A Revista Íntegra, após cinco anos de publicações, chega ao fim.
Convidamos você a conferir esta última edição. Saiba mais...
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sexta-feira, 9 de março de 2012

Fechando ciclos


Recebo um email da Cris, pedindo texto para a Íntegra. Legal! 
Última edição? O-ho. 
Continuo a ler a mensagem e congelo nesta frase: “Todos os processos e projetos na vida fecham um ciclo; início, meio e fim são etapas que surgem naturalmente em nossas atividades e ações...”
Não consigo escrever nada, um vazio se abre à minha frente. Deleto essa ideia do meu dia ... da minha semana ... da outra também... Mas ela está lá, lentamente martelando: fechar o ciclo, fechar o ciclo, fechar o ciclo... 
Peço um prazo, adio o inevitável. Há tempos não escrevo, confesso, mas o blog estava lá, esperando, solidário. A companhia-distante de companheiras queridas, unidas num ideal, aguardava. A partir de agora, não mais. 
Penso que penso, descubro: meu momento de vida é de doloroso fechamento de ciclos: ciclo familiar mudando com a saída de filhos crescidos de casa; “partida” de parentes idosos deixando apenas saudades. Ciclo de fertilidade que se encerra, alterando a saúde física e emocional. Ciclo de amigos que se mudam, indo continuar suas histórias ao longe, outros para nunca mais... Estou cansada de me despedir de pessoas que amo e com quem compartilhei muito de minha história fora da terra natal. 
Percebo: tenho uma relação desafeta com a palavra “último”: último texto, último dia, último ato, último instante, último suspiro.

Tudo tem seu fim

Tudo tem seu fim. Não há como fugir desse fato. Até a Integra tem seu fim.

Ao ler o email que anunciava o fim desse trabalho, no qual tanto amei fazer parte, fui invadida por uma imensa tristeza. As meninas têm toda a razão. Não só elas estão ocupadas com as suas vidas, mas também a rotina das colaboradoras, mudou. Isso levou à decisão de por um ponto final no trabalho que vínhamos desenvolvendo, de levar a nossa voz e a experiência de viver fora do nosso país aos leitores mundiais, conhecidos ou não. De discutir temas banais—como a falta que as manicures brasileiras nos fazem, até assuntos polêmicos—política, direitos das mulheres, etc. Tudo tem seu fim.
Volta e meia algum amigo me perguntava: "E a Íntegra?", "Você ainda faz parte?", "Nunca mais li nada.", "Adoro os textos". Isso enchia meu peito de orgulho. Percebia que alguém do outro lado me ouvia, sentia o mesmo, se incomodava com algo. Havia alguma reação.
Que sensação boa poder compartilhar com vocês algo que eu me dava conta, que me emocionava ou também me abismava.

Let's go girls but not so far away...



Tudo nessa vida tem um começo, meio e fim. Embora muitas coisas comecem às vezes do meio e outras parecem não ter fim.

Mas tudo um dia acaba. Outro dia pode até recomeçar ou apenas terminar.

Pensando sobre o que escrever para esta última edição da Íntegra, pensei que existem tantas coisas a serem ditas, poderia falar sobre a invasão da tecnologia e não sobre o que ela traz de bom, como a mídia e as pessoas abordam o tempo todo, mas sim da falta que as coisas simples fazem. Coisinhas feitas a mão, discos de vinil onde a sequência lado A e lado B tinha todo um sentido, telefonar, falar e encontrar as pessoas e não só teclar. Poderia ainda falar de amor ou da falta de, das relações líquidas, do vazio das pessoas que tentam camuflar ou preencher com inúmeras atividades em suas vidas. Poderia falar sobre os prazeres e desprazeres do trabalho, citando o livro de Alain de Boton Pleasures and Sorrows of Work. Falando ainda de Boton, outro livro dele interessante é o Arquitetura da Felicidade, que fala sobre a influência e a importância do lugar onde vivemos e que tipo de bem ou mal estar isso pode proporcionar.

Saturação social


O termo "Saturação Social", lançado pelo New York Times no mês de janeiro, nos revela que é possível que este euforismo acerca das redes sociais seja amenizado no decorrer deste ano.

"As visitas cresceram 10% de outubro de 2010 ao mesmo mês de 2011, segundo a comScore, contra 56% de aumento no ano anterior."

Tenho cada vez mais amigos que querem "sair" do Facebook (FB). Tem até alguns que marcaram uma data para deixar de existir socialmente. E o deixar de existir é visto quase como um suicídio. É como que se ele saísse do FB ele estaria fora, seria um excluído, não teria mais grupo de pertença, nem comunidade e nem identidade. E no desespero por não se perder, já que agora ele acredita que se encontrou, ele permanece mais e mais horas em frente ao computador devorando tudo o que lhes é lançado. Mas e se ele sair? E suas preferências musicais, ele dividirá com quem? E a exposição dos seus gostos, sim porque agora todos sabem que ele é adepto a luta dos direitos da criança e até foi ativo quando houve uma manifestação. Agora as pessoas, que não sabiam quem ele era o conhecem profundamente, sabem que ele gosta de música folk, que viaja muito para Paris e que usa roupas preferencialmente pretas. Além disso ele sempre posta coisas interessantíssimas, no olhar dele.

Reencontro com o mito da divindade feminina


Confesso que nunca me voltei para estudar mais profundamente o arquétipo feminino. Bastava-me a ideia junguiana pincelada na faculdade: “mulher como continente, homem como conteúdo”. Sendo paulistana, venho de uma época e local em que a mulher já estava na universidade, já trabalhava, já tinha seu lugar, vez e voz, mesmo que pequeno, na sociedade; a luta se fazia necessária para ampliar este espaço e pela igualdade salarial. Então, fui mais pragmática na questão do feminino: arregaçar as mangas e trabalhar, estudar, criar os filhos, organizar e arrumar o lar e dedicar-me a centros sócio-culturais – e dividindo tudo com o companheiro! Meu questionamento na verdade sempre foi mais político-social e cultural.
Ao chegar à Suíça, há vinte anos, uma das constatações era de que aqui a mulher ainda não tinha, ou não se importava em ter este status. Poucas trabalhavam e, além disso, lembremos dos direitos políticos relativamente novos - vide o tardio e básico direito ao voto!
Passado o choque inicial, foi pôr a mão na massa e criar/cavar meus espaços no mundo do trabalho. Os questionamentos da minha realidade continuaram sendo sempre de ordem prática.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Xenofobia


De acordo com o dicionário, xenofobia consiste na aversão ao estrangeiro: xeno – estranho; fobia - aversão, medo.

O século XX foi palco de inúmeros e profundos acontecimentos como: duas Guerras Mundiais, Guerra Fria, várias guerras civis, além do advento da globalização, revolução técnico-científica e a formação de blocos econômicos como União Europeia e o Mercosul.
Todos esses acontecimentos contribuíram e ainda contribuem para o aumento de fluxos migratórios dentro dos países e além de suas fronteiras. Em consequência desses fluxos, manifestações xenofóbicas têm se difundido cada vez mais entre pessoas e alguns países têm criado leis para inibir ou limitar a presença de estranhos em seu território.
Como sempre fui ligada aos Direitos Humanos e acredito que todos devemos respeitar e ser respeitados, sou contra toda e qualquer forma de preconceito, e nesse artigo gostaria de compartilhar um pouco da minha experiência evidenciando ainda mais o porque sou contra a esse tipo de atitude.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O que é mesmo Liberdade de Expressão?

Nas décadas de 70 e 80, a Boca Maldita - reduto de intelectuais de Curitiba - era o local de discussão onde tudo era permitido. Mas os temas eram política, literatura, cidadania... Era a tribuna livre de palavras e pensamentos. Hoje a dita "liberdade de expressão" se propagou em forma de redes sociais. Podemos dizer o que fazemos, quem somos e o que pensamos.
E esta é a pior parte, pois revela a miséria humana, exatamente porque na maioria das vezes não há um conteúdo relevante para propagar, e ainda assim, na tentativa de ser engraçadões, expõem a banalização desta geração.
E por que dizer, se expor? Que liberdade de expressão é esta? É a liberdade que causa discussão, que gera novas leis, indignação, admiração e seguidores. E qual é a conclusão? Existe um veredicto? Censura? Amoralidade?
No fim, só querem ser polêmicos ou politicamente incorretos. A completa liberdade de expressão está aprisionanando à nossa naturalidade, à nossa escolha de contar uma piada apenas para fazer bom humor e nao para virar notícia.

Luci Macedo, Milão - Itália

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Posso ser seu amigo? - Can I be Your friend?

Love



Eu já conhecia o ‘sweetheart, pois morei em Londres e é essa palavra que os ingleses usam pra designar "querida".
Aqui no interior da Inglaterra usa-se uma das palavras mais singelas do mundo: love.
Hi love.
How are you love?
Thank you love.
É o que ouço o tempo todo. No mercado, no restaurante, até no açougue eles te chamam de ‘love,.
Depois de morar mais de 14 anos numa Suíça contida, onde as pessoas raramente expressam suas emoções, é uma delícia viver num lugar onde as pessoas te chamam
de amor o tempo inteiro. Mesmo que não seja verdade, quase chega lá pois significa que a pessoa foi com a sua cara. Ou então não teria te chamado assim, teria dito a frase e pronto.
Não vou negar que esse hábito ás vezes me assusta, outras me surpreende ou me deixa com a pulga atrás da orelha . Mas na maioria das vezes eu adoro e só há uma resposta pra essa expressão: uma outra que usam por aqui, ‘you are a star’ pra dizer que a pessoa é máximo e acertou no vocabulário.
E pedir pro mundo mais expressões como estas. Como diz aquela campanha: Mais
amor por favor!

Magda Hammer - Alderley Edge, Inglaterra

terça-feira, 12 de julho de 2011

Quem disse que eu não sou criativa???

Certa vez, ainda cursando Comunicação Social: Publicidade e Propaganda, reclamei das matérias retrógradas, da qualidade dos professores e do nível em geral. Comentei que estava insatisfeita, que esperava muito mais de um curso de universidade e que não sabia se queria trabalhar numa agência de publicidade. Ouvi de uma pessoa muito próxima: “Também pudera. Você nunca foi uma pessoa criativa”. Aquilo foi como uma punhalada no coração, como um soco na boca do estômago, como um tiro no pé. Pensei, repensei, voltei a analisar: “O que é ser criativo? Qual a definição da palavra? E por quê eu não me encaixo nessa categoria?”. Aquela afirmação, vinda de uma pessoa tão presente e influente na minha vida, me fez realmente acreditar por anos que eu não era um ser criativo, que não podia criar, inventar, bolar. Decidi ir para o campo de vendas e marketing, onde não era necessário criar campanhas.

Hoje entendo que a definição de criatividade para a pessoa era puramente na destreza manual e pictórica. Realmente, até hoje eu me considero péssima em habilidades manuais. Não sei bordar, tricotar, costurar, fazer colar ou bijoterias. Não consigo nem pintar as minhas unhas direito. Também reconheço que nunca aprendi a desenhar, a expressar o que vejo através de uma folha de papel e de um lápis, uma tinta. Recentemente fiz um workshop com duas amigas: uma que estudou arte e a outra que se graduou em história da arte. Trabalhamos os quatro elementos – fogo, ar, terra, água – usando carvão, pigmento, argila e aquarela. Olhava para os meus trabalhos e para os delas e soltei espontaneamente: “Meu Deus, o meu desenho é horrendo, é uma coisa escabrosa diante dos seus”. A nossa sábia professora, Marge Oplinger, respondeu: “Não se compare! Sempre haverá uma pessoa pior e uma melhor. O importante é expressar o que você sente e curtir o trabalho”. O comentário tão simples desencadeou uma sequência de pensamentos e no fundo eu só ouvia uma mensagem estimulante e positiva, o contemporâneo “yes, I can!”.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

A Criatividade como um caminho de Cura

Como terapeuta Artística, é a partir deste enfoque que pretendo abordar o tema "CRIATIVIDADE".
Todos se beneficiam da possibilidade de se expressar de um modo livre, natural e intuitivo...com a possibilidade de exercer o potencial humano da Criatividade.
Qualquer pessoa pode tirar proveito do processo artístico: crianças, adolescentes, adultos, idosos, doentes (inclusive mentais), dependentes químicos, portadores de necessidades especiais..
A arte com suas cores, formas, melodias, ritmos e métricas, movimentos e gestos, usando seus materiais sensoriais (sons, pigmentos, terra, corpo, palavra), descobrindo e obedecendo as leis imanentes a cada material e usando suas possibilidades de composição e expressão - cria um mundo que evoca ao indivíduo as condições da criação universal, religando-o à sua origem primordial.
Dessa forma, curando-o de sua doença básica (raiz de todas as demais doenças), o sentimento de isolamento, a ilusão de estar apartado da Totalidade.

Marge Oppliger - Zurique, Suíça

domingo, 8 de maio de 2011

Um parto "humanizado"

Sem dúvida a chegada de um bebê traz, além de uma mudança nos hábitos e nos valores, uma necessidade de conhecimentos inserida num turbilhão de emoções. Isto em qualquer lugar onde estejamos.
Mas ter um filho em outro país nos possibilita experienciar sensações "a mais" do que normalmente seria se estivéssemos em nosso entorno familiar. Em nosso local de origem a expectativa da família, que normalmente não é pequena, a ansiedade dos amigos, o compartilhar e a preparação para a chegada do bebê, nos preenche o coraçâo e a cabeça. Já o ser ou estar estrangeiro neste momento pode propiciar uma comunicação mais estreita com este novo ser. Tudo parece mais intimista, desde a chegada da notícia até sua realização.

As dúvidas e revelações, as respostas, o instinto, as conquistas, são vividas de forma igualmente profunda por todas, mas no caso de estar num lugar "estranho" é possível agregar um outro olhar.
Logo no início da minha gestação busquei uma possibilidade de trabalhar corpo e mente na minha língua materna. Filha de uma professora de yoga, nada mais natural que eu procurasse esta atividade. Com isto tive a grandiosa sorte de encontrar alguém que viria a se tornar uma peça-chave, para que todo este período fosse encarado com maturidade, naturalidade e muito amor. Este alguém foi a Marge Oppliger, que além de ser professora de yoga, possui um largo conhecimento no trabalho com gestantes e de quem ouvi, pela primeira vez, a ideia do parto humanizado. Gaúcha e morando há mais de dois anos na Suíça, Marge foi muito mais que uma professora de yoga e se tornou uma carinhosa orientadora neste meu processo. Os passos dados desde este encontro me mostravam a cada dia, que eu estava num caminho "certo" e bastante especial. E tudo foi construído de forma natural. Cada vez mais eu me conectava com o seguinte pensamento - "o privilégio de ser a protagonista deste millagre de gestar, dentro de mim, uma nova vida." Ideia esta transmitida com muito amor, durante os sete meses que estive em sua companhia.
Nesta caminhada, como ela mesmo diz, as questões maiores ou menores, como dores, dúvidas do parto, angústias, preocupações, pouco importavam. Marge nos fez ver, a mim e as gestantes que tiveram seu acompanhamento, que algo muito maior estava sendo construído neste processo, e que só uma mãe é capaz de acessar.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Pó

“Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentido que não pertencia a nada e a ninguém.”

Os dias parecem todos engatilhados, uma roleta-russa sem fim. Muito difícil usar sutiã, roupa, cinto, sapato, dizer bom dia e não babar. Rotina. Sacrifício não arcar os ombros, manter os olhos abertos e produzir. Janelas e reminiscências. Ele foi embora. Ela foi embora. Desconhecem o paradeiro um do outro, na mala um bocado de palavras e sensações intensas. Talvez, já uma senhora, fosse aconselhável se assentar comportada em alguma cidade pacata, economizar para a casa própria e se contentar com a existência. Um homem qualquer, um trabalho qualquer, a vida protocolar. Manhãs, tardes e noites. Coluna ereta. Ajuizado seria empacotar os desejos e despachá-los para lugar desconhecido, mergulhar na realidade dos dias, esquecer fugas nas madrugadas, deixar de furtar poesias, nada de cobiçar as frases alheias, o mais importante: atar a alma ao mundo possível e viver dentro de um único compasso. No pão nosso de cada dia a nítida impressão de que qualquer dia alguém vai girar a cabeça, vomitar gosma verde e engatinhar pelo teto, nada que a assuste, só mais um acontecimento, só mais um telefonema: por favor, venham tirar uma desgraça que se pendurou no teto. Quanto tempo até declarar rendição? Perdeu todas as horas: a de levantar, a de fazer o café, a de tomar banho, a de procurar um escorredor para o arroz, a de achar uma panela do tamanho certo, a de colocar roupa na máquina, a de por ordem na vida, a de tirar passaporte para a outra margem. Ao invés disso desligou o despertador, dissimulou culpas, heresias, medos e dormiu profundamente.


Dona Maria - Rio de Janeiro, Brasil
Do blog rodadefiar

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Afinal, quando é 2012?

Muito se tem especulado a respeito do ano 2012 em razão do calendário Maia ter simplesmente terminado nesta data. Alguns catastrofistas de plantão apostam que este será o ano do Fim do Mundo, tal como ocorreu no ano 2000, quando muitos, temendo as profecias que eram resgatadas - de Nostradamus à Joãos Bidus -, mudaram-se pra longe das praias temendo a inundação do planeta, munidos de muita água para estoque e alimentos.
Bem, já se passaram 11 anos e ainda se aguarda o final do mundo, agora marcado para 2012.
Mas afinal, quando é o ano 2012? Já passou? Ainda virá? Em quanto tempo? Tempo?
Bem, o fato é que só para começar, o calendário Maia se guiava pelo movimento lunar e contava o tempo pelas 13 luas. O ciclo da Lua é de 28 dias e assim um ano teria para eles 13 lunações completas. A Lua está relacionada ao Feminino, uma vez que ela organiza os ciclos de gestação, menstruação, plantio, acasalamentos, fertilidade, marés, entre outros.
O atual (data) calendário Gregoriano que utilizamos segue o movimento do Sol, ou melhor, o movimento da terra ao redor do sol, energia relacionada ao masculino, à razão, à lógica; determina meses de 30 e 31 dias.
Assim sendo, como prever com exatidão em que anos estamos?
Outra coisa que merece reflexão: será o que fim do mundo já não aconteceu para muitos? Para aqueles que já morreram com certeza sim; para os que perderam e perdem dia a dia, tudo o que construiram em suas vidas também; para os que agonizam em milhares de leitos de hospitais também.
O que é impossível negar é que SIM, o mundo tal qual conhecíamos acabou. De fato o mundo tem acabado há muitos anos, séculos e não pára de acabar. Se lançarmos um olhar, mesmo que bastante superficial, para como era o mundo há três décadas, duas decádas ou mesmo há cinco anos, veremos que um modelo de mundo acabou, e de fato acaba sem cessar desde que o mundo é mundo.
Assim sendo, só nos resta ficar alertas e flexíveis para que possamos acompanhar as mudanças que a cada dia se tornam mais e mais velozes e também para não "quebrarmos". Resta nos abrirmos mais para a ideia que somos todos iguais, navegantes no espaço sideral na superfície de um Planeta Azul; enfim, nos resta despertarmos mais profundamente para o que nos resta ainda de humanos e aproveitarmos o FIM DO MUNDO como o conhecemos, repleto de injustiças e desiguadades e construirmos um Mundo Melhor; com mais equilíbrio, menos violência, mais consciência e respeito.
Assim só me resta desejar um excelente FIM DO MUNDO para todos!!!

E até breve, quiçá já em um "outro mundo".
Regina Helena Mariano - São Paulo, Brasil

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Vivendo em Alderley Edge - Where there’s tea there’s hope - Magda Hammer

Parte 1 - Julho de 2010

A parte “ física” da mudança já passou. As caixas já estão guardadas no porão, até prontas pra outra. Agora começo agora a analisar o lugar, eu e os meu botões.
Dizem que a primeira impressão é a que fica? Não sei, mas vou contar algumas cenas.
Chegamos aqui e deu tudo errado. A mudança atrasou. Prometeram pra gente um porão que não existia. Alarme de incêndio no primeiro dia de Inglaterra, de roubo no segundo, vazamento no terceiro e aí por diante.
Se não fosse a solidariedade de um vizinho muito bondoso que nos emprestou o porão dele, não sei o que seria. Vizinho solidário e ingênuo pois não sabe do escritório que eu montei nesse quarto extra. Parece quartinho clandestino da CIA da Segunda Guerra Mundial. Não saio mais!
O alarme de incêndio no hotel, em plena madrugada, até que foi divertido. Foi então que comecei a perceber como os ingleses adoram sirenes. E como são abertos, pois mal cheguei e já estavam só de roupas íntimas na minha frente. Moral da estória: nunca durma num hotel sem pijama adequado.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Ser feliz na ignorância?

Um dia uma amiga levantou essa questão comigo e respondi sem hesitar: “Prefiro conhecer algo muito bom e depois não tê-lo mais, mas ao menos tive a oportunidade de conhecê-lo ou desfrutá-lo, do que jamais ter tido tal oportunidade.” Mas ela insistiu, e como será depois viver sem algo tão bom que já teve antes? Se contentar com menos? Não seria então melhor não ter tido tal acesso, pois nem ao menos saberia a respeito? Na época respondi convicta que não. Prefiro lembrar de algo muito bom em minha vida do que não ter experienciado ou passado por isso, e novamente incansável ela insistiu, mas e a frustração de não ter mais, não é pior que nem saber que aquilo existia? Titubeei por um instante, pensei rapidamente, mas não mudei de idéia.

Depois de algum tempo, confesso que aquele pensamento volta e meia vinha em minha cabeça com uma interrogação. A medida que coisas novas iam acontecendo, lentamente fui me dando conta de algumas coisas. E após assistir um filme brasileiro sobre a vida das pessoas no sertão nordestino, percebi que quando as pessoas tem um modo de vida, como no interior por exemplo, trabalham na roça, o conceito delas de felicidade é de acordo com a vida que elas tem, como vivem.
A partir do momento em que migram para a cidade grande e tem contato com coisas novas, os conceitos e padrões mudam. O que antes felicidade se resumia em simplesmente chover no sertão, reunir-se com a família para o café e assistir TV, na cidade grande felicidade é estar na internet, conhecer novas pessoas, ter um bom emprego, salário, etc. E olhando para trás, a vida que tinha parece boba, sem graça e sem ambição. Então minha cara amiga, sob esse ponto de vista, você tem razão. Mas considere, nada melhor do que um belo pensamento para alimentar a
alma e os sonhos, mesmo de coisas que foram e não voltam mais, não é mesmo?!
Embora, a felicidade de cada um seja proporcional ao tamanho do seu mundo. E sempre que ele se abrir, jamais voltará ao tamanho original.

Lis Aguiar - Curitiba - Brasil

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Demônios interiores - por Arnaldo Branco


Pouca gente sabe, mas o Rio já tem um disque-exorcismo - 9299-1169

A tradição católica diz que Satanás é esperto e se introduz sem dar na vista. Ninguém repara. A quem já teve - ou suspeita ter tido - o desprazer de acordar um dia com o Diabo no corpo, recomenda-se vivamente comparecer à capela da Igreja de Santana, no centro do Rio de Janeiro, às oito da manhã de qualquer sábado, e procurar o padre Nelson Rabelo. Ele estará de prontidão para vencer, uma vez mais, toda e qualquer insídia demoníaca. Padre Nelson é o único exorcista em atividade no Rio. Seus 89 anos lhe dão um aspecto frágil, mas a alma continua firme e sacudida. Sua folha corrida de serviços prestados à libertação dos danados é verdadeiramente estelar.A cada semana, cerca de 300 aflitos vão em busca de seus préstimos, numa romaria que já dura 38 anos. Ao ritual que presencia há décadas na capela de Santana, o Capeta reage com gritos, regurgitações e demonstrações de força humana descomunal.

No entanto, os procedimentos do padre Nelson não obedecem exatamente à boa norma preconizada pelo Vaticano. Como se sabe, a Igreja Católica sempre agiu com extrema cautela ao lidar com casos de suposta possessão. Antes que o exorcismo seja sequer cogitado, exige-se que o paciente seja submetido a exames clínicos e psicológicos. Mas isso são luxos de Primeiro Mundo. As centenas de pessoas que todo sábado vão atrás do padre Nelson querem é sossego, libertação, e não exame médico - ainda mais se tiverem que entrar em fila do sus. A pressa, no caso, é efetivamente vital. Ensina a boa prática que o possuído deve receber ajuda imediata, sob pena de Belzebu deitar raízes.


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

As tendências para 2010 - Thaís Aguiar

Nunca fui muito ligada em ASTROLOGIA. Há muitos anos convivo com meus familiares sempre trazendo boas novas, previsões ou constatações de um astrólogo indicado por alguém. Ouvia tudo atentamente, mas com pouca curiosidade. Isto até ir a um bate-papo sobre Astrologia no CEBRAC, aqui em Zurique. Confesso que fiquei encantada com as palavras da palestrante, o que me fez, é claro, marcar com ela um café.

Regina Helena Mariano, estudiosa da Astrologia e da Filosofia há mais de 30 anos, bacharel, licenciada e graduada como psicóloga pela FAMATH - Niterói, atua na área há mais de 20 anos. Com toda esta bagagem estava claro, que no mínimo, eu sairia deste bate-papo muito interessada no assunto depois de questionar diversos aspectos. Para minha alegria, supri minha sede de conhecimento a começar por questões bem simples, perguntando: O que é um mapa astral?
“Um mapa é o retrato do céu com a posição dos planetas no momento e local exatos do seu nascimento. É um DNA da alma com 10 corpos celestes que se distribuem numa mandala de 12 áreas que representam todos os setores da vida”.

Regina Helena costuma fazer uma analogia a uma pizza de 12 fatias com 10 azeitonas que se distribuem de forma única, representando cada ser. “Depois da análise de um mapa, você consegue ver com clareza todos os setores da vida de uma pessoa, como as relações sentimentais, o trabalho, a saúde, a família, a saúde, os valores e etc”.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Rituais - Cecília Zugaib

Desde um tempo venho sentindo vontade de ter rituais na minha vida. Não frequento a igreja aos domingos, não faço nenhuma refeição em família, não vou a salão de beleza. Vivo nesse mundo moderno, onde virou ritual correr para todos os lados, dormir mal, tomar café na frente do computador, atualizar diariamente o “status” no facebook, twitter, orkut. Será que quero tudo isso para o meu cotidiano?
Rituais acompanham o ser humano desde o seu surgimento. Tente imaginar uma sociedade sem cerimônias…Não existe. De alguma forma, seja de manifestação religiosa ou não, esssas regras vêm nos acompanhando, nos moldando à sociedade a qual pertencemos, pre-determinando até valores que nos seguem para toda vida. Batismo, casamento, festinha de aniversário, churrasco em família, o cinema às segundas, o banho, a posse do novo presidente, a troca da guarda da rainha, os beijos no rosto como forma de saudação. É de pirar a quantidade de rituais que cumprimos cada dia.
No entanto, os rituais que estou sentindo falta no meu cotidiano são os que trazem bons fluidos, que simbolizem energia positiva e o bem-estar da mente, do momento presente. Juro de pé junto que não sou mística, exotérica, religiosa. Mas ultimamente tenho notado um enorme negativismo nos ambientes que me cercam. No trabalho, cada um fala mal do outro, tenta trapacear o próximo. Entre amigos, poucos são os que parecem satisfeitos com a vida do jeito que ela é. Há sempre mil coisas ruins para uma boa. No ambiente público, parece que as pessoas são incapazes de ter um gesto de solidariedade, de gentileza, de boa educação.
Eu certamente não quero essa eterna insatisfação, esse incansável reclamar, nem pra mim nem para ninguém. Decidi escapar da bolha do mau humor. Comecei a convocar amigos e família para fazer uma corrente positiva num dia da semana. Incensei a casa. Acendi vela pra São Cosme e Damião. Coloquei sal grosso atrás da porta, e o mais importante de tudo: decidi prestar atenção aos meus atos e trabalhar a mente, ser positiva. Vocês estão ai pensando: a) a idade das pessoas é diretamente proporcional ao grau de misticismo; b) yo no creo en brujas pero que las hay, las hay; c) minha filha, você é baiana e todo baiano tem um pé no candomblé, nega; d) coitada, ficou maluca.
Também podem estar se perguntando: e o que o Natal tem a ver com tudo isso? Se pudesse ouvir a sua resposta, colocaria no ar a pergunta: que tipo de ritual é o Natal para você? O que ele representa? Para mim, o Natal é puro simbolismo. É a época de estar em família, de refletir sobre o ano – sucessos e fracassos. Época de fazer planos para o ano que vem e de avaliar formas de me tornar uma pessoa melhor. Claro, tudo isso deve ser feito o ano inteiro, mas é nessa época que consigo achar esse tempo para mim e pensar nos pequenos detalhes que fazem a grande diferença.
Decidi espantar os maus costumes, acolher novos e melhores comportamentos mentais. 2010 vai ser o nosso ano! Espero que você também tome o Natal e faça uma reflexão sobre a sua vida, a sua maneira de pensar e agir. Já que tudo é energia, porque não pensar positivo, agir com determinação? Cito uma amiga, que ao ser questionada com desdém pela professora de inglês que a havia reprovado, se ela achava que ela teria condição de passar para o próximo nível do curso, respondeu com atitude: “I think and I can”. Feliz Natal!

Cecília Zugaib - Zurique, Suíça