvette", publicado em inglês sob o título "The Decisive Moment" (1952). Em 1960, uma megaexposição com quatrocentos trabalhos rodou os Estados Unidos em uma homenagem ao nome forte da fotografia.
Fonte: Wikipedia

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Sorria, você está sendo filmado

Um dos trabalhos mais conhecidos do artista belga Luc Tuymans é Gas Chamber. Na pintura a óleo de 1986, feita apenas com tons de preto e marrom, vê-se parte de uma sala vazia, com um ralo comum no chão do recinto. Poderia ser um lugar qualquer, mas, como o título nos revela e aos poucos reconhecemos, trata-se de uma câmara de gás usada pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Guardadas as devidas proporções — Tuymans é uma das grandes referências para os pintores hoje — há certa semelhança entre a obra do expoente europeu e as cinco pinturas que Rafael Carneiro apresenta no Centro Universitário Maria Antonia, em São Paulo.
Nas criações do jovem paulistano, o que predomina também é o caráter inócuo dos ambientes retratados. Os trabalhos mostram espaços neutros, tanto pelas cores desbotadas com que são representados quanto pelo caráter impessoal, que remete a galpões de fábricas, laboratórios científicos e hospitais desativados. São imagens desgastadas, captadas por câmeras de segurança — daí o recorrente ponto de vista aéreo —, e transformadas antes em fotografias, para depois serem transpostas para as telas. Têm ainda baixa definição, como se estivessem sendo observadas através de monitores de computador.
É justamente em torno desse contraste entre a qualidade da cena registrada por esses equipamentos de vigilância e a qualidade pictórica que se espera de uma tela que o trabalho de Carneiro se articula. Por um lado, nos deparamos com algo de finalidade prática: a proteção. Por outro, encontramos um pedido para uma contemplação estética. E, ao fazer coincidir essas duas coisas numa só obra, Carneiro engrossa o coro de artistas que se perguntam hoje: como e o que produzir diante de uma sociedade em que a imagem aparece absolutamente banalizada pela televisão, pela internet e por todo tipo de publicidade (para não ficarmos apenas nas câmeras de segurança)? Seria a arte capaz de restituir alguma densidade à experiência visual?
Como Rafael, nascido em 1985, outros nomes olham para essa questão atualmente. Ana Prata, para citar um dos artistas que vão expor no Centro Maria Antonia neste segundo semestre, também usa fotos como ponto de partida para suas pinturas. Mas seus registros, retrabalhados no ateliê, ganham complexidade na tela. Outro exemplo é Fabio Flaks, cujos desenhos recentes têm o tamanho de pôsteres. Carneiro, portanto, não está sozinho na busca por uma saída contra a saturação de imagens do mundo atual.

Thais Rivitti para revista BRAVO
A EXPOSIÇÃO Rafael Carneiro. Centro Universitário Maria Antonia (rua Maria Antonia, 294, Vila Buarque, São Paulo, SP, tel. 0++/11/3255-7182). Até dia 16. De 3ª a 6ª, das 10h às 21h; sáb., dom. e feriados, das 10h às 18h. Grátis.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Ser Jovem na França - Mostra da Caixa em SP

Fotógrafos franceses retratam os jovens de seu país em exposição na Sé.

A CAIXA Cultural promove a exposição Ser Jovem na França, de 20 de junho a 26 de junho. A mostra reúne obras dos consagrados fotógrafos Martin Parr, Marie-Paule Nègre e Marc Riboud que retratam a maneira de viver da juventude francesa atual. A exposição, parte do calendário do Ano da França no Brasil, já foi exposta no Rio de Janeiro e, após a temporada em São Paulo, segue para Brasília.
Com curadoria do fotógrafo brasileiro Milton Guran, a exposição apresenta 109 obras de 28 fotógrafos que fazem parte do acervo do Fundo Nacional de Arte Contemporânea da França. Originalmente chamado de "Le Plus Bel Âge", este conjunto de obras tive origem em uma das maiores encomendas públicas do gênero, sob a coordenação de Agnès de Gouvion Saint-Cyr, do Ministério da Cultura francês.
Ser Jovem na França - De 20 de junho a 26 de julho
CAIXA Cultural - Praça da Sé, 111 Terça a domingo, das 9h às 21h
Informações pelo telefone 11/ 3321-4400 ou pelo site da CAIXA
Entrada franca

quarta-feira, 27 de maio de 2009

World Press Photo 09

A World Press Photo é uma organização independente e sem fim lucrativos fundada em 1955 em Amsterdã. Seu principal objetivo é apoiar e promover o fotojornalismo. Além disso, World Press Photo criou o mais importante concurso da modallidade nos últimos 50 anos.

A premiação é dividida em diversas categorias (natureza, cotidiano, notícias gerais, etc), sendo que a mais importante é a “Foto do Ano”. Neste ano de 2009, concorreram ao prêmio 96.268 trabalhos de 124 países diferentes.
O prêmio máximo dessa Edição ficou com o americano Anthony Suau com seu trabalho „A economia americana em crise“ publicada pela revista Time. Na imagem, um policial revista uma casa, onde uma família acabava de ser despejada, para se certificar que o imóvel estava realmente vazio.

Alguns fotógrafos brasileiros foram premiados este ano. Luiz Vasconcelos venceu a categoria Notícias Gerais. A foto premiada foi publicada originalmente no jornal A Crítica, de Manaus, e mostra uma mulher indígena enfrentando um batalhão de policiais em uma disputa por terras. Os outros brasileiros premiados foram André Vieira (da Focus Photo und Presse Agentur) que conquistou o terceiro lugar na categoria Arte e Entretenimento, e Eraldo Peres (Agência Associated Press) que recebeu Menção Honrosa na categoria Cotidiano.

Pela terceira vez as fotos vencedoras do concurso serão expostas na Suíça, de 8 a 31 de maio de 2009. Mergulhe no mundo das imagens visitando a World Press Photo 2009.

Papiersaal, Sihlcity, Kalanderplatz 6, 8045 Zürich

De segunda a sexta: 12:00 até 20:00 horas

Sabados e domingos: 12:00 até 20:00 horas

Entrada: Sfr. 9.-

Magda Hammer (Zurique, Suíça)

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Travelling through the Eye of History, Exposição de Daniel Schwartz

Daniel Schwartz é um dos mais importantes representantes do foto-jornalismo na Suíça. Nascido em Soloturno, estudou fotografia em Zurique e trabalhou vários anos para a revista cultural Du.
Sua avó era do Vietnã, o que despertou seu interesse pela Ásia. Há quinze anos viaja pelo continente e faz trabalhos sobre ele.
Foi o primeiro europeu a atravessar a Muralha da China por completo e ficou famoso por sua reportagem "The Great Wall of China".
As fotos da exposição "Travelling through the Eye of History" na Helmhaus é a continuação dessa obra e mostra um mosaico ornamental de imagens e textos sobre cidades arcaicas, desertos, regiões abatidas pela guerra e a luta de seus habitantes pela sobrevivência.
Helmhaus Zürich, Limmatquai 31. Tram 4/15 até "Helmhaus"

Magda Hammer (Zurique, Suíça)

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Araquém Alcântara - Galeria na íntegra

Aos 14 anos, Araquém Alcântara queria ser jornalista, quem sabe escritor. Atravessou a adolescência embrenhado nos grandes sertões, veredas, de Lima Barreto, Machado de Assis, J. D. Salinger, Joseph Konrad e do próprio Guimarães Rosa. Em 1970, ingressou na Faculdade de Comunicação de Santos. Logo trabalhava na sucursal do Estadão e Jornal da Tarde. Tudo certo. Uma noite foi ver uma sessão maldita que um francês, Maurice Legeard, organizava em Santos. O filme era A Ilha Nua, de Kaneto Shindo. Um filme quase sem história, ou palavras. Um casal vivendo com dois filhos numa ilha inóspita. E a faina diária de levantar, buscar água, preparar a terra, a comida, buscar água outra vez, a canoa no trapiche, os pássaros nas pedras, os remos contra as ondas. A força e a beleza da pura imagem. A foto como síntese do dizer. Araquém, transido no escuro, foi tendo uma epifania, um negócio. Saiu dali tonto, abalroado, chamado.


No outro dia uma amiga, Marinilda, mostrava-lhe uma fotos bem comuns, de álbum de família, feitas por uma Yashica muito caseira. Ainda doente, febril do filme, Araquém mal olhou as fotos. Pediu foi a Yashica da Marinilda emprestada, comprou três filmes preto-e-branco e à noite foi para um cabaré do porto onde costumava ouvir bandas de rock e, com sorte, a canja de algum famoso de passagem. Lá estava ele, a câmara na mão, dois filmes no bolso, nenhuma técnica na cabeça, nervoso como em toda primeira vez. Mesmo sem coragem para nada, obscuramente sabia que naquela Yashica, naqueles filmes, estava segurando uma vida. Saiu tarde, sem apertar o botão. No ponto do ônibus, já amanhecia quando uma das moças do cabaré passou e desafiou: - Quer fotografar, é? Quer fotografar? Pois então fotografa aqui. Levantou a saia e mostrou o sexo. Foi sua primeira foto. A primeira exposição.

Não parou mais. As palavras já não serviam. Gaguejava nelas. O que interessava agora eram livros de fotografias, e imagens: Kurosawa, Bergman, Truffaut, Fellini, Wells, e os grandes fotógrafos, Cartier Bresson, Werner Bischoff, Ansel Adams, Ernest Haas. Araquém escolhe o primeiro tema do seu primeiro ensaio: os urubus de Santos. Eles estavam sempre por ali, sempre próximos ao que sobrava, peixes mortos na praia, detritos em Cubatão. Próximos, sempre, à miséria. Título meio panfletário de sua primeira exposição, em janeiro de 1973, no Clube XV de Santos: Os urubus da sociedade. Panos pretos cobriam as fotos dos urubus, os detritos da cidade, seu povo encardido. O visitante, para ver, tinha de desvelar, levantar a saia. Influência inconsciente daquela primeira foto no cabaré do cais? Pode ser, só que o obsceno ali era social. A exposição, aliás, foi tachada de comunista. E crivada de perguntas. Por que fotografar urubus, miseráveis, bichos que não vendem?
Mas Araquém prosseguiu. Já tinha uma espécie de lema. Escolher, sempre, com o coração. Prosseguiu e não se arrependeu de começar apostando no urubu.

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