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quarta-feira, 30 de março de 2011

Eternamente Bidu Sayão - Thaís Aguiar

Eu tinha 21 anos e meus conhecimentos musicais passavam pelo punk rock dos Ramones e Cólera, pelo Psychobilly dos Meteors e Kães Vadius, pelo sons de Tom Waits e Pixies e um básico da MPB, quando uma amiga me falou sobre algumas grandes musicistas do nosso país. Com isso o contato com a cultura musical se ampliou imensamente, e foi quando conheci um grande nome da música brasileira. Ela era Balduína de Oliveira Sayão até se tornar a voz lírica mais bela do Brasil. A partir da decisão de ser cantora passou a se chamar Bidu Sayão. Nos 12 anos de sua morte, completados agora em março, Bidu é conhecida por uma pequena parcela de brasileiros. Isto porque sua arte não era das mais populares. Estudante de canto foi levada ainda muito jovem por sua professora para estudar na Romênia, partindo depois para França, Itália e Estados Unidos. Nesta caminhada conheceu grandes nomes da ópera como Arturo Toscanini, seu eterno admirador.

Em sua estada na Europa foi convidada para cantar em recepção em homenagem ao príncipe herdeiro do Japão, o futuro imperador Hiroíto. Na Itália fez Rosina em "O Barbeiro de Sevilha" de forma tão esplendorosa que se tonou um marco em sua carreira. Ao lado da pianista Guiomar Novaes, Bidu é considerada uma das artistas brasileiras mais importantes desta geração. Seu reconhecimento é tanto que o Hall de entrada do Metropolitan Opera de Nova York abriga um grande quadro em sua homenagem. Neste país a cantora se viu respeitada e querida, chamada de "The Charming Singer". Durante dois anos encabeçou o disco clássico mais vendido em terras americanas, resultado da grande parceria com o amigo Villa-Lobos, a quem emprestou sua voz e imortalizou a gravação da "Bachiana n°5", da obra "Bachianas Brasileiras", as peças mais famosas e mais amadas do compositor.

Com Villa-Lobos, Bidu teve sempre uma estreita e carinhosa amizade. No Brasil estreou no Municipal do Rio de Janeiro, mas foi fora do Brasil que Bidu se consolidou como grande artista. Atriz e cantora com extrema elegância, viveu 22 mulheres heroínas em seus papéis no palco. Chegou a interpretar 12 personagens em 13 temporadas. Cantou mais de 200 funções até completar 50 anos. Ovacionada sempre fora do país de origem, Bidu recebeu uma grande homenagem no ano de 1995, veio ao Rio de Janeiro para desfilar pela escola de samba Beija-Flor, sendo tema do enredo: Bidu Sayão e o Canto de Cristal. Antes de ir embora, com 92 anos, não escondeu sua vontade de retornar ao Brasil.

Um evento marcante em sua carreira foi o recital na Casa Branca (1938), onde cantou para o presidente Roosevelt que imediatamente lhe ofereceu a cidadania estadunidense, mas Bidu recusou a oferta dizendo ser brasileira e expresando seu desejo de seguir sendo brasileira e voltar ao seu país. Entretanto a cantora permaneceu nos EUA até sua morte aos 97 anos. Tantos anos fora do Brasil, como tantas imigrantes que por qualquer motivo permanecem longe do país de origem, Bidu Sayão será eternamente um símbolo de valor da música lírica brasileira, que mostrou ao mundo que um país novo produz também artistas de valores eternos.





Um comentário:

Nei kS disse...

thais, basta clicar em "de quem é a realidade?" - embaixo da foto e você terá uma exposição dentro de casa.

Obrigado pelo carinho,

Besos!