A Revista Íntegra, após cinco anos de publicações, chega ao fim.
Convidamos você a conferir esta última edição. Saiba mais...
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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Joy Division

A existência... bem... o que importa? Eu existo da melhor forma possível.
O passado, agora, faz parte do futuro,
e o presente está fora de controle!
Na década de 80, enquanto a maioria dos adolescentes se identificavam com o rock nacional, eu, minha irmã e nosso círculo de amigos “estranhos”, ouvíamos entre outros, Joy Division; banda inglesa batizada com o nome de um bordel, frequentado por soldados alemães, durante a segunda guerra.
“Control” (Controle) é um filme melancólico, belíssimo e triste, que conta a história de Ian Curtis, líder da banda mas antes de tudo, um grande poeta. Indico este filme não para todos, somente para os que admiram a obra do Joy ou para aqueles que se identificam com a cultura do pós-punk do início da década de 80. “Control – 2007- direção de Anton Corbijn”. (Thaís Aguiar)

sexta-feira, 9 de março de 2012

Revista Íntegra em curta-metragem

Trabalhando numa das edições da Revista Íntegra me deparei com um texto da Luci que me chamou a atenção. Falava da primeira fase da imigração, quando tudo é melhor no país de origem, quando resistimos a nos incluir neste novo mundo. O texto era repleto de imagens, e aparentemente trazia um tema superficial como as manicures europeias, mas lendo com atenção era possível perceber toda a complexidade que se esconde por trás dos detalhes da vida cotidiana e tivemos a ideia de filmar e transformar num curta. Várias adaptações foram feitas, roteiro, produção e pós-produção e finalmente fizemos o lançamento no segundo semestre de 2011, na Suíça e em Milão. E a cada mostra/bate-papo enriquecemos nossa observação de imigrantes e constatamos que o simples é sempre Mais. Com o fechamento da Revista decidimos inserir o curta na internet e lançá-lo agora, em primeira mão, para os leitores da Revista Íntegra.

Thais Aguiar - Zurique, Suíça




"O Brasil em Minhas Mãos"
Texto: Luci Macedo
Atrizes: Luci Macedo, Patricia Flores e Magda Hammer
Direção e edição: Thais Aguiar




Home sweet home


Hoje, ao rever o curta O Brasil em minhas mãos de Thaís Aguiar, eu me lembrei dos versos de um poema do século XIX, que qualquer brasileiro(a) sabe de cor:
"Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá
As aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá"
Não quero de maneira alguma banalizar os versos de Gonçalves Dias e sua magnífica Canção do Exílio, mas o “eco” que me veio em mente no final do filme foi: “as manicures que aqui trabalham, não trabalham como lá”. E isso não banaliza o poema, porque Dias o escreveu no período em que estava estudando na Europa, ou seja, sentindo-se como milhões de outros brasileiros que se aventuram em terras distantes. Acredito que em grande parte das pessoas, o longo período longe da terra natal gera mais cedo ou mais tarde uma certa nostalgia que faz com que a pessoa exalte tudo o que remeta a sua casa, sua origem e sua identidade patriótica.
Minha identificação com o filme foi bem clara: de repente todos os “bifes” e fofocas, que tanto me incomodavam nos salões de beleza brasileiros, desaparecem diante da constatação de que na Europa eles não existem mais. Encarar uma outra realidade cultural provoca muitas vezes uma defesa instintiva, que logo grita: o meu mundo é melhor!
Esse conflito e essa reação não são somente normais como essenciais para estabelecer e fortalecer a identidade do ser humano que se desloca para o meio de outras pessoas e crenças, de outro cotidiano e cultura.

A Separação

Minha principal função na Íntegra, além da edição e polida final dos textos, foi  sempre escrever sobre livros e filmes. Nesta edição final queria manter esta tradição. Uma feliz coincidência me levou a assistir recentemente o fenomenal "A Separação" (Jodaeiye Nader az Simin, título original em Iraniano). Feliz coincidência não só porque o filme também aborda o tema "o fim", mas principalmente porque a última vez que escreverei sobre um filme na Íntegra será sobre um dos grandes, um dos melhores, se não o melhor que já comentei nestas páginas.

O enredo de "A Separação" em princípio soa banal, um casal comum que enfrenta a fatídica decisão de se separar, e as consequências desta decisão para o resto da família, principalmente para a filha adolescente do casal e o pai do marido, já muito velho e doente.

E o que faz este filme ser tão extraordinário é exatamente isto, ele avassala o expectador sem nenhuma história mirabolante, sem efeitos especiais, de som, maquiagem, tecnologia, sem violência, sem nenhuma gota de sangue. A história é contada e interpretada de forma tão profunda, tão tensa, tão real. Os diálogos e performances são tão tocantes e verdadeiros, que em alguns momentos duvidamos se  esta é realmente uma história fictícia.

Tantos temas complexos são abordados,  amor e orgulho, honra, lealdade, dignidade, honestidade, a força da religião e da fragilidade humana, o  sistema de justiça e valores iranianos.

Monsieur Lazhar no cinema

Título original: Monsieur Lazhar
Origem: Canadá
Diretor: Philippe Falardeau
Roteiro: Philippe Falardeau
Com: Mohamed Fellag, Sophie Nélisse, Émilien Néron

Baseado na peça Bachir Lazhar de Evelyne de la Chénelière, Monsieur Lazhar é um filme sensível, profundo, tocante, bonito e bom de se assistir!

A trama se passa em Québec, no Canadá, e conta a história de um imigrante argelino de meia idade – Sr. Lazhar (Mohamed Saïd Fellag) – que se apresenta para substituir uma jovem professora de Ensino Fundamental que decide dar fim a sua vida na sala de aula da escola.

O Sr. Lazhar entra, assim, abruptamente na vida deste grupo de crianças (de 11, 12 anos), em um período extremamente delicado para elas, em que a maioria, ao se deparar pela primeira vez com a morte, tenta encontrar repostas, explicações e culpados para o acontecido. Cada um a sua maneira, naturalmente! Uns sofrendo mais, outros menos, mas todos de certa maneira “tocados” pelo sentimento de perda.

Quem se importa

"Se eu pudesse eu faria algo... eu acabaria com a injustiça social" 
Quantas vezes pensamos nisso e o quanto seria bom fazer algo para mudar a desigualdade no mundo? Algumas pessoas pensaram e realizaram soluções para esse problema social e mudaram o rumo das coisas, o filme documentário "Quem se importa", dirigido por Mara Mourão, apresenta entrevistas com empreendedores sociais que decidiram mudar a realidade por meio de suas ideias criativas e que tiveram "grande" impacto social. 
O próprio filme assume: “Os filmes não mudam o mundo, mas as pessoas que os assistem". Vale a pena assistí-lo como uma boa forma de inspiração! Estreia em abril! 

 Luci Macedo, Milão - Itália



Trailer QUEM SE IMPORTA from Mamo Filmes on Vimeo.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Para relembrar - parte 2 "I am not a Biscuit"

Para mim uma das mais interessantes metáforas sobre o "pertencimento". Com uma animação simples Brad Wolfley conseguiu, de forma precisa, dizer exatamente aquilo que se nunca sentimos, poderíamos vir a sentir. Esta é uma de tantas para relembrar...

quinta-feira, 23 de junho de 2011

O Brasil em minhas mãos - Curta de Thaís Aguiar

Em que momento você sente que o seu país está distante? Para muitos a saudade se revela em detalhes do cotidiano.
A experiência com a forma de como nos comportamos perante as adversidades acabam trazendo desafios significativos para nós mesmos.

A ideia do curta surgiu a partir de um belo e divertido conto de Luci Macedo escrito para a Revista Íntegra. “Quando li o conto, visualizei-o imediatamente numa grande tela. Mesmo trazendo uma falsa imagem de comédia, o texto revela diversas facetas com a qual muitas mulheres que estão “fora de casa” se identificam”, explica Thaís Aguiar, diretora do curta e uma das responsáveis pela Revista Íntegra.

O curta revela, numa história simples, este saudosismo e a dificuldade em lidar com os próprios limites, enfrentando os preconceitos e expressando os diversos descontentamentos sofridos pela comunidade imigrante na Europa.
"O brasil em minhas mãos"
Sexta-feira, 8 de julho no CEBRAC
a partir das 19h

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Waste Land



Filmado ao longo de três anos, Waste Land, acompanha o aclamado artista plástico brasileiro Vik Muniz, em sua jornada do bairro nova-iorquino Brooklyn, onde vive, ao Brasil, sua terra Natal, e ao maior deposito de lixo do mundo, Jardim Gramacho, nos subúrbios do Rio de Janeiro. Lá, Vik Muniz se propoem a fotografar um eclético grupo de catadores de lixo. O objetivo inicial era simplesmente pintar retratos dos catadores com o lixo e usar o dinheiro arrecadado com as obras para ajudar a melhorar as suas vidas. Mas a colaboração com estes caracteres inspiradores revela a sua profunda dignidade e beleza e evidencia o poder transformador da arte e a alquimia do espirito humano.

Waste Land dirigido pela britânica Lucy Walker e os brasileiros João Jardim e Karen Harley, que conta com a produção de Walter Salles, tem conquistado platéias em todo mundo e arrecadado inúmeros prêmios. Entre eles o "Amnesty International Human Rights Film Award" (Premio da Anistia Internacional dos Direitos Humanos) no Festival de Berlin, e concorre hoje a noite ao Oscar de melhor documentário.

Imperdível também pela beleza das obras feitas por Muniz no projeto que podem ser vistas no site official do filme: http://www.wastelandmovie.com/

Cristina Pereira - Winterthur, Suiça

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Black Swan

Darren Aronofsky volta às telas com um thriller psicológico magnifico. Nada do que você ler ou ouvir sobre o filme vai ser capaz de prepará-lo para esta experiencia.

Black Swan conta a história da frágil Nina (Natalie Portman), bailarina de uma companhia de ballet nova iorquina obcecada pela dança e pela perfeição. Nina realiza seu grande sonho ao ser selecionada para ser a primeira bailarina do espetáculo o Lago dos Cisnes. Nina é perfeita para o papel do cisne branco (white swan), mas trava uma batalha enlouquecedora para alcançar também a perfeição no papel do cisne negro (black swan), a antítese maligna do cisne branco.

Natalie Portman, até hoje sempre lembrada por papéis apagadinhos (o mais famoso como a Rainha Amidala/Padme, o atormentado amor the Darth Vader e mãe de Lucky Skywalker e Princesa Lea, da nova geração de filmes da saga Guerra nas Estrelas) surpreende num show de interpretação. Absolutamente sensacional, a interpretação do ano, que vem abocanhando todos os principais prêmios do cinema mundial, incluindo o recente Globo de Ouro e certamente o Oscar em Março próximo.

Pra mim foi um daqueles poucos filmes em que cheguei ao fim com aquela sensação de: uaaaau.... quase um atropelamento, é preciso parar depois para refletir e sentir, porque é um assalto aos seus sentimentos, seus próprios fantasmas e duvidas. Amedrontador e sufocante, mas simplesmente genial... Imperdível!

Cristina Pereira - Winterthur, Suíça


sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Syra Marty – Dächli Leni Goes to Hollywood - Magda

O documentário Dächli Leni goes to Hollywood conta a vida de Syra Marty, a primeira dançarina burlesca na Suíça.
Josefina Magdalena Marty nasceu em 1921 e cresceu em Goldau, no cantão Schwiz. Era uma menina alegre e cativante. O apelido Dächli Leni surgiu no restaurante da família, o Rigi-Dächli, onde ela ajudava.
Com o nascimento do irmão, as coisas na casa dos pais de Leni apertaram e ela partiu para Zurique, onde arranjou um emprego de garçonete, na Langstrasse. No mesmo estabelecimento trabalhava o artista Billy Frick. Leni atuava como assistente em seu show. Billy percebeu o carisma da moça perante os convidados e lhe ofereceu pagar aulas de dança. Além das aulas, Leni ganhou sapatos de salto alto e uma nova cor de cabelo: Billy dizia que Leni tinha que ser loira, isso atrairia os homens.
E assim nasceu Syra Marty, dançando em cabarés de Zurique. Dois anos depois, já se apresentava em outras cidades da Europa. Billy, que virou seu agente, sempre a acompanhava e dividia o mesmo quarto de hotel com ela, o que era considerado imoral na época. Então eles decidiram se casar. Mas o casal nunca dividiu a mesma cama pois Billy era homosexual e o casamento era uma pura questão de negócios. Apesar disso, o casamento durou 32 anos, até a morte dele. Em todos esses anos, Billy foi o agente e protetor de Syra.
Em 1948, Billy e Syra partiriam para Hollywood onde Syra aprenderia a fazer Striptease, no Follies-Theater. Miss Switzerland, como Syra ficou conhecida, virou uma sensação nos Estados Unidos. Viajou por todo o país, dançando em São Francisco, Washington, Dallas, Denver e Oklahoma. Além disso, foi fotografada por fotógrafos americanos renomados e participou de filmes em Hollywood.
A dançarina fez Striptease até os cinquenta e seis anos e mesmo cinquentona era apontada em revistas como a “mulher mais bonita do mundo”. O marido faleceu e ela cumpriu os contratos que ele tinha assinado. Em seguida, encerrou sua carreira. Trancou-se em sua casa na Florida e isolou-se do mundo.
Após 32 anos de fama vieram 32 anos no ostracismo. Até o cineasta Roger Bürgler se interessar por ela e bater em sua porta.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Inception - Cris

Meu filme preferido de 2010. Em Inception, Chistopher Nollan (o mesmo de Memento) dirige um elenco excepcional, liderado por Leonardo di Caprio (que nos úlltimos anos tem atuado muito melhor do que se poderia imaginar, principalmente depois de "The Departed") e Ellen Page, e com coadjuvantes de primeira linha como Michael Caine, Marion Cotillard e Tom Berenger, num thriller-ficção científica originalísimo e de tirar o folego.

O filme conta a história de Dominic Cobb em sua supreendente atividade, roubar informações secretas da mente inconsciente durante o sono. Cobb é um ladrão habilidoso, o melhor de todos na arte da extração de segredos valiosos do subconsiente, vulnerável durante os sonhos. Sua excepcional habilidade o tornou um personagem requisitado no traiçoeiro mundo da espionagem coorporativa mas também um fugitivo internacional que perdeu tudo o que amava na vida. A chance de redenção é oferecida por uma de suas vítimas em troca da mais difícil tarefa de um "explorador de sonhos", implantar durante o sonho uma idéia completamente original, o que no filme se chama "Inception". Para a tarefa quase impossível Cobb recruta um time de habilidades únicas que vai arquitetar cada detalhe para o "sonho perfeito". Com uma fotografia ríquissima e surpreendente, efeitos orginalíssimos, sequencias de tirar o fôlego, e um desenrolar de história que nos mantem presos o tempo inteiro, é necessário muita concentração para não perder o fio da meada e meio a tantas camadas de sonhos de diferentes personagens.

Um filme de ação inteligente e orginal como a muito tempo não se via no cinema. Imperdível para os que gostam do gênero.

Cristina Pereira - Winterthur, Suíça


sábado, 11 de dezembro de 2010

Dicas de filmes para as férias

The Social Network – 2010

Este filme conta nada mais, nada menos, que a história da fundação de um dos meios de comunicação mais potentes do planeta atualmente: o Facebook.

Essa é a verdadeira história de Mark Zuckerberg, que passou de nerd com zero competência social a um dos homens mais ricos dos Estados Unidos. Mark conseguiu captar na hora certa as necessidades e tendências dos jovens da atualidade: compartilhar informação com ob mundo através a rede. Gostos musicais, fotos, baboseiras no you tube, rotinas, estado civil, etc, etc, etc. A lista é longa e conhecida por todos. O filme nos faz pensar se vale a pena dividir cada detalhe da nossa esfera privada e é recomendável, não por ser arte, mas pela sua atualidade.

Cecília Zugaib


Despicable Me - 2010

Este trabalho de animação da Universal Studios conta a história do malvado Gru que sonha ser o maior vilão de todos os tempos quando completar seu maquiavélico plano de roubar a lua. Ajudando a por em prática seus planos de vilania no porão da casa se encontram Dr. Nefario, cientista ultra brilhante, mas já adiantado em anos, e um exércitos de queridas criaturinhas amarelas, os menions. Os planos de Gru são perturbados quando entra em cena, o jovem vilão Vector e as três meninas orfãns Margo, Edith e Agnes que vão mudar completamente a pacata vida de vilania de Gru.

Uma graça de filme! Talvez a melhor animação deste ano. É simplesmente impossível não se apaixonar por Agnes e os menions. Gru é o mais charmoso e delicado vilão de todos os tempos. Os personagens são todos adoráveis e nos fazem conectar com a história que tem como ponto alto um trilha sonora de altissima qualidade, comandada por Hans Zimmer.

Ótima pedida para as férias, entreter a criançada e os adultos também!

Cristina Pereira

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Nascidos em Bordéis - Thais

Muitas vezes uma obra de ficção nos remete a fatos da nossa própria vida. Curioso é quando pequenas fagulhas, de uma obra documentada, nos trazem reflexões muito profundas sobre a natureza de cada um. A experiência de identificação com algo real é, para mim, muito mais tocante. Foi uma grata surpresa assistir ao documentário “Nascidos em Bordéis” dos estreantes Zana Briski e Ross Kauffman. A ideia inicial era retratar as prostitutas do bairro da luz vermelha em Calcutá, na Índia, mas Zana seguiu seu coração e se deixou invadir pela pureza e espontaneidade das crianças que por lá circulavam. O projeto segue uma ideia antiga exercitada por muitos artistas, educadores e videomakers, de observar o mundo através do olhar individual dentro de um determinado grupo, tendo a arte como instrumento.
Zana presenteou cada criança com uma câmera simples. O processo foi inteiramente registrado desde idéia inicial até o que para ela foi seu fechamento: a tentativa de dar um futuro àquelas crianças. Ao mesmo tempo que esse documentário revela que ainda pequenas lutas podem possibilitar desfechos promissores, revela também algo muito particular, que culturalmente os diferentes valores ultrapassam conceitos pessoais do que é bom ou ruim. Seria necessário nascer de novo para a obtenção de novos referenciais.

Esta característica pode ser conferida também no filme "Massai branca" (Die Weisse Massai), baseado numa história real, que narra a tentativa de uma suíça em transformar a vida numa tribo africana. Filme igualmente imperdível, destes que nos fazem refletir e respeitar a vida!

Thais Aguiar - Curitiba, Paraná


sábado, 20 de novembro de 2010

Sobre o último filme de Jabor: a suprema felicidade - Miriam Vizentini

Ainda bem que deu para ir ao cinema ao menos algumas vezes, nesta minha ida a Sampa. Pude assistir ao último filme do Jabor, filme de tom nostálgico com um sabor de drops de hortelã.
Um Jabor não é igual a outro Jabor, esqueçam Eu sei que vou te amar. Mas a sensibilidade está presente, mais madura e, talvez pelos anos passados, mais melancólica. Se para a crítica tem tons melosos, para mim teve um gosto amargo de saudades. E, como não dou a mínima para críticos, fui conferir.
Dizem que a obra tem algo ou muito de autobiográfico. Pudera, todo diretor/autor que se preze deixa suas marcas e essas só podem dizer de suas vidas – redundante, então dizer que é de certa forma, autobiográfico!!
A trama tece-se em torno da história de Paulo, da infância à juventude, no seio de uma família como tantas outras desajustadas, num tempo em que as mulheres mais que nunca abafavam seus sonhos e a própria vida que haveria de vir para se casar com seu grande amor e viver em família. Nesse caso, família formada por mãe, filho e marido ausente e autoritário e, ainda assim, seguindo em busca da felicidade. Lugar e época: Rio de Janeiro, 1945.
As cenas de suprema felicidade, essas sim, vividas pelo menino Paulo e seu avô – um Marco Nanini magistral! – foram para mim as mais marcantes (talvez pelos momentos que vivi/recordei com minha avó nestas férias), seja nas conversas ou na iniciação sexual do garoto em prostíbulos até a descoberta do amor. Elke Maravilha, como a avó, dá um toque germânico cafona, mas cabe na trama.
Valeu ter ido conferir !
Miriam Vizentini - Baden, Suíça

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

20 capitais terão Mostra de Cinema e Direitos Humanos

Criada em 2006 para celebrar o aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos a Mostra vem se firmando como um espaço de reflexão, inspiração e promoção do respeito à dignidade intrínseca da pessoa humana.
Inicialmente exibida em quatro cidades, a Mostra cresce a cada ano. A 5ª Mostra de Cinema e Direitos Humanos na América do Sul estará presente em 20 capitais brasileiras, percorrendo as cinco regiões do Brasil.
No ano passado, registrou um público superior a 20 mil pessoas, em 16 cidades. A estimativa para este ano é que este número seja duplicado, pelo aumento no número de cidades participantes.
Com todas as sessões gratuitas, a programação reúne 41 filmes, representando dez países da América do Sul. Um convite ao olhar e à sensibilidade cinematográficos, que traduzem temas atuais de Direitos Humanos e despertam a reflexão e a construção de identidades na diversidade.
Clique na imagem ao lado e confira a programação para a sua cidade!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Rio Sonata

Assisti a pré-estréia, em Zurique, e está agora na minha lista de documentários imperdíveis, pela qualidade indiscutível e grande sensibilidade do diretor Georges Gachot, de trazer um filme para dentro do público!

Thaís Aguiar

"Um dia na vida" - Pesquisa ou filme?

A 34ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo exibiu “Um dia na vida”. Segundo a única informação prévia divulgada sobre a sessão, tratava-se de um “filme de Eduardo Coutinho”, o que foi suficiente para lotar o cinema na quinta-feira.
Sem créditos iniciais, nem ficha técnica no final, uma legenda apresenta os 96 minutos de material como sendo “pesquisa para um filme futuro” gravados alternadamente “durante 19 horas seguidas, da manhã do dia 1º à madrugada do dia 2 de outubro de 2009, no Rio,” registrando imagens de 8 emissoras de televisão de sinal aberto.

Em princípio, a sessão de quinta-feira passada foi a primeira e única, pela dificuldade, ou quem sabe impossibilidade, de obter a cessão do direito de uso das imagens, tanto das emissoras de televisão que as produziram e veicularam, quanto das pessoas – profissionais de televisão ou não – que participam das cenas incluídas na edição.
Se levarmos ao pé da letra a informação que se trata de “pesquisa para um filme futuro”, o que foi exibido deveria ser comentado levando em conta esse caráter preliminar e provisório. Isso, sem esquecer a curiosa e talvez inédita experiência de debater em público um filme ainda por fazer.

Cineastas Contemporâneos

Ainda dá tempo!!!

6o. Festival Cinema Brasil em Hamamatsu, Japão

O lado A
Ontem fui assistir o "Palavra (En) cantada", um documentário de Helena Solberg produzido em 2008.
Uma aula de música, poesia e prazer recheado de papos, historinhas e canjas de Lenine, Adriana Calcanhoto, Antonio Cícero, Tom Zé, Chico Buarque e outros ícones da música e da cultura brasileira. Além da seleçao de imagens e documentos. Eu ficaria mais algumas horas sentado assistindo toda aquela maravilha.
Historinhas que vão das canções provençais ao rap da periferia de São Paulo, mostrando que a nossa poesia e a canção estão intrinsicamente ligada uma à outra como se fossem um só produto de criação e prazer onírico e cultural.

O Lado B
É a primeira vez que o festival é apresentado em Hamamatsu.
Triste foi ver a sala vazia. A maioria de curiosos japoneses, poucos brasileiros.
A falta de interesse dos próprios brasileiros pelo cinema ou música brasileira passa pela jocosidade ou preconceito baseado no tempo em que se fez muita pornochanchada nas produtoras do centro de São Paulo. O som é ruim. O que eles náo sabem é que as salas é que tinham o som muito ruim. Alguns alegam que o cinema nacional da "Retomada" passa pelo filtro do ultra-realismo, da violência, favela, pobreza e desencanto com a fantasia. A fantasia, hoje em dia, no mais caro e popular que se produz na maior industria cinematográfica do mundo, é banal e infantilizada, com duendes de anéis, ingênuos povos azuis, jovens vampiros e metálicos heróis voadores que soltam raios pela palma da mão.
O fato é que o público em geral não consegue mais ver um diálogo com mais de trinta segundos sem querer mudar de canal ou trocar de filme ou sair da sala. Incomoda. Há quantos anos não vemos em Hollywood diálogos como Jules e Vincent em "Pulp Fiction" ou o astronauta Dave e o computador Hal em "2001 - Uma Odisséia no Espaço"?
Será cansaço dos roteiristas ou o final de uma era, do cinema de diretor/autor hollywoodiano? Assim explica-se a fuga para a Europa de Woody Allen?