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segunda-feira, 22 de março de 2010

Eu acho que o que deus curte é silêncio - Nei Shimada

Vão lançar um filme chamado “Chico Xavier” e o diretor Daniel Filho veio a publico dizer que não é um filme doutrinário. O problema não é esse, o problema é querer que a gente engula mais essa. Não precisam mentir. É um filme doutrinário e segmentado aos milhões de adeptos do kardecismo, sim senhor.

Não dá pra dizer se a psicografia é um fato, um mito ou uma fraude. Ou se a mediunidade é um velho jogo positivista de anti-semitas franceses brincando com espíritos – ao contrário dos conselhos de Moisés ao povo eleito: deixem os mortos em paz. Nunca saberemos. Mas é interessante citar que o espiritismo de Kardec migrou da França e fixou residência no Brasil como se fosse tão tupiniquim quanto Tupã ou Boitatá. E aos galos nada sobrou, só o tumulo de Allan Kardec no cemitério Pere Lachaise ao lado de Jim Morrison, Victor Hugo e Edith Piaf.

Não, Chico Xavier está enterrado no Brasil...
Até sua morte eu o respeitava por seu silêncio e caridade. Sustentava, com a renda de seus livros, varias entidades. Tinha a pecha de homem santo em vida.

Porém, pouco antes de morrer, conta o filho adotivo, Chico disse que mandaria um aviso do outro lado provando que lá haveria vida e que as comunicações eram reais. Um assombro de arrogância. Nem deus, tão aliado dos devedores e doentes, teve tal sutileza.
E nada provou depois de morto. Não que a prova fosse necessária. O que ele não entendeu é que a fé de todos leitores e espíritas – não espíritas também - não precisa de prova. Fé nenhuma precisa de fatos concretos. A fé em si é uma situação abstrata e se sustenta como tal. Quando vem ao concreto sob a forma de milagres, rituais, orações, sacerdotes, templos, multidões, livros, velas, conselhos e ate mesmo filmes, vira mitologia.

O único filme sem doutrinação sobre espíritos é “Ghostbusters”.

Assim como teve uma onda de cinema nacional com roteiros baseados na violência urbana, já prevejo um tsunami místico pela frente, com biografias de freis, daimes, madres, Macedos, Gantois, jesuítas e Dinás, dos oficiais aos pagãos, dos protestantes aos atabaques. E não preciso de bola de cristal para prever tal enxurrada.Que deus salve o cinema brasileiro.

2 comentários:

Punksauro Nei disse...

oieuaquitraveis!

obrigado!
Nei

Marcelo Candido Madeira disse...

Oi Nei, pode ficar tranquilo porque não será mais doutrinário do que qualquer filme hollywoodiesco...a questão é: Será que Daniel Filho colocou no filme que Chico Xavier fez campanha para o Collor? Que os espíritos lhe disseam que o Brasil precisava do um presidente como o Collor em 1989??? Que espíritos reacionários são esses, meu padinpadiciço!!!